Os 5 fatores que fizeram do Boca o campeão argentino da temporada 2016/2017

E como o roteiro indicava, o Boca foi campeão. A temporada 2016/2017 do futebol argentino (que adaptou seu calendário ao futebol europeu) é azul y oro. A vitória do San Lorenzo na noite de ontem contra o Banfield fez jogadores e torcida festejarem pela TV. O Obelisco, La Bombonera e a metade mais 1 do país fizeram a festa.


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Outra volta olímpica: o Boca é campeão argentino


O último título havia sido em 2015, mas ter passado 2016 sem vencer custa muito ao Xeneize. Pelos lados do Riachuelo, não conquistar taças e não jogar a Libertadores é quase crime inafiançável. Uma mala costumbre, que nos deu Bianchi, Román, Palermo e Guillermo Barros Schelotto, o agora DT campeão.


Mas como pode um time que foi tão criticado ao longo do campeonato ser o campeão com duas rodadas de antecedência? Coloco aqui os cinco pontos cruciais para que isso acontecesse:


1. O técnico


Guillermo é um ídolo do clube. Em tempos que tivemos o maior DT de nossa história (Carlos Bianchi), o maior jogador de nossa história (Riquelme) e o maior goleador de nossa história (Palermo), o Mellizo conseguiu entrar no coração dos torcedores sem alcançar nenhum destes status. Foi na base de bom futebol, raça e títulos. Como técnico, dispontou bem no Lanús (conquistando uma Copa Sul-Americana) e aterrizou em La Boca sendo o grande desejo do presidente e da torcida. Foi critícado algumas vezes, mas conhecer o 'Mundo Boca' e ter o respaldo da torcida o ajudou nos momentos difíceis. Nem a eliminação contra o Independiente Del Valle e nem o fraco futebol por alguns instantes fizeram ele balançar. Fez do Boca um time mais veloz, com um 4-3-3 mais moderno e que, mesmo gerando pouco jogo, era mortal. Após o título, disse que Carlos Bianchi tem muito nessa conquista. Isso o torna ainda maior.


2. Benedetto


O camisa 9 chegou do América mexicano por 6 milhões de dólares, uma quantia alta para quem nunca havia jogado em um time grande na Argentina. Hincha do clube, Pipa tem uma tatuagem com o escudo do Boca. Destes 6 milhões pagos, 1 ele tirou do próprio bolso para vir. Dos 18 gols que fez até aqui no certame (é o artilheiro isolado), 12 serviram para abrir o marcador. É um camisa 9 de gols importantes e de golaços. Daqueles que te faz ganhar jogos. E muitos dos que ganhamos foram graças a ele.


3. Centurión


Críticado por não render no São Paulo. Críticado por seu comportamento fora de campo. Exposto pela mídia semanalmente. Centu respondeu em campo. Com a saída de Carlitos Tevez, assumiu a camisa 10 e fez o peso dela parecer uma pena. De seus pés saiam as jogadas diferentes, o inesperado. Quando muitas vezes o time não estava bem, era o wachiturro que pegava a bola e ia pra dentro da defesa adversária gerando um futebol que por vezes não aparecia. Em La Boca foi abraçado e se identificou como poucos com o clube.


4. Tevez


Ele foi embora por um caminhão de dinheiro no meio do campeonato. Mesmo assim, graças a ele o Boca assumiu a ponta pra nunca mais largar. Foi absolutamente decisivo em clássicos e bailou as gallinas no Monumental (4 a 2, com dois gols dele). Quando ele estava, blindava o vestiário, pois as críticas carregava muitas vezes sozinho. A primeira metade da temporada foi toda de Carlitos.


5. Imprensa


A maior parte da imprensa argentina criticou o Boca do primeiro ao último jogo (até aqui). Poucas vezes foi um time elogiado. Mesmo sendo o que mais venceu, menos perdeu, mais fez gols e vencendo 4 de 5 clássicos. Sim, as vezes o Boca jogava realmente mal, mas tantas críticas parecem ter servido para unir o time e blindar o vestiário. Aparentemente, toda a tentativa de desestabilizar o plantel funcinou de maneira inversa.


Faltam ainda duas fechas para se jogar, mas a taça já é nossa. O 32º campeonato argentino de nossa história. Dale campeón!