Benfica tetracampeão: nem o esquadrão dos anos 60 conseguiu este feito

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É tetra!


O Sport Lisboa e Benfica é o maior campeão nacional. É o time português com o melhor desempenho na história das competições europeias. Juntando todas as modalidades, é o clube lusitano com mais taças. Mesmo enormes, as Águias nunca estão livres de desafios. Neste sábado, dia 13 de maio de 2017, o SLB escreveu mais um lindo - e, dessa vez, novo - capítulo de sua gloriosa história: o tetracampeonato da Liga, feito que nem o super-time de Eusébio, Mário Coluna, José Águas conseguiu alcançar na época dourada do escrete.


O máximo ao qual o clube havia conseguido chegar foram seis tricampeonatos - contando com a sequência atual, convertida em tetra.


A grandeza de uma agremiação também está nas suas superações. E não haveria melhor palco que o Estádio da Luz para tamanha epopeia. O inédito tetra foi confirmado com um categórico triunfo de 5 a 0 sobre o Vitória de Guimarães, diante de 64.591 adeptos, o maior público da edição 2016/2017 da Primeira Liga. Dois gols de Jonas, um de Cervi, um de Raúl Jiménez e um de Pizzi.


Esperava-se um compromisso difícil, tendo em vista a excelente campanha do Vitória na competição. No entanto, o Benfica o tornou uma mamata. Visou o ataque desde o primeiro segundo de jogo.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

'Habemus tetra': feito inédito do Benfica terá lugar cativo na memória de todos que fazem o clube


Os donos da casa não demoraram a sair na frente. Logo aos 10 minutos, enquanto os vitorianos trocavam passes no campo de defesa, Raúl Jiménez pressionou. Foi a deixa para Fejsa roubar a bola de Rafael Miranda e acionar Jonas, que arriscou para o gol. Douglas espalmou e Cervi aproveitou o rebote. Àquela altura, a torcida gloriosa não sentia somente o cheiro, como também o gosto do 36º título nacional.


Quando os adeptos locais ainda comemoravam o primeiro gol, o 2 a 0 saiu em um lance inusitado. Com 15 minutos marcados no relógio, Ederson percebeu a defesa do Vitória completamente exposta em meio à tentativa mal sucedida de ataque da equipe. E Raúl Jiménez estava livre de marcação na área. O goleiro brasileiro cobrou o tiro de meta rapidamente. A bola sobrou para o mexicano. Ele até dominou mal, mas conseguiu se sobressair: chapelou o goleiro Douglas e completou de cabeça para as redes. Lindo gol. A metáfora de uma conquista a qual, depois de tanto ser sonhada, tornava-se cada vez mais real.


A blitz continuou. A pelota tirou tinta da trave em finalização de Nélson Semedo, aos 28, e Jonas obrigou Douglas a trabalhar, aos 33.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

O presidente Luís Filipe Vieira e o zagueiro Luisão estão no Benfica desde 2003. Com o título conquistado neste sábado (13), a dupla agora tem seis ligas portuguesas no currículo


Já maduro. o terceiro gol se concretizou no minuto 37. Após tabela com Jonas, Pizzi tocou na saída de Douglas.


O placar dilatado e o ambiente festivo na Luz não acomodaram os jogadores, os quais continuaram atormentando a defesa dos Conquistadores. Os comandados de Rui Vitória comprovaram as palavras do técnico na coletiva pré-jogo: ele falara que o clima de "oba-oba" e os preparativos para a festa do título não comprometeram a concentração do elenco para o jogo.


Perto do desfecho da primeira etapa - aos 44 minutos, mais precisamente -, outra roubada de bola de Fejsa - dessa vez, contra Pedrão - resultou em gol. O sérvio tocou para Pizzi, que fez lançamento primoroso para Jonas. O camisa 10 tocou de cobertura e correu para o abraço. Mais um golaço. Insanidade total no território do Sport Lisboa e Benfica. Não existia matemática certa a qual tirasse o grito de "É campeão!" dos benfiquistas.


