Quais são as chances do Bayern na decisão contra o Real Madrid?

Começo este texto sendo bem franco e direto com você, leitor: as chances de o Bayern eliminar o Real Madrid nesta terça-feira (18), em pleno Santiago Bernabéu, são mínimas. A imprevisibilidade do riscado, sempre fonte de fé e esperança para os torcedores de todo o mundo, fatalmente diminui quando nos deparamos diante tamanho pragmatismo e retrospecto impecável do time comandado Zidane quando atua em seus domínios.


É traiçoeira a estatística de invencibilidade dos merengues em casa: a derrota para o Celta de Vigo pela Copa do Rei, exatamente três meses atrás, foi um revés isolado e esconde longa e sólida trajetória de triunfos e empates até o último momento de instabilidade. A última derrota, digamos, realmente relevante sofrida pelo time da capital espanhola, foi para o Atlético de Madrid, pelo campeonato espanhol da temporada passada. Placar magro e mínimo, lá no longínquo e 116º aniversário do Bayern - 27 de fevereiro de 2016. Derrota normal e longe de significar uma turbulência.


O Bayern não precisa "apenas" vencer o Madrid, mas sim pelo menos forçar as penalidades. Para isso o placar conquistado pelos colchoneros já não seria suficiente. O triunfo do Celta de três meses atrás, por 2 a 1, se encaixaria nesta conjuntura, mas é aí que se esconde mais uma falsa esperança: neste jogo Zidane mandou uma equipe mista em campo. Parecia pouco preocupado com o resultado - exatamente o oposto do que se espera para amanhã.


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Retrospecto dos comandados de Zidane em Madrid é impressionante


Levando em consideração que o Real Madrid não deixa de marcar pelo menos um gol há exatos 50 jogos, conseguir um placar que credencie o Bayern às penalidades parece ser algo praticamente fora de cogitação. Classificar-se de forma direta, então, soa como algo utópico. Mas vamos lá: a última vez que o Madrid sofreu um placar suficiente para o Bayern foi na goleada para o Barcelona, de 4 a 0, em 21 de novembro de 2015. Mas o técnico era Rafa Benítez. Exceção ao jogo contra o Celta, com Zidane o Real jamais sofreu, em casa, um placar que hoje fosse suficiente ao Bayern.




Você deve estar se perguntando o motivo de este que vos escreve abordar de forma tão contundente o retrospecto dos merengues em seus domínios, e a resposta para esta indagação é bastante simples: há tempos o Bayern não se ajuda quando atua longe de Munique, especialmente quando encara espanhóis. Desde quando Guardiola assumiu o Bayern, em junho de 2013, o clube disputou 18 partidas longe de casa pela Champions League, obtendo oito vitórias, quatro empates e seis derrotas. É um retrospecto bastante irregular e ao mesmo tempo enganoso, já que destas oito vitórias longe de Munique apenas uma ocorreu no mata-mata - foi contra o Arsenal, nas oitavas de final da edição de 2013/2014. Nos outros jogos feitos no exterior desde então, tivemos o péssimo retrospecto de apenas empates e derrotas.


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Como você deve ter percebido, estou extremamente pessimista para o que veremos a partir das 15h45 desta terça. O feeling é exatamente o oposto do que sentia para a partida da semana passada. A lógica aponta para uma eliminação certa e o torcedor pode se prender apenas na confiança no time (por motivos de coração - não razão), e em uma partida perfeita. "Praticamente" perfeita não serve para esta difícil missão: os comandados de Ancelotti, mesmo desfalcados, terão de jogar o possível e o impossível para passar.


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Ancelotti precisará fazer chover para o Bayern se classificar


Lewandowski estará de volta para este jogo e as chances de gols aumentarão bastante - ainda que tenha marcado nos últimos 50 jogos, nos últimos 12 o Real Madrid sofreu gol em 11. Há também a esperança de pelo menos um da dupla Hummels e Boateng jogar, o que ajudaria bastante na tentativa de não ser eliminado com mais uma derrota. Como disse recentemente neste espaço, uma zaga baixa é um prato cheio para o oportunismo de Sergio Ramos. Jogar com Hummels ou jogar com Boateng será jogar com mais dignidade.


Dignidade. Esta é a palavra para o confronto. Como foi contra o Barcelona em 2015 e contra o Atlético de Madrid em 2016. Sinceramente, é frustrante o iminente fato de ser eliminado pela quarta vez consecutiva para um espanhol, mas, acima do retrospecto, precisa vir o que ficará para a história. Ainda que seja um grande campeonato, acho que Lahm e Alonso merecem mais do que terminar com a Bundesliga. Mas a situação praticamente impõe este desfecho um tanto incompleto. Não deixo de acreditar, mas reconheço que só um milagre colocará o Bayern nas semifinais desta atual Champions. E é exatamente para isso que devemos torcer hoje: pelo improvável, pelo que contraria a lógica. Pelo que faz o futebol ser um esporte tão gostoso e apaixonante.


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