Qual será o próximo passo do Bayern no mercado?

A pergunta que dá título a este texto é feita diariamente pelos torcedores do Bayern que projetam como será o plantel para esta próxima temporada. Quando analisamos posição por posição, teoricamente o problema parece ser apenas na questão de trazer um reserva para Lewandowski, enquanto que os demais setores já estão preenchidos por pelo menos um reserva. Na prática, no entanto, não é bem assim que funciona.


Defendemos neste espaço exatamente o que a torcida tem pedido assim que a última temporada acabou: um plantel nivelado por cima, equilibrado, com boas opções não apenas para o segundo tempo, como também para as fases mais agudas da temporada. Em alguns setores o buraco acaba sendo mais embaixo.


Dois destes setores críticos são as pontas. Considerando Douglas Costa já fora do Bayern, as opções para os lados do campo passam a ser Robben, Ribery, Coman Gnabry. Arjen, portanto, com Coman sendo seu substituto, e Ribery com Serge. O erro crasso parece evidente nesta lógica: se buscamos equilíbrio, não podemos fechar o elenco para a temporada com duas enormes discrepâncias entre titulares e reservas.


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Ancelotti precisa de elenco equilibrado para nos fazer alçar voos mais altos


É bom lembrar também que Ribery nem titular é mais. Na última temporada, como conversamos, a ponta-esquerda foi o setor que mais contou com um revezamento: apenas 21 minutos separaram o francês de Douglas Costa como titulares. Seguindo esta toada, Gnabry, de apenas 21 anos, já viria para o Bayern assumindo a responsabilidade de no mínimo revezar com Franck, que a cada dia que passa tem menos físico para aguentar 70, 80 minutos em campo.


Gnabry tem tudo para ter um grande futuro no Bayern. Joga em qualquer setor do meio de campo, algo que pesa e muito na hora de ser acionado em determinadas circunstâncias. É um atleta que facilmente poderá ser titular um dia, mas desde que antes haja um amadurecimento gradual. É irresponsável colocá-lo para fazer um papel de perfis mais experientes, já que, se falhar, será cobrado como se fosse alguém tarimbado.


O ideal seria colocar Gnabry como substituto de Robben, na ponta-direita. Pelo fato de o holandês melhorar a cada dia que passa e suas lesões, de forma até surpreendente, estarem se tornando cada vez mais esporádicas, o amadurecimento do recém-contrato viria aos poucos, do jeito que deve ser. Sem a pressão do resultado imediato, este amadurecimento de Serge poderia ser ainda mais proveitoso. Outras oportunidades em demais setores do meio de campo também poderiam colaborar para que ele crescesse gradualmente no clube.


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É preciso moldar Gnabry aos poucos


Seguindo esta linha, Coman acabaria sobrando. Quanto mais analisamos o elenco do Bayern e também as ambições no que se referem ao aumento de sua qualidade, mais nos deparamos com o fato de que sua contratação definitiva foi equivocada. Apostar em Coman, como já conversamos, é perigoso e coloca uma carga extra e desnecessária nas costas de Arjen.


É como um quebra-cabeça: caso por alguma razão fiquemos sem o holandês, ele entraria. Sem passar confiança, Gnabry iminentemente assumiria o posto, deixando Ribery, cada vez mais suscetível a lesões, sem retaguarda na ponta-esquerda. Dá calafrios só de imaginar isso acontecendo e Müller sendo acionado na ponta em um momento importante da temporada.


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Robben não pode ficar sobrecarregado na próxima temporada


Outro setor importante é o ataque. Já li por aí algumas especulações de que o Bayern atuaria com dois atacantes na próxima temporada, e, dada a realidade do plantel, isso não passa de uma grande bobagem. Simplesmente não tem como isso acontecer, por dois motivos: i) Lewandowski, intocável, só rende o que sabe sendo ele o único ponto de referência na frente; e ii) só temos o polonês de centroavante. E este último motivo é o que de fato deve ser pensado sobre o setor: um reserva de qualidade para ele.


Futuro capitão do Bayern e melhor do mundo na posição, Neuer já tem Ulreich no banco para surprir suas eventuais e raríssimas baixas. Nas laterais, Kimmich terá Rafinha, enquanto que Alaba terá Bernat dando retaguarda. Hummels e Boateng terão as presenças de Felix Götze e Süle para lhes fazer frente. Na volância, Vidal e Martinez deverão ter Renato Sanches e Rudy como substitutos - e quem sabe até Tolisso, caso a negociação avance. Já nas pontas, por enquanto temos Coman como substituto de Robben e Gnabry como o de Ribery, além de Müller como banco de Thiago. E, fechando o elenco, Lewandowski acaba sendo o único que não tem um reserva.


Restam ao Bayern, portanto, mais dois passos no mercado: trazer mais um ponta-esquerda para elevar o nível deste flanco - e assim não depender de incertezas nas fases mais agudas da temporada; e também um substituto digno para Lewandowski. Embora exista a possibilidade de contratação para algum outro setor, somente estas duas possíveis aquisições são realmente metas, não importando qual será atingida em primeiro.


É o destino do Bayern em 2017/2018 sendo decidido nestes próximos 50 dias de mercado.


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