Reprodução/BTV - Benfica TV
Reprodução/BTV - Benfica TV

Roubadas de bola do volante Fejsa foram determinantes para o triunfo frente ao Vitória de Guimarães


A vitória por 4 a 0 nos primeiros 45 minutos era motivo suficiente para administrar o resultado e jogar para o gasto no segundo tempo... Certo? Errado. O SLB continuou impiedoso. Quando o relógio apontava 10 minutos, Pizzi cobrou falta na lateral e Douglas praticou importante intervenção em cabeçada de Luisão.


Aos 12 minutos. Marega, aquele que queria estragar a festa do SL Benfica para ajudar o FC Porto, clube o qual detém seus direitos federativos, finalizou com perigo e quase fez o gol de honra dos minhotos.


Não tinha jeito. O dia era mesmo da Águia.


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Os brasileiros Luisão e Jonas na festa do título: peças importantes do sólido elenco do Benfica


No minuto 16, Jonas quase marcou outro gol de placa. Encobriu Douglas novamente, mas Pedrão salvou em cima da linha. O brasileiro estava afoito. Sejamos sinceros, os benfiquistas são habituados a essas atuações do camisa 10.


Quatro minutos mais tarde, Marega derrubou Cervi - nesta temporada, só assim mesmo para um portista derrubar um benfiquista - e o árbitro Jorge Sousa apontou a marca da cal. Jonas partiu para a cobrança e deu números finais à peleja: 5 a 0.


Foi cinco, porém poderia ter sido muito mais. Jiménez acertou a trave aos 27, e Salvio desperdiçou boa oportunidade dois minutos depois. Não parou por aí: Douglas ainda evitou mais gols de Jonas, aos 36, e Pizzi, aos 38.


E o Vitória Sport Clube? Parecia que tinha ficado em Guimarães. Atuação irreconhecível.


E Rui Vitória? Duas temporadas no Benfica e dois títulos nacionais. Esteve no jogo do bicampeonato também. Entretanto, como técnico do Vitória de Guimarães, conforme já contamos por aqui.


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Rui Vitória (centro) no Benfica: bicampeão nacional e parte importante do histórico tetracampeonato do clube encarnado


A festa


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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O terceiro goleiro do Benfica, Paulo Lopes, em sua tradicional comemoração com os adeptos


Após a protocolar entrega da taça, o Estádio da Luz foi palco de uma cena clássica: o terceiro goleiro Paulo Lopes, por cima das traves, ergueu o troféu em direção à torcida da casa.


Revelado pela Águia, o experiente arqueiro de 38 anos já passou por Gil Vicente, Barreirense, Estrela da Amadora, Salgueiros, Trofense e Feirense. Retornou ao escrete encarnado de Lisboa em 2012.


E o defensor Eliseu chegou ao gramado numa "motoquinha", vejam só!


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Divulgação/SL Benfica

Motoca de Eliseu foi a atração da festa do título do Benfica


Depois da comemoração no gramado, hora de fazer o tradicional percurso Estádio da Luz-Marquês de Pombal. Na praça, o plantel e os adeptos se confraternizam em um momento de pura êxtase.


Ainda não foram divulgados números oficiais de torcedores presentes (a festa continua rolando!); por outro lado, a estimativa, de acordo com o microblog Benfica Stuff, é de que estejam 200 mil pessoas no Marquês.


Com uma goleada que ficará eternizada na memória de todos os quais fazem o SLB, chegará ao fim - ainda há compromisso com o Boavista no Bessa, na última rodada - mais um campeonato conquistado pelo SLB. Portugal é encarnado pela 36ª vez. Nenhum clube conquistou tanto o país quanto o Benfica.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
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Estima-se que 200 mil pessoas estejam na Praça Marquês de Pombal, em Lisboa, na festa do tetra do Benfica


A taça está em boas mãos, pois os Encarnados foram líderes em 30 das 34 rodadas. Na primeira sequência de quatro títulos consecutivos de sua centenária história, o Sport Lisboa e Benfica transforma o improvável em realidade: um gigante sempre pode crescer mais.


O que o elenco comandado por Rui Vitória fez foi grandioso, e nada - absolutamente nada - apagará tal feito. A história de todos os nomes os quais contribuíram para o peso da camisa encarnada foi honrada.


A partir de agora, o dilema é outro: dá-nos o 37, Benfica!