Müller não pode jogar contra o Real Madrid

Até um ano atrás, a frase do título deste texto seria motivo concreto para internação do autor. No entanto, muita coisa mudou na temporada 2016/2017 e uma das mudanças negativas sofridas pelo Bayern foi o rendimento cada vez mais fraco de Müller. As atuações apagadas na última Eurocopa pareciam ser algo isolado, mas já eram o suficiente para deixar uma mensagem bem clara: se continuasse daquele jeito, não demoraria muito para Thomas ir para o banco bávaro.


Eu bem que avisei na época, e não deu outra. Sua frequência de jogos caiu bruscamente com Ancelotti e, quando teve oportunidades, em poucas vezes correspondeu. Durante a Eurocopa muitos alegaram que Thomas estava cansado e isso afetava sua performance. O argumento até era válido, mas não tão convincente: em temporadas com mais jogos ele não tinha passado por este problema. Exemplo é 2013/2014, quando o Bayern conquistou dois títulos e caiu nas semifinais da Champions. Pilar daquele time, Müller jogou quase todas as partidas e, posteriormente, ainda teve fôlego para marcar cinco gols e ser campeão da Copa do Mundo aqui no Brasil.


Mesmo descansado nos primeiros meses de 2016/2017, ao longo de toda a temporada o camisa 25 do Bayern não conseguiu decolar. A paciência do torcedor sempre foi muito grande com Thomas, por todo crédito já acumulado, mas uma temporada inteira de muito mais baixos do que altos fatalmente a desgastou de forma sequencial. O primeiro jogo contra o Real Madrid pelas quartas de final da atual Champions, em que fomos derrotados por 2 a 1, foi uma situação da qual precisávamos muito do meia, já que Lewandowski, a grande referência, estava lesionado. Foi uma chance de Müller conseguir algum protagonismo na temporada, mas no final das contas marcou mesmo o término definitivo de qualquer esperança com seu futebol.


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Pelo bem do Bayern e do próprio Müller, bancá-lo contra o Madrid é a solução


O jogo contra o Leverkusen, válido pela Bundesliga, ocorreu neste último sábado (15) e só terminou empatado sem gols por dois fatores: por milagres de Leno e por outras boas chances perdidas. Algumas delas foram desperdiçadas por Müller e, embora não fosse mais algo surpreendente, a partida, que antes era mesmo para cumprir tabela - haja visto o clube estar com a mão na taça e no meio de uma decisão -, acabou dando a certeza de que com Thomas em campo as chances da virada em Madrid serão ainda menores.


Lewandowski deverá estar de volta e é nele onde o torcedor do Bayern deverá depositar as esperanças de gols. Para a bola chegar no polonês, quem deve fazer a função é o ótimo Thiago ou Vidal, com Robben e Ribery nas pontas. Müller, vetado como falso nove e referência, nem como meia centralizado deve atuar. O favoritismo da vaga para as semifinais é gigantesco em prol dos merengues, diria que algo em torno de 90% contra 10% para o Bayern. Oportunidades, por menos numerosas que sejam (e isso já é algo bastante iminente), não podem ser sequer cogitadas de não terminarem em êxitos. Para isso, é triste dizer, mas quem mais perdeu chances ao longo da temporada infelizmente não pode ter uma oportunidade no jogo mais decisivo e importante.


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