Jupp Heynckes e o legado em risco para salvar um Bayern em chamas

Desde a demissão de Ancelotti até a presente data, a torcida do Bayern passou por vários sentimentos. O primeiro foi de expectativa, afinal, despontou fortemente a possível (e talvez futura) vinda de Julian Nagelsmann. Logo em seguida veio um pouco de frustração, quando ganhou força o nome de Thomas Tuchel. A frustração se transformou em apoio ao ex-Dortmund, quando o próximo cogitado passou a ser Luis Enrique - apesar de campeão de tudo pelo Barcelona, seu perfil não tinha qualquer compatibilidade com o clube.


Depois de tantas especulações, o anúncio oficial finalmente foi feito, e o sentimento, no momento, é de forte euforia. Grande responsável por dar ao Bayern sua primeira e única Tríplice Coroa até então, Jupp Heynckes, de forma até surpreendente, 'pausou' sua aposentadoria para comandar o Gigante da Baviera interinamente até o final da atual temporada.


Getty Images
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Heynckes está de volta! Mas calma...


Sua volta foi desejada fortemente após a primeira temporada de Guardiola no clube, mas é preciso admitir que naquele momento Jupp ainda tinha uma retaguarda que justificasse o pedido: embora lembrasse pouco na forma de jogar, grande parte daqueles atletas ainda o conhecia. Hoje, no entanto, o cenário é completamente diferente: apenas nove dos 28 jogadores que compõem o elenco principal do clube conhecem o modus operandi e rotina do treinador - os demais, apenas a história que fez na Baviera.


O momento também é outro, principalmente pela fase instável da qual o clube vive. Mas isso, por incrível que pareça, não chega a ser um grande problema: em suas três passagens anteriores ele chegou com o ambiente em chamas ou próximo disso. Conseguiu ser campeão em duas - de tudo nesta última. Com certeza este histórico foi preponderante nesta decisão de Hoeness e Rummenigge, que deixaram de lado um nome forte, livre e compatível com o clube (Tuchel).


Divulgação/Borussia Dortmund
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Tuchel, pelo menos por enquanto, não treinará o Bayern


Dado seu grande legado, esse retorno do Heynckes é praticamente uma prova de amor ao clube. O Bayern tem a perder nesta temporada, mas Jupp ainda mais: uma linha tênue separará o treinador das críticas, muito em função de ter vencido tudo em sua então temporada derradeira como treinador. Penso que os torcedores e a mídia precisam entender que hoje vivemos uma circunstância especial. Precisam entender que Heynckes não chega necessariamente para papar todos os títulos, mas sim para botar ordem na casa e apagar as tais chamas do vestiário - além também de preparar o terreno para seu sucessor, que virá já em julho do ano que vem.




Heynckes, portanto, precisa de total blindagem da nossa parte. Evite pensar que este Bayern será campeão de tudo novamente nesta temporada. Claro, há a possibilidade, mas estamos a quilômetros disso, e a ausência de grandes investimentos na última janela de verão, fato tão criticado aqui neste espaço, é a justificativa para esse, digamos, pessimismo. Essa contratação de Jupp foi uma fortíssima medida da diretoria para apaziguar as críticas que a ela são dirigidas, mas, mesmo com este enorme 'presente', elas precisam continuar.


Mesmo sendo capaz de milagres, não há como Heynckes transformar este time do Bayern em uma máquina sem a contrapartida da diretoria. Como dito no último texto, o futebol mundial praticamente ordena fazermos grandes investimentos, por mais que vá contra a política do clube. Precisamos gastar. Já ficamos para trás e não podemos usar o legado de Jupp para maquiar este fato. Blindagem máxima ao legado de nosso 'novo' treinador e forte cobrança em cima da diretoria: estes devem ser os mantras para os próximos meses.


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