Virada? Não contra um Bayern que só evolui

Todo o contexto que envolve a imprevisibilidade do futebol cria uma expectativa muito interessante. Cravei sem medo de errar que o Bayern já estava classificado para as quartas de final da Champions League, independentemente de ter que jogar mais 90 minutos no Emirates Stadium. Ainda houve quem esperasse uma improvável virada para printar e viralizar a produção. O Arsenal abriu o placar e comentários, ainda que tímidos, começaram. Mas... era o Arsenal. Veio o segundo tempo, com ele uma ótima lembrança de 20 dias atrás e a classificação foi garantida com tranquilidade.


Estamos falando de um Bayern que evolui partida após partida. De um Bayern que parece ter assimilado as ideias de Ancelotti e principalmente compreendido suas ambições, sua vontade de vencer na Baviera e seus esforços para atingir a melhor formação. O progresso é real e ocorre no melhor momento da temporada, já em sua etapa derradeira. É bem verdade que a defesa às vezes ainda passa por momentos de turbulência, mas o ataque tem correspondido (e muito). São 18 jogos de invencibilidade desde o vexame frente ao Rostov e mais de 50 gols marcados - sendo 10 só no Arsenal.


Getty Images
Getty Images

Mais um show do Bayern


O Bayern começou este segundo jogo contra os ingleses relaxado, acomodado, com o regulamento nos braços. Com tamanha vantagem conquistada na Alemanha, havia mesmo a necessidade de dar tudo de si e correr o risco de ter alguma baixa? Estamos em março e só temos um desfalque - e este está quase recuperado. Definitivamente era injustificável se esforçar tanto. Com isso, claro, o Arsenal acabou tomando conta do princípio da partida. Normal, nada fora do script. Pressão, gol, mais pressão, Bayern com dificuldades de passar pela marcação adversária. Torcedores bávaros começam a manifestar nervosismo nas redes sociais. Com quatro gols de vantagem? É preciso confiar mais em nossa equipe.


Cabem diversas interpretações no pênalti sofrido pelo Lewandowski. Eu enxerguei a irregularidade, já que estou convencido de que Koscielny foi na jogada mais com o intuito de parar o polonês do que pensando em tirar a bola. A expulsão, no entanto, foi injusta. Que seja: após o pênalti, o volume de jogo aumentou e assim vimos o que estamos acostumados a ver pelo menos nos últimos dez jogos. Organização, toques rápidos de bola e chances criadas em brechas originadas pelo adversário. Robben, em saída ruim de Ospina, virou com tamanha frieza. Douglas, à lá Arjen, ampliou. E Vidal, sempre eficiente e compatível com qualquer formação imposta por Ancelotti, marcou os dois últimos, selando assim mais um 5 a 1 - desta vez no território deles.


Os 45 minutos iniciais de marasmo mostraram uma virtude deste time de Ancelotti: o poder de reação. Esqueça o pênalti, esqueça "roubos" inexistentes. Como na Allianz Arena, o Bayern novamente deu um verdadeiro espetáculo. Um placar agregado de impressionantes 10 a 2 definitivamente não ocorre a qualquer momento, especialmente em um mata-mata de Champions League. Nem o torcedor mais otimista esperava tanta facilidade. Nem o torcedor mais otimista esperava um Bayern tão centrado, agressivo e eficiente. Cada vez mais estamos prontos.


Siga Bruno Secco no Twitter