Bayern eliminado: não há reza que funcione contra uma arbitragem tendenciosa

Mesmo com todas as dificuldades e estatísticas apontando para uma virada improvável, o Bayern fez valer o peso de sua honrosa camisa e fez o impossível: conseguiu marcar 2 a 1 e forçar a prorrogação no Santiago Bernabéu. O que aconteceu nos 30 minutos finais, no entanto, foi algo que se enquadra perfeitamente no crime futebolístico: de forma totalmente escancarada, ridícula e vergonhosa, a arbitragem de Viktor Kassai atravessou o caminho do clube e fez com que nós terminássemos sem a vaga.


A maioria dos torcedores estava bastante pessimista para esta segunda perna da eliminatória e o sentimento de reação, conquistada com um plantel que contou com peças aparentemente recém-recuperadas de lesões, fatalmente fez com que o tombo fosse mais doloroso. Lances capitais decidiram uma eliminatória que parecia perdida, e é por isso que a frustração que o torcedor do Bayern sente agora talvez seja três, quatro vezes maior do que aquele 4 a 0 diante do mesmo Madrid, em Munique.


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Guarde este rosto


Antes que o oportunismo tome conta dos comentários, como foi nas redes sociais, adianto: Vidal foi merecidamente expulso. Foi na bola no ato da expulsão, mas merecia o cartão vermelho pelo que já tinha feito anteriormente. Casemiro, no entanto, também merecia ser retirado de campo ainda na primeira etapa, e, mesmo com duas situações claras para expulsão, ele terminou os 120 minutos em campo e comemorou, lá mesmo, a vaga com o restante da equipe.


Diante de total inconformidade, contei "apenas" cinco erros cruciais que resultaram no não retorno bávaro às semifinais da Champions League. Quando o placar já estava 2 a 1 para nós, o Bayern cresceu e em uma das oportunidades que surgiram naquela circunstância foi registrado erro crasso: Lewandowski, em posição legal e livre diante de Navas, acabou sendo barrado por uma marcação inexistente de impedimento. Já na prorrogação, Robben, em lance totalmente corriqueiro, de jogo, recebeu amarelo por reclamação simples e longe de ser ofensiva. Cartões desestabilizam em qualquer momento da partida e especialmente quando estamos em uma prorrogação.


Mas o erro mais descarado de Kassai foi mesmo o segundo gol do Madrid, marcado por Cristiano Ronaldo. Em posição de claro impedimento, o português marcou aquele tento que acabava de vez com as poucas e abaladas esperanças de conseguirmos uma classificação nos pênaltis. Ainda teve mais um gol do Cristiano que foi irregular - o terceiro, em que estava à frente da linha da bola no passe de Marcelo. Mas a essa altura tudo já estava perdido. Foram vários erros criminosos do árbitro e estes cinco que cito são os capitais, os que fatalmente mudaram a história do jogo. 


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Guarde este nome: Viktor Kassai


É claro que o Bayern foi incompetente em diversos momentos, mas o Madrid também não ficou atrás. Detalhes decidiram a igualdade da eliminatória em circunstâncias normais, e a arbitragem, de forma vergonhosa, sacramentou essa sonhada e suada vaga em prol dos comandados de Zidane. Não tem jeito, torcedor: se com um a menos, fora de casa, já era difícil, diante de um árbitro omisso, desatento e sem convicção era impossível.


Hummels foi incrível e fez grande retorno, assim como Boateng. Neuer foi invariavelmente preciso e Müller, como Douglas Costa, conseguiu entrar bem e dar um belo calor no jogo. Thiago, embora tenha desperdiçado chance claríssima logo no começo da partida, deu estabilidade à equipe de Ancelotti no decorrer dela. E Lewandowski, mesmo sem empolgar, marcou o gol que oxigenou as esperanças do torcedor após o 0 a 0 da primeira etapa.


Tentamos e fizemos por merecer a vaga. O clube está de parabéns, assim como Ancelotti, que ousou e bancou dois recém-recuperados na defesa por 120 minutos. Mostrou que conhece o elenco como poucos. De questionável, apenas a substituição de Lewa - talvez por questões físicas. No geral Carlo foi muito bem. Mas, como dito acima, não há grande feito que supere uma arbitragem tendenciosa e caseira. Todo sofrimento e reza infelizmente foram em vão. Fico triste por Lahm e Alonso, que não terão mais uma oportunidade de voltar a erguer a Orelhuda. A noite ganhava uma épica partida de futebol, até ser manchada pelas atrocidades de Viktor Kassai. Só nos resta lamentar.


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