Bayern e a perigosa aposta em Lewandowski

A Champions League hoje não é mais uma obsessão, até porque vivemos um momento chave no que se refere ao futuro do clube. É um momento de transição: jovens chegando, mais jovens subindo, aposentadorias e vendas. Isso, entretanto, não quer dizer que nós não queremos vencê-la na próxima temporada. O Bayern, mesmo vivendo um momento essencial na vida de qualquer grande clube, é o atual campeão alemão, tem bom elenco e vem de ótimas campanhas nos últimos anos. É candidato natural ao troféu.


Para atingir os principais objetivos é inegável que precisamos ter uma visão 360º a respeito da nossa situação. Lahm já tem um substituto, Alonso idem, temos concorrência no meio de campo e uma contratação de peso foi realizada. Excelente! Mas não suficiente. Ainda precisamos estar atentos para erros que, lá na frente, possam ser fatais. O momento pós-contratação de James Rodriguez é de empolgação, mas vem disfarçando um potencial futuro problema.


O Bayern, como já cansamos de discutir aqui neste espaço, precisa, sim, de um substituto para Lewandowski. Infelizmente Karl-Heinz Rummenigge, cujas mãos passam todos os especulados e contratados, foi perfeito no sentido de pensar somente nas economias do Bayern. Lewandowski realmente joga 95% dos jogos do clube na temporada, e quando não está em campo dificilmente isso foge de ser por opção técnica. Seu argumento sacramentou o fato de que não virá qualquer atleta para o lugar do polonês, e você pode achar isso ok, já que é o CEO falando e isso bastaria.


Sua argumentação é convincente, consistente, curta e capitalista. Mas não tem qualquer correlação àquela visão panorâmica, essencial, citada acima. A conta é simples: Lewandowski joga 95% dos jogos, mas em 5% é poupado, seja por não viver um bom momento ou estar lesionado. Para ganhar a Champions League não pode errar, e o bicampeão Real Madrid não me deixa mentir. É preciso ter, dentre vários outros fatores não menos importante, um elenco robusto, preparado. É preciso compreender que o momento difícil virá. É preciso pensar nos 5%. 


Getty Images
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Lewandowski: qualidade inquestionável, confiança perigosa


Permitir com que Lewandowski não tenha substituto é gerar uma dependência excessiva em torno de seus bons dias. Não é sempre que eles ocorrem. Permitir com que Lewandowski seja único como referência do Bayern é dar um tiro no escuro nos momentos mais críticos da temporada, onde históricamente temos tido um número elevado de lesionados. Bem menos na última temporada, mas ainda assim isso foi uma realidade. Permitir com que Lewandowski seja o único atacante do Bayern lhe dará um perigoso conforto, um status de alguém intocável.


Sempre defendemos a não existência desse tipo de perfil em qualquer posição do clube, e, de forma contraditória, no ataque a diretoria acaba estimulando esse cenário. Evina tem feito grande pré-temporada, mas colocá-lo para fazer a função é tentar investir em uma nova versão de Julian Green. Evina não é Green, mas fatalmente viverá a realidade do americano em seu pouco tempo no time principal do clube. Queremos isso novamente ou queremos um jovem que cresça respeitando fases, cumprindo etapas, sem ser colocado na fogueira?


Ainda faltam poucos, mas importantes dias de janela de transferência. Sendo bem sincero com você, caro leitor, não acredito que um substituto para o polonês venha neste período - é mais fácil contratarem o já descartado Alexis Sánchez do que isso acontecer. Esperar que a diretoria reconsidere seu pensamento quanto a esta necessidade, no entanto, é algo que precisamos torcer para que ocorra. Lewandowski já se machucou antes do principal momento do Bayern na temporada, antes de pegarmos um trio Messi - Suarez - Neymar inspiradíssimo, e todos lembram quão terrível foi aquele período. Que a gente não dê mais qualquer margem para isso ocorrer novamente.


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