Benfica bate Portimonense com golaço de André Almeida, mas preocupa para a Champions League

Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

O triunfo do Benfica frente ao Portimonense veio com gol antológico do lateral-direito André Almeida


O duelo entre os atuais e respectivos campeões da primeira e segunda divisões de Portugal, Benfica e Portimonense, teve os ingredientes necessários para ser considerado insano. Expulsão, golaço (sem querer?), virada, gol anulado no fim do jogo com participação do árbitro de vídeo, nervos à flor da pele. Tudo isso diante de 52.795 pessoas no Estádio da Luz.


Do ponto de vista emocional, pode-se dizer que os Encarnados venceram "na raça". Nunca é fácil reagir a um placar adverso, mesmo que o palco do jogo seja a sua casa. Afinal, nessas horas, o apoio pode se transformar em pressão. As circunstâncias da partida podem motivar os comandados de Rui Vitória na luta pelo pentacampeonato nacional. Agora com 13 pontos, seguem na cola dos arquirrivais Porto e Sporting, cada um com 15.


Por outro lado, do ponto de vista técnico, a atuação não foi das mais convincentes. A equipe teve muitas dificuldades para quebrar o ferrolho adversário e, mesmo em vantagem numérica, escapou de tomar o empate nos minutos finais. Ainda que a parte ofensiva mostre poder de reação, a defesa dá indícios de que deveria ter sido reforçada. Três pilares do setor saíram na última janela de transferências. A reposição foi pouca. E há dúvidas: estão à altura?


E, com essa pulga atrás da orelha, a Uefa Champions League já bate à porta... Felizmente, a estreia é em casa. Contra o CSKA Moscou, não irá faltar apoio da maior torcida da Terrinha.


Mas o futebol apresentado no primeiro compromisso pela prova continental, agendado para a próxima terça-feira (12), tem que ser superior ao que foi visto frente ao escrete de Portimão. A Liga dos Campeões da Europa tem nível de exigência maior que o da Primeira Liga de Portugal. O Glorioso tem de jogar com a fibra a qual o consagrou como o maior clube português de todos os tempos e para sempre.


90 minutos de tensão, reviravolta, êxtase, susto e alívio


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Benfica venceu o Portimonense de virada no Estádio da Luz


O embate começou truncado. Os visitantes davam poucos espaços em sua retaguarda e assustavam nos contragolpes. Quase saíram na frente aos 34 minutos, em finalização de Wellington defendida por Bruno Varela.


Com dificuldades para criar jogadas e se impor, as Águias levaram perigo somente na bola parada. Quando o relógio marcava 29 minutos, Jonas quase abriu o placar em cabeçada, após escanteio. Aos 35, em cobrança de falta, Samaris obrigou o goleiro Ricardo Ferreira a trabalhar.


Destaque, em particular, para a atuação de Zivkovic. A joia sérvia ganhou uma chance entre os titulares e mostrou serviço. Movimentou-se bastante e deu muito trabalho à zaga oponente.


Nada de gol no primeiro tempo. E uma atuação apagada. Motivos suficientes para a apreensão tomar conta das arquibancadas.


Se na etapa inicial não houve registros de muita relevância, a parte derradeira do confronto começou a todo vapor.


Com 11 minutos no relógio, em duelo brasileiro, o atacante Fabrício levou a melhor sobre o zagueiro Luisão e se aproveitou do buraco na defesa dos donos da casa para anotar um belo gol.


O Benfica era obrigado a dar a volta no placar para não ver o topo da tabela mais distante em plena quinta rodada da Primeira Liga. E não demorou a empatar. Aos 14 minutos, Salvio saiu na cara do gol e foi derrubado por Hackman. Pênalti. Como o defensor era o último homem, acabou expulso. Jonas partiu para a cobrança e deixou tudo igual. Artilheiro isolado do campeonato, o camisa 10 agora tem seis gols no certame.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Artilheiro: Jonas deu início à reação do Benfica diante do Portimonense e chegou a seis gols na liga portuguesa


Hora da blitz. Ricardo brilhou em tentativas de Jonas e Seferovic.


Contudo, a afobação e os passes errados atrapalhavam. Foram quase 20 minutos de agonia. Até que, aos 34, o lateral-direito André Almeida protagonizou um lance de raríssima felicidade. Na quina da área, ele pegou o rebote da zaga, chutou e... Acreditem, encobriu o arqueiro e balançou as redes! Loucura na Luz. Era a virada do Sport Lisboa e Benfica. Um gol memorável.


Mas quem disse que já estava tudo resolvido àquela altura? Perto do fim, aos 43, Manafá avançou pela esquerda e assistiu Fabrício para o empate. O Portimonense chegava ao 2 a 2 mesmo com um homem a menos! O susto, no entanto, virou alívio. O vídeo-árbitro flagrou Manafá em posição irregular no momento em que ele recebeu a bola e anulou o gol.


A contagem final foi 2 a 1. O Benfica não vencia um jogo de virada desde o dia 18 de abril de 2016. Na ocasião, bateu o Vitória de Setúbal pelo mesmo placar, também no Estádio da Luz.


Os comandados de Vítor Oliveira ficaram inconformados. E não vão digerir tão fácil esta derrota. Desde já, pode-se cravar que uma missão dificílima aguarda o SLB no segundo turno, na região do Algarve.


Tá, um passo de cada vez... O próximo alvo é o CSKA Moscou, na terça-feira, pela Champions League. O coração não terá muito descanso.


Quanto ao atacante brasileiro Gabriel Barbosa, apelidado de "Gabigol" pela torcida do Santos: ele foi relacionado, mas viu o jogo no banco de reservas. Não entrou em campo. Teve sua estreia adiada.


Gol "sem querer"? André Almeida garante que não!


Reprodução/SL Benfica
Reprodução/SL Benfica

Acreditem, foi desta distância que André Almeida anotou o gol da vitória do Benfica!


Tendo em vista a enorme dificuldade de se acertar um chute de uma distância da qual André Almeida acertou, é fácil concluir que o gol não foi intencional, embora tenha sido de uma beleza ímpar.


Mas, vejam só, o lateral afirmou, com todas as letras, que ele, sim, arriscou para marcar.


Estas foram as palavras ditas à BTV - Benfica TV, logo após a vitória de 2 a 1 contra o Portimonense na Luz: "Quando eu acionei a bola, a bola estava saltitando. E eu acreditei. Acreditei na minha sorte. O que alguns chamam de 'chouriço' (termo português que seria o que chamamos de 'cagada' por aqui) ou sorte, eu chamo de acreditar. Eu olhei para a baliza e vi que o goleiro tinha dado dois ou três passos à frente, e aí tentei a minha sorte"


Dá para acreditar?!