Bayern está pronto para encarar qualquer espanhol

O sorteio das quartas de final desta atual Champions League ocorreu nas primeiras horas desta sexta-feira (17) e as bolinhas reservaram o Real Madrid no caminho do Gigante da Baviera. Muitos disseram que esse jogo trata-se de uma final antecipada, o que eu discordo: embora o duelo caiba perfeitamente em uma decisão, é cedo para falar isso e em outras chaves ainda existem também postulantes sérios à Orelhuda.


Comparar retrospectos é uma forma muito mais eficiente de se fazer uma análise sobre um confronto tão distante - o primeiro jogo contra o Real Madrid, na Allianz Arena, ocorrerá apenas no dia 12 de abril. O momento das duas equipes, que juntas somam 16 títulos de Champions League, é bom e indicaria um equilíbrio ainda maior do que o já previsto. Mas, como o próprio nome diz, é apenas momento. As coisas podem estar diferentes em 28 dias e, assim, toda a análise seria invalidada.


O título deste texto passa longe de fazer qualquer uso da soberba ou prepotência. Estamos, como já disse neste espaço anteriormente, presenciando um Bayern que jogo após jogo evolui cada vez mais seu futebol. Um Bayern que vem de excelente retrospecto (olha ele aí), tanto na Bundesliga como na Champions. É uma evolução madura, que demorou para acontecer e hoje é realidade. Hoje o Bayern joga bem, com responsabilidade, ciente das ideias de Ancelotti. É um time que joga com responsabilidade e que não se deixa levar por um bom resultado.


Getty Images
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Ancelotti passa a tranquilidade e confiança necessárias para este grande e duro confronto


É exatamente por isso que afirmo com tranquilidade que o clube está preparado não apenas para encarar o Real Madrid, mas também o Barcelona e o Atlético. Os três espanhóis sobreviventes na Champions atual foram coincidentemente os três algozes do clube nas três últimas edições do torneio, sempre nas semifinais. A evolução que tanto pedíamos com Guardiola ocorreu de forma lenta, e isso se acentuou nas três quedas. Vexame contra o mesmo Madrid, eliminação no primeiro jogo para o Barcelona por causa de um detalhe e a um único gol de carimbar o passaporte para Milão contra o Atlético - jogando melhor, mas ineficiente diante da intransigente defesa colchonera.


O Bayern é muito forte jogando em seus domínios e o retrospecto - só em Champions League - evidencia isso. Desde 2014 o clube não perde na Allianz Arena. Mas, vale lembrar, o jogo será decidido fora. Nesta eliminatória, que certamente é a melhor e mais empolgante da fase atual, não há um favorito. Está aberta e, independentemente do resultado do primeiro jogo, assim estará na Espanha.


É fato que aquele 4 a 0 sofrido em casa, no ano de 2014, ainda não desceu. Foi uma goleada, foi numa Champions League (onde éramos atuais campeões), foi diante de um freguês histórico e foi em casa. Não desce tão facilmente, especialmente para um time gigante como o Bayern. Mas os momentos são outros. O grande responsável por aquela goleada hoje joga no nosso time - o treinador, melhor dizendo. E o principal responsável pelo sofrimento do massacre, veja só, já foi eliminado desta edição ainda nas oitavas de final. Realmente muita coisa mudou.


Desfrutemos desta grande evolução que vem recebendo o futebol do Bayern, torçamos para não termos mais lesionados além de Douglas Costa (cujo diagnóstico ainda é um mistério) e sigamos firme na busca pelo pentacampeonato da Bundesliga. Ainda há chão e muita coisa para fazer antes da primeira partida. Contudo, continuando do jeito que está, uma coisa é certa: não haverá nada a temer.


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