Messi venceu Buffon, e Valverde começa a vencer a desconfiança da torcida

“Mosquito” é o apelido que Umtiti deu a Dembélé ainda quando jogavam juntos na seleção da França. Se ainda não pegou, logo deve pegar entre os jogadores do Barça também. A comparação com o inseto nasce na aparência, mas também ajuda a explicar a atuação do atacante em sua estreia como titular.


Assim como um mosquito, Dembélé passou bastante tempo sumido, mas a menor de suas aparições já incomodava. Felizmente, o incômodo era apenas para os adversários. Se no segundo tempo ele estava mais errático, ainda sem entender totalmente sua função em campo e sofrendo com o nervosismo, na primeira etapa sua facilidade para passar entre dois ou três adversários por mais de uma vez impressionou.


Com um domínio, o camisa 11 tirou um adversário da jogada e clareou o lance que terminaria no primeiro gol de Messi. Com uma movimentação diagonal que chamou a marcação, ele ajudou a abrir espaço para o argentino chutar e fazer o terceiro gol. Participações sutis, mas importantes. Não é um começo explosivo, mas é um começo com bons sinais do que esperar de Dembélé.


O francês não foi o melhor em campo, e não seria nem se considerássemos só os reforços que jogaram. Isso não diminui a atuação de Dembélé, apenas destaca mais uma partida segura de Semedo. No ataque, a contribuição ainda é discreta, mas na defesa o português já passa uma tranquilidade que a torcida não tinha nessa posição há mais de uma temporada.


Sua velocidade foi importante para proteger a defesa nos contra-ataques. Douglas Costa tentou criar perigo, mas seu espaço foi diminuído pelo camisa 2. Sempre bem posicionado e consciente de sua função tática, Semedo teve outra boa atuação e vai construindo um excelente cartão de visitas para os que questionaram sua contratação.


Como não poderia deixar de ser, Messi foi o melhor da partida. No primeiro gol, uma aula de inteligência: tinha Alba livre pela esquerda, a opção óbvia, mas preferiu segurar a bola tempo suficiente para a passagem do lateral abrir um espaço na defesa e permitir a tabela com Suárez. Finalização no canto, passando por entre as pernas do zagueiro. Enfim, o camisa 10 venceu Buffon, e para ter certeza que o tabu estava acabado, ainda guardou mais um no segundo tempo.


Getty Images
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Buffon enfim teve a honra de tomar um gol de Messi


Se Messi venceu o goleiro italiano, Valverde deu mais um passo para vencer a desconfiança da torcida. Nos últimos 4 jogos, são 4 vitórias, 12 gols feitos e 0 sofridos pelo Barcelona. Conseguir essa sequência com um time forte como a Juventus pelo caminho é um grande reforço para o ânimo dos jogadores e para dar respaldo ao trabalho que o treinador vem fazendo.


A equipe está longe de ser perfeita. No primeiro tempo, sofreu com contra-ataques e chute de longa distância, problemas vistos também na pré-temporada. Colocar Dembélé na ponta direita é bom por deixá-lo em sua posição mais confortável, mas Alba como lateral e ponta ao mesmo tempo está deixando o lado esquerdo desequilibrado.


São problemas de um sistema que ainda está se ajustando, mas já é possível ver alguns méritos do treinador. A pressão para recuperar a bola rapidamente é um avanço enorme em relação à temporada passada. O ímpeto para tirar o sossego de quem está com a bola pode ser visto em Umtiti, que constantemente avança para pressionar o adversário e tentar um desarme ou forçar um passe.


Recuperar a importância do meio de campo é a mudança que mais se destaca até aqui. Iniesta fez uma grande partida, jogando em um espaço mais reduzido e se aproveitando da proximidade de Messi para encontrar formas de infiltrar a defesa da Juve. Rakitic, além do gol, mais uma vez foi bastante participativo na distribuição de jogo, não só dando apoio ao lado direito, quase como um ponta, como acontecia na era Luis Enrique.


O croata deu 76 passes no tempo que esteve em campo, praticamente um passe por minuto. Nos três jogos anteriores, sua média foi de 88 passes por partida. Com Luis Enrique, esse número nunca chegou a 55. Um exemplo claro de que a função do camisa 4 mudou, e suas atuações nos últimos jogos mostram que ele está correspondendo a essas mudanças.


É começo de temporada e nenhuma conclusão pode ser tirada por essas primeiras rodadas dos campeonatos nacionais e europeus. Contudo, para um clube que estava sob desconfiança, uma sequência de vitórias é capaz de mudar o clima entre o elenco e a torcida. O duelo contra a Juventus na temporada passada mostrou muitos dos problemas que o Barcelona tinha. A vitória na estreia da Champions é uma mostra de que o time está no caminho certo.