Benfica supera Vitória de Guimarães em mais uma decisão e conquista a Supertaça

Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Mais um título em 2017: Benfica bateu o Vitória de Guimarães por 3 a 1 e se sagrou 'supercampeão' português


A espera acabou. Finalmente começou a temporada 2017/2018 do futebol português. Nada melhor que iniciar a nova época com mais um troféu para a galeria de títulos. Neste sábado (5), o Benfica deixou para trás as críticas da pré-temporada e venceu o Vitória de Guimarães por 3 a 1 na Supertaça Cândido de Oliveira, que este ano foi jogada no Estádio Municipal de Aveiro. Esta foi a sétima Supertaça da história das Águias.


Paralelamente à conquista veio a certeza de que a taça está em boas mãos. Melhor sensação possível para quem segue o futebol.


Esta foi a terceira decisão de 2017 em que o SL Benfica se sobressaiu diante do Vitória SC. Vale recordar o 5 a 0 no jogo do Tetra - e do 36º título - da Primeira Liga e o 2 a 1 na conquista da 26ª Taça de Portugal.


Início arrasador e freada no fim do primeiro tempo


Vários adjetivos podem definir o Benfica supercampeão português. Destemido, incansável, inteligente, cirúrgico... Com 11 minutos de jogo, o placar já apontava 2 a 0!


Aos seis minutos, durante a transição para o ataque, Jonas percebeu Pizzi livre na esquerda. O meia cruzou à área e o goleiro Miguel Silva afastou. No rebote, lá estava o camisa 10 para completar às redes. No lugar certo e na hora certa, Jonas anotou o primeiro gol dos Encarnados em 2017/2018.
O segundo gol veio aos 11 minutos. O "maestro" Pizzi aproveitou a furada de Zungu e tocou para Seferovic. O suíço, que fazia seu primeiro jogo oficial pelo Maior de Portugal, passou pelas costas de Josué Sá e tocou na saída de Miguel Silva.


Nesse momento, via-se um Benfica tão avassalador quanto um rolo compressor e um Vitória mais perdido que estudante de Humanas fazendo prova de Exatas. E o ambiente em Aveiro muito se assemelhava ao bom e velho Estádio da Luz, tamanha era a euforia dos adeptos gloriosos - entretanto, não igualava, pois a Luz é inigualável.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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Benfica conquistou a Supertaça Cândido de Oliveira pela sétima vez


Mesmo com a vantagem relativamente confortável, o time de Rui Vitória não diminuiu o ritmo. Esteve perto do 3 a 0 com Salvio e André Almeida, que obrigaram Miguel Silva a trabalhar.


Por outro lado, os vitorianos precisaram partir para cima, com o objetivo de tentar reverter a desvantagem. Assumiram o risco de uma maior exposição ao ataque fatal do adversário.


Na baliza benfiquista estava Bruno Varela, prata da casa que substituiu o brasileiro Júlio César, por sua vez lesionado. O jovem de 22 anos fez bela defesa aos 38 minutos, em finalização perigosa de Hélder Ferreira.


A vantagem do SLB foi reduzida aos 43. João Aurélio cruzou na direita e Hélder Ferreira impediu a saída pela linha de fundo. No momento em que a bola atravessou a área pelo alto, Bruno Varela conseguiu desviar. Contudo, Raphinha apareceu no segundo poste e cabeceou para o fundo do gol.


Raúl Jiménez volta a aterrorizar a defesa do Vitória SC e liquida a fatura


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Carrasco: Raúl Jiménez já havia marcado contra o Vitória de Guimarães no jogo do Tetra e na final da Taça de Portugal; agora, balançou as redes na Supertaça


Nada de se fechar para segurar o resultado. O Benfica tinha em mente que a melhor saída para definir o jogo era atacar. Quase ampliou com uma bomba de Seferovic, aos nove minutos.


Quatro minutos mais tarde, o Vitória ficou muito perto do empate. Hurtado saiu na cara de Bruno Varela, o arqueiro se agigantou e o meia se atrapalhou.


Hora de povoar mais o meio-campo, a fim de impedir outras ações dos minhotos. Filipe Augusto entrou no lugar de Salvio. Mais tarde, Grimaldo, dono de mais uma excelente atuação na lateral-esquerda, pediu para sair e foi substituído por Eliseu.


Enquanto as Águias tentavam antecipar a definição do título, quem se destacava lá na frente era Seferovic, por sua intensa movimentação, de modo a confundir os marcadores oponentes e a dar diversas opções de ataque para a equipe.


O tempo passava e a apreensão aumentava. Muitas estratégias apareciam, como numa partida de xadrez. E nada de gol.


Mas era chegada a hora dele: Raúl Jiménez. O camisa 9, que balançou as redes nas decisões anteriores frente ao Vitória Sport Clube, no jogo do Tetra e na 26ª conquista da Taça de Portugal, apareceu a nove minutos do apito final, no lugar de Jonas.


Bastaram dois minutos em campo para Jiménez mostrar por que caiu nas graças da maior torcida de Portugal. Em contra-ataque, Pizzi viu Raúl passando pela esquerda e deixou a bola nos pés do atacante. Ele apareceu como um foguete e finalizou de primeira, dentro da área, para sacramentar mais um título do Benfica sob o comando de Rui Vitória: 3 a 1. A Águia voou mais alto em Aveiro.


Vale mencionar os € 121.760 arrecadados na partida para os Bombeiros, que trabalham contra os incêndios florestais na Terrinha, tão comuns - infelizmente - nesta época do ano. O critério para a arrecadação foi o seguinte: um euro por cada ingresso vendido, 5 mil euros por cada gol marcado, 1500 euros por cada finalização, 1500 euros por cada escanteio, mil euros por cada roubada de bola, 100 euros por cada ataque e 100 euros por cada cruzamento.


