Há 10 anos, Riquelme voltava. O resto é história

Faz exatamente 10 anos que o maior 10 voltou a pisar o pátio de sua casa. Após 5 anos no futebol europeu, Juan Román Riquelme decidiu rejeitar propostas milionárias e ser feliz, em La Boca.


No dia em que voltou, o empate contra o Rosario Central em La Bombonera foi o jogo menos relevante que lembro ter visto. A partida realmente pouco importava. Só os movimentos do Diez e seu amor pela bola, branca imaculada. Seus beijos de amor com a pelota e cada passe ou gambeta realizada.


Naqueles tempos, ainda olhávamos Riquelme como um de nossos maiores camisas 10 da história, ainda não o 10 absoluto. Alguém que não só nasceu no clube, mas que nos levou ao topo do mundo. De qualquer forma, era a volta de um romance que já existia, mas que precisava de mais este encontro para ser declarado um amor eterno.


Prensa Boca Juniors
Prensa Boca Juniors

Há 10 anos, Román voltava a pisar no gramado de La Bombonera


Román ganhou praticamente sozinho a Libertadores de 2007. Decidiu contra o Vélez, bailou o Libertad quando tudo nos jogava em contra, guardou a bola onde a coruja dorme no arco do Cúcuta e aniquilou o Grêmio, quando o clube gaúcho ousou se colocar entre ele e sua Copa. Sim, sua e de mais ninguém. A partir daquela noite, em Porto Alegre, nada mais seria igual para o torcedor xeneize.


Após isso, Román decidiu ficar. Quase que para sempre. Conquistou ainda mais dois Campeonatos Argentinos e uma Copa Argentina. Mas as conquistas já não eram tão necessárias, já não havia nada o que provar. Nos últimos anos, bastava-nos vê-lo carregar a 10 azul y oro para sermos felizes. Como conta meu grande amigo Douglas Ceconello, presente em uma peleja no Templo, o time não jogava bem, os jogadores deixavam a torcida insatisfeita, mas a adoração por Román era vista quando ele errava. Os outros não podiam falhar, ele merecia aplausos mesmo sem acertar.


O ROMANce que despertou o amor eterno naquele 18 de fevereiro de 2007, teve capítulos de paixão a cada domingo de sol ou a cada noite fria de quarta-feira. Aquela sempre será lembrada como a data em que as coisas se ajeitaram e voltaram ao seu devido lugar. O resto será lembrado apenas como história.