Dortmund irreconhecível saiu no lucro, apesar da goleada

Um fator explica o que aconteceu em Munique: o Dortmund não foi nem sombra do time que venceu o clássico no primeiro turno. Por outro lado, o Bayern de Munique foi competente o suficiente para aproveitar as muitas deficiências aurinegras e golear por 4 a 1.


A intenção aqui não é passar pano pra time ruim, até porque essa atuação pra ser ruim precisava ter sido muito melhor. Ocorre que o Dortmund estava sem os seus principais jogadores e, como se isso não bastasse, Tuchel ainda fez as piores escolhas possíveis.


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Dortmund tinha tudo para dar errado - e deu


O primeiro erro foi escolher Castro e Guerreiro como dupla de meio-campo na ausência de Weigl. Sem contenção e um jogador para buscar a bola na zaga, o Dortmund viveu de ligações entre defesa e ataque que não deram em nada. Era jogo para Sahin ou Merino.


Tuchel percebeu o erro e tentou corrigir, mas colocou Rode e foi aí que a vaca deitou. Tirou Castro e pôs Rode com o mesmo efeito prático de quem troca o jogo por um canal que só passa propaganda de roupa de cama o dia inteiro. Abdicou de qualquer chance de vitória em uma partida que já não estava fácil.


Outras escolhas que poderiam ter sido cruciais não influenciaram tanto na derrota. Passlack era a opção possível para o lado direito e não comprometeu. Ginter substituiu Piszczek e, apesar de ir mal, também não cometeu nenhuma falha crucial.


Isso soma a um ataque com Aubameyang desperdiçando chances como de costume e Dembélé extremamente fora de sintonia. O Dortmund esteve irreconhecível com e sem a posse da bola, e só aí entra a partida sublime do Bayern de Munique.


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Pênalti claro de Bürki passou longe de ser o motivo da derrota


Mais do que a superioridade óbvia de quem jogou muito mais inteiro e em casa, o Bayern conseguiu fazer dois gols cedo. No segundo tempo, aproveitou a indecência de Rode no meio-campo para ampliar. Robben fez miséria de um Schmelzer que teve o maldito destino de fazer seu pior jogo na temporada justamente contra o Bayern e seu maior algoz.


O que teve de bom no Borussia? Pouca coisa. Guerreiro fez um golaço que vai ficar esquecido por causa da derrota. Pulisic, apesar de que não deveria sequer ter sido escalado, mostrou mais uma vez mentalidade forte para atuar durante os 90 minutos. O resto, repito, deu tudo errado mesmo.


O pênalti de Bürki aconteceu e o goleiro teve a sorte de não receber cartão vermelho. O Bayern de Munique também tem Champions no meio de semana, se não fosse isso provavelmente teria agredido mais e feito um placar ainda maior. Em resumo: foi ruim, poderia ter sido muito pior, mas não é motivo de desespero.


Tuchel errou quando teve que fazer escolhas decisivas e admitiu na entrevista após o jogo. Perder para o Bayern em Munique não é nenhum absurdo em termos de campeonato, e quem se espanta com isso está fora de si. Se colocarmos na balança todos os fatores, a verdade é que 4 a 1 foi pouco.


O que resta de ruim dessa derrota é o improdutivo debate sobre como o Bayern é extremamente superior e o Dortmund não consegue fazer frente ao adversário. No ano passado foram quatro encontros, dois empates e uma vitória para cada lado. O desequilíbrio está na má vontade de quem analisa só resultado, mas até aí tudo bem. Afinal, até hoje tem quem ache que Bayern e Dortmund é a maior rivalidade da Alemanha.



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