Benfica não pode continuar dependendo da sorte

A temporada 2016/2017 tem dado muitas dores de cabeça à nação benfiquista, ainda que os Encarnados estejam na liderança da I Liga e tenham chegado ao mata-mata da Uefa Champions League depois de sobreviverem a um grupo complicado.

Sucessivas lesões vêm atormentando o departamento médico do clube: de acordo com o periódico esportivo português O Jogo, o Benfica tem, em média, quatro vezes mais contusões do que os arquirrivais Sporting e Porto. E tantos desfalques influenciam nas atuações da equipe, claramente inferiores às de 2015/2016, embora, na época passada, os jogadores tenham demorado a assimilar a filosofia de jogo do técnico Rui Vitória.


Agora, sumiu o estilo de jogo coletivo que imperou na reta final da temporada passada e fez o time deslanchar a ponto de conquistar o tricampeonato nacional em uma reviravolta épica contra os sportinguistas, que chegaram a beirar 10 pontos de vantagem na liderança. Também vale recordar a última edição da Champions. As vitórias contra o encardido Zenit e as boas atuações contra o poderoso Bayern de Munique no mata-mata foram marcantes. O Benfica se comportou como o time de prestígio que é em nível europeu, respeito conquistado há mais de meio século.


Hoje pragmáticas, as apresentações do escrete encarnado dependem muito de lampejos. Por mais que o alto número de lesões seja determinante para este panorama, não se pode ficar satisfeito com o rendimento apresentado. Quando o time depende de resultados paralelos para alcançar os objetivos traçados, é hora de ligar o sinal de alerta.


Getty Images
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Os Encarnados deixaram escapar uma larga vantagem de 3 a 0 frente ao Besiktas na quinta rodada da fase de grupos da Uefa Champions League


A campanha das Águias na fase de grupos desta Champions League, por exemplo, foi irregular. Somaram oito pontos (duas vitórias, dois empates e duas derrotas), pontuação que nem sempre leva à classificação.


Os comandados de Rui Vitória venceram apenas um time, o lanterna Dynamo Kiev: 2 a 0, na Ucrânia, e 1 a 0, em Portugal. Deixaram escapar de maneira imperdoável duas vitórias contra o Besiktas. Na Luz, venciam por 1 a 0 e sofreram o empate aos 48 minutos do segundo tempo. Em Istambul, abriram 3 a 0 na primeira etapa e cederam a igualdade no marcador após uma queda brusca de ritmo na reta final da partida. E não brigaram em condições de igualdade com o Napoli. Sofreram derrotas de 4 a 2, em solo italiano, e 2 a 1, em território lusitano.

A ida às oitavas de final só foi possível porque o Besiktas, que dependia de suas próprias forças para passar de fase em caso de uma simples derrota do SLB para os napolitanos em Lisboa, conseguiu a proeza de tomar 6 a 0 do já eliminado Dynamo.


Como exemplo mais recente, temos a 26ª jornada do campeonato português. Em mais um daqueles jogos chatos em que o time o qual ataca não encontra espaços na retranca adversária e fica apenas rondando a área dos oponentes, o Benfica não saiu do 0 a 0 com o Paços de Ferreira na Capital do Móvel.


Isabel Cutileiro/SL Benfica
Isabel Cutileiro/SL Benfica

Tropeço na Mata Real quase custou a liderança da I Liga ao Benfica


Restou secar o FC Porto para não perder a liderança... E não é que deu certo? O Vitória de Setúbal saiu atrás no Estádio do Dragão, mas reagiu e arrancou o empate em 1 a 1, com gol de João Carvalho, jogador formado na base benfiquista.


Apesar da combinação de resultados, até então, ser favorável, os Encarnados não podem ficar dependentes delas. Afinal, é muito mais saudável ser competente em seus deveres do que testar o coração com os jogos dos concorrentes, não é? A sorte nem sempre vai dar as caras e, uma hora ou outra, a bola pune.


O próximo compromisso é justamente um caloroso duelo com o FC Porto no Estádio da Luz, no próximo sábado, dia 1º de abril. Resta aos adeptos gloriosos torcer para que a vontade não demonstrada pelos atletas em outros jogos apareça e que o resultado desejado não se torne uma piadinha de Dia da Mentira. Motivação maior que jogar um clássico com ares de final antecipada não deve faltar. Mas ela não pode se restringir aos torcedores. Tem que existir nos jogadores também.