CBF rasga uma linda página do futebol ao vetar Benfica x Chapecoense

Divulgação/SL Benfica
Divulgação/SL Benfica

Benfica foi um dos primeiros clubes no mundo a se solidarizar com a Chapecoense após a tragédia de Medellín


O planeta foi testemunha da nobreza do Sport Lisboa e Benfica. O Maior de Portugal convidou a Associação Chapecoense de Futebol à Eusébio Cup, tradicional torneio de apresentação do elenco encarnado à torcida mais apaixonada da Terrinha e justa homenagem ao maior ídolo da história do SLB e do futebol português. Depois de muitas negociações, a Chape aceitou o convite. E o Benfica, no último dia 7 de junho, confirmou o amistoso para o dia 22 de julho.


Portugueses e brasileiros mal podiam esperar pela partida amigável. Uma linda página estava prestes a ser escrita no futebol.


Mas apareceu alguém para colocar água no chopp da festa e rasgar essa página... Ela, a Confederação Brasileira de Futebol.


Na quarta-feira passada (14), o Benfica anunciou que o amistoso, cujo palco seria o Estádio da Luz, foi cancelado porque a CBF não autorizou a viagem da Chapecoense a Portugal. A entidade que controla (controla, não necessariamente organiza...) o futebol do Brasil alegou que o clube catarinense tinha duelos agendados pela Série A e pela Copa Sul-Americana para a época e que tais compromissos não poderiam ser transferidos para outras datas.


Veja, na íntegra, as notas do SL Benfica e da Chapecoense sobre o veto da CBF ao embate.


A reação ao cancelamento do duelo entre o Glorioso e o Verdão do Oeste foi imediata. E negativa. Houve reclamações tanto no Brasil quanto em Portugal.


"Estava a esperar por esse jogo. A entidade que representa o futebol brasileiro é uma porcaria. Nos perdoe, Benfica", publicou um brasileiro.


"Custava remanejar alguma data???", indagou outro à CBF.


"A CBF nos fazendo passar vergonha perante aos irmãos portugueses", mais um compatriota reclamou.


"Que pena, que desilusão! Adorei saber que íamos ter a Chapecoense na Catedral! Estas instituições estão-se literalmente a borrifar para nós!", tuitou um benfiquista de Portugal - em bom e claro sotaque luso.


"Podiam muito bem ter ajudado a proporcionar um espetáculo que seria este jogo, atitude um pouco triste... Fica para o (próximo) ano, Chapecoense", postou outro lusitano.


Não dá para esconder a indignação e a tristeza.



"Confesso que achei meio intolerante por parte da CBF não considerar uma exceção, algo que é literalmente uma situação especial, que não vai se repetir e que tinha um motivo justo. Veja, quando a temporada começou, meu maior medo era que os adversários, independente da competição, passassem a encarar a Chapecoense com pena e remorso e nos resumissem apenas ao 'time da tragédia'. Senti que felizmente os times entenderam que, apesar de tudo, a Chape precisa crescer e ser vista como um adversário era, sim, uma parte essencial desse crescimento - mas é evidente que há a memória e a luta pelo legado de quem se foi. A CBF emitir esse veto é uma prova de que a tragédia tanto faz, tanto fez para muita gente. O convite do Benfica foi uma homenagem significativa para a manutenção desse legado. E isso não pertence só à Chape, mas a todos os envolvidos. Será que a CBF já se esqueceu do seu vice-presidente Delfim de Pádua Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense? Achei que faltou a consideração que os demais times tiveram por nós, que o mundo todo teve", sublinha Letícia Sechini, blogueira da Chapecoense no ESPN FC.



Conforme o Blog Glorioso Encarnado relatou na última segunda-feira (12), até se falava em doar toda a renda do jogo à Chapecoense e aos familiares das vítimas e até em entregar o troféu ao Verdão seja lá qual fosse o resultado do amistoso. Nenhuma informação oficial, mas pedidos vindos de adeptos da Águia.


Divulgação
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Com o veto da CBF à vinda da Chapecoense, ainda não se sabe quem vai enfrentar o Benfica na 10ª edição da Eusébio Cup


Além disso, a marca do clube de Chapecó seria expandida mundialmente. E seríamos testemunhas de mais uma atitude solidária em memória às vítimas da tragédia de Medellín, que no final do ano completará seu primeiro aniversário - em 29 de novembro, para ser mais preciso.


Como foi muito bem colocado por Letícia, seguir em frente faz parte da vida; por outro lado, é importante que o legado das 71 pessoas que se foram seja respeitado. O carinho da lembrança também é uma forma de viver. E molda caráter.


O maior clube português e o clube mais carismático do Brasil seriam protagonistas de uma história ímpar que contaríamos para as futuras gerações e acabaria por se perpetuar. No entanto, a CBF mostrou não encarar o futebol como uma arte a qual imita a vida e, pior, não ter um pingo de consideração pelas vítimas do desastre na Colômbia e pelos familiares destas. Uma pena. Quem perde com isso tudo é o esporte o qual tanto amamos.


As respostas aqui compartilhadas e o depoimento da blogueira do time de Condá mostram o crescente desprestígio das entidades máximas do futebol frente aos torcedores. Afinal, elas realmente atendem aos interesses de seus filiados? Elas tratam todos os clubes de maneira profissional, isonômica e justa? Elas ajudam a embelezar o espetáculo que é o futebol?


Lamentamos muito.


Resta-nos pedir desculpas aos nossos irmãos portugueses pelo clima desagradável criado pela Confederação Brasileira de Futebol.


Por outro lado, assim como sempre recordaremos a eterna campeã sul-americana de 2016, jamais esqueceremos o lindo gesto da agremiação mais vitoriosa de Portugal.


Viva o Sport Lisboa e Benfica, viva a Associação Chapecoense de Futebol!