Bundesliga: uma vantagem que não permite comemorações

Foram necessárias 20 rodadas, mais de um turno, para que o Bayern finalmente conseguisse abrir vantagem na ponta similar à das temporadas passadas. A última rodada foi perfeita não apenas pelo fato de o time da Red Bull ter perdido - o que fez com que garantíssemos sete pontos de gordura na ponta -, mas também por todos os outros cinco subsequentes terminarem suas partidas derrotados.


A sorte sorriu para o lado bávaro. Mas, como já de costume nesta atual edição da Bundesliga, foi um sorriso forçado. Em jogo marcado novamente pela preocupante e agora crítica falta de criatividade, acabaram sendo necessários exatos 90 minutos para conseguir cumprir o que se esperava e vencer o vice-lanterna Ingolstadt por 2 a 0 - Vidal marcou o primeiro e exatamente no lance seguinte, Robben selou o placar.


Apesar de praticar futebol abaixo da média pela enésima vez, não é proibido comemorar este triunfo. Foi extremamente aliviante pela agonia vivida ao longo do jogo, originada pelas chances perdidas, e importante principalmente por dar vantagem considerável na liderança. O torcedor tem que comemorar, mas o clube certamente tem a lamentar. Nesta semana, para quem não sabe, a Champions League volta. E eu, como já disse aqui em outra oportunidade, estou muito preocupado com o que veremos em breve.


Getty Images
Getty Images

Sem sorrisos


Como já destrinchamos muito sobre a forma (ruim) da qual o clube tem jogado, vamos para o panorama apresentado pela Bundesliga daqui para frente. É exatamente esse o principal impeditivo para comemorações dentro do Bayern. A falta de regularidade, somada à dificuldade das próximas rodadas (Hertha Berlin, Hamburgo, Colônia, Frankfurt e Mönchengladbach), tira qualquer insinuação para uma possível zona de conforto - algo bem incomum para quem, a esta altura do campeonato, chegou com uma mão na taça nos últimos quatro anos.


Na Bundesliga, hoje, existem adversários que começam a perder o gás, em ascensão, que já se consolidaram e que sempre são perigosos independentemente da circunstância. Os cinco citados acima se encaixam perfeitamente em todas estas denominações - sendo os dois últimos, na última. Talvez você ache pessimismo se preocupar tanto com o quinteto citado acima, mas nesta temporada em especial o clube tem feito o torcedor pessimista. Não parta para a leiguice absurda de achar que é 'drama': existem, como já cansamos de analisar por aqui, contextos que justificam preocupações.


Claro que as coisas podem ficar mais fáceis para o Bayern caso o Leipzig siga nesta maré de azar que o acomete - são duas derrotas seguidas para quem até cinco rodadas atrás havia perdido apenas uma no campeonato inteiro. Isso, no entanto, não pode servir de muleta para relaxar e muito menos para pensar que o título, aos poucos, cai no nosso colo. Não cai: seguimos jogamos mal e temos tido sorte. Competência mesmo, com todas as engrenagens funcionando, apenas em momentos isolados. Pouquíssimas vezes em determinada conjuntura.


Não tem jeito: enquanto não houver futebol bem praticado, com todas as figuras presentes trabalhando bem em um esquema acertado pelo treinador, a preocupação será constante. Ora porque determinados jogadores não rendem (não me refiro exclusivamente ao Alonso), ora porque o treinador erra a mão na escalação e postura ao longo do jogo. Tem sido uma temporada difícil, que cada vez mais tem deixado a impressão de que comemorações mesmo só serão possíveis já com a taça na mão.


Siga Bruno Secco no Twitter