Luisão e Rui Vitória batem recordes; Salvio também atinge marca importante


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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20 vezes campeão: Luisão superou o lendário Mário Coluna e agora é o jogador benfiquista com mais títulos


Não há dúvidas: o capitão do Sport Lisboa e Benfica é uma lenda viva do Maior de Portugal. Com a conquista deste sábado, o zagueiro Luisão chegou a 20 títulos e se tornou o jogador mais vezes campeão pelo Glorioso. Desde sua chegada, em 2003, lá se vão seis Ligas, três Taças de Portugal, sete Taças da Liga e quatro Supertaças.


E o defensor continuará trabalhando para enfileirar mais troféus, embora seus 36 anos de idade mostrem a proximidade do fim da carreira. "Estamos sempre prontos para mais", disse à imprensa local após a decisão.


O brasileiro é o primeiro colocado de um grupo seleto que também tem as lendas Mário Coluna (19), Nené (18), Eusébio (17), Shéu (17), António Simões (16), Manuel Bento (16), Domiciano Cavém (16), António Veloso (15), José Águas (14), Humberto Coelho (14) e José Augusto (13).


Quem também pode se dar ao luxo de dizer que faz parte desta lista é o meia Eduardo "Toto" Salvio. Jogador do SLB desde 2010, o argentino, com esta Supertaça, igualou a marca de José Augusto.


Depois de se tornar o nono técnico a conseguir a "dobradinha" (Liga de Portugal e Taça de Portugal) para o Benfica, Rui Vitória atingiu um feito inédito neste sábado. Ele se consagrou como o primeiro treinador a conquistar duas Supertaças pelo Glorioso - a primeira veia no ano passado, em vitória de 3 a 0 contra o Braga.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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Rui Vitória agora tem duas Ligas, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças pelo Benfica


O Benfica finalmente "aprendeu a jogar" a Supertaça


A relação dos Encarnados com a Supertaça costumava ser conturbada. Criado em 1979, o certame coincidiu com uma época em que o FC Porto crescia em âmbito nacional e valorizava a competição como uma maneira de mostrar aos rivais do Sul que o Norte tinha condições de polarizar o futebol da Terrinha.


Nesta década, o SLB já soma três títulos em quatro finais jogadas. Nas épocas anteriores, o aproveitamento não era dos melhores: quatro conquistas em 15 finais.


Como em um relacionamento no qual duas pessoas levam muito tempo para se acostumar uma com a outra, o Benfica, enfim, habituou-se à Supertaça Cândido de Oliveira.


Cândido de Oliveira, o homem que dá nome à Supertaça


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Cândido de Oliveira foi uma das grandes personalidades de Portugal no século XX, no esporte, na política e no jornalismo


Existe uma grandiosa história por trás da Supertaça de Portugal. Mais precisamente, no jogador que nomeia o torneio, o qual reúne os soberanos no Campeonato Português e na Taça de Portugal. Em caso de dobradinha, como aconteceu este ano, lutam pelo título o campeão da Liga e o vice-campeão da Taça.


Cândido de Oliveira é uma das maiores figuras da história do futebol lusitano. Iniciou sua carreira de jogador no Benfica, em 1914, por indicação de Cosme Damião, fundador do clube encarnado. Fundou, em 1920, o Casa Pia Atlético Clube, equipe a qual participou do campeonato nacional em 1938/1939 - e hoje está na terceira divisão. Um ano depois, foi o primeiro capitão da história da seleção de Portugal, em amistoso perdido para a Espanha por 3 a 1, em Madrid.


Na função de técnico, guiou a Seleção das Quinas às quartas de final dos Jogos Olímpicos de Amsterdã 1928. Também se consagrou no Sporting, por quem conquistou três Campeonatos Portugueses e uma Taça de Portugal. No Porto, por sua vez, não ganhou títulos, mas lançou José Maria Pedroto, um dos maiores jogadores da história do clube azul e branco. Em 1950, teve rápida passagem pelo futebol brasileiro, onde treinou o Flamengo.


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A primeira seleção portuguesa da história - Espanha 3 x 1 Portugal (1921)


Fora dos gramados, destacou-se como um forte opositor às ditaduras nazifascistas de Hitler, Mussolini, Franco e Salazar. Acusado de chefiar uma organização antifascista de guerrilha, a qual supostamente combateria uma eventual invasão nazista à Península Ibérica, Oliveira foi preso e torturado pelo regime do Estado Novo de Salazar.


Na prisão política de Tarrafal, no arquipélago de Cabo Verde, onde viveu entre 1942 e 1944, registrou, de maneira secreta e em forma de reportagens, os graves crimes cometidos pela ditadura salazarista. Os relatos foram publicados em 1974, em um livro chamado "Tarrafal - Pântano da Morte". Na obra são relatados regimes de trabalho escravo, torturas física e psicológica, alimentação estragada e carência de água potável.


Considerado um grande estudioso do futebol, Cândido de Oliveira também foi árbitro e jornalista esportivo. Trabalhou em veículos como Os Sports, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e Século. Fundou, em Lisboa, o jornal esportivo A Bola, após sua difícil época de preso político na África.


Faleceu em 1958, na Suécia, durante a cobertura da Copa do Mundo que consagraria o Brasil de Gilmar; Djalma Santos, Orlando, Bellini, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Zagallo, Vavá e Pelé, comandado por Vicente Feola.