Precisamos nos preocupar menos com o Arsenal

Antes de a bola rolar para a primeira partida entre Bayern e Arsenal, válida pelas oitavas de final da Champions League, havia uma pilha muito grande. O Bayern, afinal de contas, segue longe de praticar o futebol que é capaz e é esperado por muitos, enquanto que o Arsenal vinha de temporada consistente, sofrendo variação negativa em seu desempenho apenas nas vésperas do jogo.


O torcedor, esperançoso, se baseou neste retrospecto ruim do adversário para crer que teríamos, de fato, uma eliminatória dura e aberta contra os ingleses. Ledo engano. Toda preocupação com o adversário foi em vão. Mesmo com Ancelotti voltando a escalar o Bayern no 4-3-3 e Alonso sendo titular deste primeiro e tão importante jogo, foi um verdadeiro passeio.


Praticamente do começo ao final da partida houve domínio bávaro, salvo raras exceções em que o time inglês conseguiu encaixar um ou outro contra-ataque. Um pouco mais de eficiência da parte do Bayern e teríamos evitado o único gol do Arsenal, anotado após Sanchez perder penalidade - três bávaros foram em cima dele no rebote e nenhum teve capacidade de dar um chutão para afastar o perigo.


Getty Images
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Thiago foi quem comandou o show do Bayern


Em contrapartida, os cinco gols anotados pelo Bayern poderiam ter sido sete, oito, caso Ospina não operasse grandes defesas. Robben abriu o placar com sua tradicional e eficientíssima jogada, carregando no setor direito e cortando para a esquerda. Chutou de fora da área e sem chance para o goleiro: golaço. Lewandowski anotou o segundo após primoroso cruzamento do capitão e quase aposentado Lahm - praticamente jogou a bola na cabeça do polonês. Fica mais um pouco, Philipp!


Thiago Alcântara, em noite bastante inspirada, anotou o terceiro e quarto tentos, além de ter dado assistência no que fechou o marcador. Mostra cada vez mais que não tem o menor interesse em perder a oportunidade de bancar Müller e aproveitar a vaga aberta no onze inicial. Falando em Thomas, foi ele quem marcou o quinto e fechou o placar e a eliminatória. Gol importante por três motivos: acabou com o ímpeto do Arsenal, acabou com qualquer deixa para termos surpresas na Inglaterra e principalmente por sua temporada ser tão ruim. Passando por fase tão difícil, Müller definitivamente não podia perder essa chance de mostrar que ainda pode render algo.


O Bayern, como já disse aqui neste espaço várias vezes, ainda não joga seu melhor futebol. Prova disso são as atuações cada vez mais inconstantes na Bundesliga. Só que, mesmo com todos os nossos problemas, conseguimos fazer partida extremamente tranquila contra o Arsenal. Essa eliminatória tinha tudo para ser emocionante, mas acabou já no jogo de ida. Tenho até minhas dúvidas se o jogo de volta será transmitido. Nos preocupamos à toa. Definitivamente, não há momento de instabilidade que bata de frente com a força da Allianz Arena na Champions League.


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