Benfica: fantasma exterminado aos trancos e barrancos

Quem observou o desempenho do Benfica no clássico frente ao Porto, no sábado retrasado, e no jogo contra o Moreirense, neste domingo, poderia jurar que dois times completamente diferentes entraram em campo. Acredite se quiser, foi o mesmo Benfica, mas com intensidades diferentes. O futebol pragmático o qual atormentou a nação encarnada em compromissos passados voltou à tona em Moreira de Cónegos. O SLB que tomou as rédeas do Clássico jogado na capital portuguesa não compareceu à pequena vila da região de Guimarães.


O fantasma da Taça da Liga foi exterminado, é verdade. O mesmo Moreirense que despachou o Benfica na fase semifinal do certame, lá em janeiro, experimentou o gosto amargo da derrota. E, meses depois da epopeia na competição nacional, vê a zona de rebaixamento mais perto. A vantagem sobre o Nacional da Ilha da Madeira, time que abre a faixa de descenso, agora é de apenas um ponto (21 a 20).


Mas não foi fácil espantar essa assombração.


O primeiro tempo foi sonolento. Por mais que os números tenham apontado a superioridade dos comandados de Rui Vitória na posse de bola, tamanha matemática não refletiu uma disparidade de desempenhos. A forte marcação dos Verdes e Brancos dificultou, e muito, as investidas dos benfiquistas. Não à toa o único gol do jogo saiu na bola parada.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

O apurado faro de gol de "Mitrogolo" foi decisivo para o Glorioso mais uma vez


Aos 42 minutos do primeiro tempo, quando parecia que as equipes iriam aos vestiários carregando um insosso empate sem gols, Pizzi cobrou falta na direita e Mitroglou cabeceou para o fundo das redes. O grego quase não foi acionado no jogo. Mas, quando apareceu, foi cirúrgico.


Na etapa complementar, os donos da casa partiram para o abafa. Não sentiram a pressão da torcida gloriosa, maioria no Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas. No primeiro ataque, Lindelöf salvou em cima da linha.


A entrada de Zivkovic no lugar de Salvio - cuja vaga cativa no time titular é incompreensível - durante o segundo tempo deu mais mobilidade ao meio-campo encarnado. Contudo, faltava aquele passe açucarado ou aquela jogada de efeito no último terço do campo. Os erros da primeira metade da peleja não cessaram.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Não está na hora de colocar Zivkovic nos 11 iniciais, Rui Vitória? Salvio não rende há tempos...


Do outro lado, Ederson fez duas intervenções providenciais. Toda bola do Moreirense na área e toda linha de impedimento feita pela defesa do Benfica eram um "Deus nos acuda".


O que fica registrado na história e na tabela é o resultado. Mas na Sexta-Feira Santa (14), contra o Marítimo, na Luz, será preciso apresentar muito mais do que o futebol jogado neste domingo.


Ainda que a liderança tenha sido retomada - agora, com 68 pontos, mantendo-se a vantagem de um ponto em relação ao vice-líder Porto -, a torcida tem todo o direito de exigir vitórias sem sustos. Atuações ruins devem ser meras eventualidades, não eventos rotineiros. E nenhum benfiquista quer ter o trabalho de secar o rival novamente. É perigoso para o coração.


Que venha a próxima "final".