A aposentadoria de Lahm e o dia que todo torcedor do Bayern queria evitar

Chegou o dia que todo torcedor do Bayern queria evitar. Hoje, 20 de maio de 2017, é quando o capitão Philipp Lahm encerra sua carreira aos 33 anos idade. Acredito que qualquer elogio direcionado ao camisa 21 do Gigante da Baviera seja pouco, bem como qualquer tentativa de ressaltar suas várias conquistas e sua representatividade para o clube, para a Seleção da Alemanha e também para o futebol mundial.


Lahm, o maior lateral-direito da história do Bayern, é bem maior do que tudo isso. Seu 1,70m de altura não o impediu de ser um gigante nesta década tão importante para nós. Década de reafirmação. O capitão representou e liderou, com maestria, uma geração extremamente vencedora. Foi o líder de uma geração, também capitaneada por Oliver Kahn e Mark van Bommel, que devolveu ao Bayern o status de um dos principais gigantes da Europa e recolocou o clube entre os mais poderosos do mundo.


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Líderes de uma vitoriosíssima geração


O sucesso de um clube depende diretamente de um grande líder dentro de campo. Um líder que saiba comemorar com consciência e reerguer após um duro baque. A singularidade de Lahm certamente foi que mais marcou sua trajetória. Sua inteligência, ótimo posicionamento, excepcional visão de jogo e frieza anormal até para um alemão raiz o fizeram ser o melhor lateral-direito do mundo por muitos anos, e um líder inquestionável dentro de sua agremiação. Todos respeitam Lahm pela sua qualidade e mais ainda pela conduta. Graças ao seu respeito e humildade, não há uma alma viva que fale mal ou tenha tido algum atrito com ele, dentro ou fora do Bayern.


É inevitável não ficar triste ao ver alguém tão regular e importante para o clube se aposentar tão cedo. São apenas 33 anos. A escolha, todavia, precisa ser respeitada e respaldada. O Lahm de 2017 não é mais o Lahm de 2013 e, embora isso não seja algo depreciativo, já faz com que o capitão tenha receio de que seu físico o traia em algum momento, a ponto de sua carreira ficar marcada por acontecimentos dos últimos dias, não pelo todo. Isso ele e todos nós queremos evitar.


São 22 anos de Bayern, ou dois terços de sua vida - 21 títulos, quase um por ano ao longo da estadia. São 720 jogos, já contando com a despedida de hoje diante do Freiburg, em casa. E 44.489 minutos no time profissional desde que subiu, em 2001, até a data vigente - excluindo, claro, os dois anos de empréstimo no Stuttgart. Nenhuma expulsão, algo espetacular para qualquer defensor. É muita história, além de enorme identificação com o clube. Com a sua morada.


Se faltou algo? Apenas marcar mais gols. Segundo ele próprio, esta é sua grande frustração na carreira (anotou apenas 16 pelo Bayern). Pouco importa. Mesmo com a sensação de que poderia ficar mais, é impossível não ser eternamente grato. Por tudo. Tenho a mais absoluta certeza de que hoje não é uma despedida, e sim um 'até logo'. Sem muitas expectativas, vamos aguardar pelo que virá pela frente. Obrigado pelos enormes serviços prestados, capitão. E até breve.


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O maior dos grandes momentos. A maior das várias alegrias. Nos vemos em breve, capitão