Xabi Alonso: história é maior do que declínio atual

Quem acompanha este espaço sabe que sou suspeito para falar do Xabi Alonso, e não é por uma boa causa. Sua passagem de quase três anos pelo Bayern me motivou a escrever muito mais críticas do que elogios pelos seus desempenhos. Começo impressionante, queda vertiginosa de produção e retrospecto com longa sequência de jogos improdutivos, algo no mínimo irritante e que fatalmente gerou desgaste.


Só que nesta quinta-feira (9), Alonso confirmou que se aposentará do futebol ao término da atual temporada. Aos 35 anos, o volante será o segundo atleta do elenco que escolheu o ano de 2017 para pendurar as chuteiras - o capitão Lahm, aos 33, foi o primeiro a dar a infeliz notícia.

Futebol é muito momento e quem torce pelo Bayern sabe bem demais disso - prova maior é a atual ótima fase, sendo que um mês atrás tudo parecia perdido. Pelos últimos meses, levantaríamos as mãos ao céu agradecendo por esta notícia. Mas seria algo injusto, até egoísta de nossa parte.


Getty Images
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Alonso decidiu parar


A carreira de Alonso passa longe de se resumir aos três anos em que passou no Bayern. Se pensarmos friamente, veremos que sua queda de produção, embora irritante, era algo até natural, tendo em vista que não é mais nenhum jovem. Que lembranças guardaremos de Xabi ao término de 2016/2017? Um Xabi que deixou a desejar? Um Xabi que valeu o investimento? Um Xabi que termina no auge, conquistando todos os títulos possíveis, ou que termina falhando, algo corriqueiro nos últimos tempos?


Estamos todos na torcida para que estas lembranças sejam as melhores possíveis, mas de nossa parte ainda não há como saber. A conjuntura de grandes feitos definitivamente foi muito maior do que o declínio. Xabi liderou grandes equipes do futebol em momentos épicos, em viradas impossíveis.


Xabi liderou junto com Gerrard um Liverpool desacreditado, que perdia para o Milan - de Ancelotti - por 3 a 0 faltando 45 minutos para o término da decisão. Marcou o gol que empatou a decisão e no fim ergueu a Orelhuda. Foi também o comandante do meio de campo do Real Madrid - de Ancelotti - na conquista da tão sonhada La Décima. Esteve presente em dois dos principais momentos do futebol mundial neste século e isso definitivamente não deve ser menosprezado.


Fica agora a torcida para que ele seja novamente um dos protagonistas do terceiro destes momentos - que, por concidência, seria com Ancelotti. Esperar isso de Xabi pode ser bastante improvável e temos plena consciência disso, mas não custa sonhar. E, por ora, também agradecer.


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