Muito dinheiro, pouca inteligência: Barça passou vergonha na janela

Finalmente acabou. Depois de mais de dois longos meses de tortura, a janela de transferências se encerrou e o Barcelona enfim tem um elenco fechado. Se houver algum movimento, pode ser a saída de Arda Turan para a Turquia - a janela fica aberta até dia 8 de setembro no país. De resto, Valverde já sabe com quem contará até ao menos janeiro, quando o mercado estará aberto novamente.


Os movimentos mais destacados do Barça foram as chegadas de Deulofeu, Semedo, Paulinho e Dembélé, a venda de Neymar, os empréstimos de Marlon, Samper, Douglas e Munir, além da saída de Mathieu, que teve seu contrato rescindido. Essa lista, contudo, diz pouco sobre o que realmente foi o mercado para o Barcelona: um desastre.


O Barça começou a janela com um objetivo claro: Verratti. Foram algumas semanas de insistência até a diretoria perceber o que todos já sabiam, e desistir da negociação porque o PSG não iria liberar o jogador. O clube francês, daí em diante, foi o protagonista da janela do Barcelona.


Depois de recusar várias investidas por Verratti, o PSG ainda tirou Neymar do Barça, numa transferência inesperada quando a história surgiu, mas que os jogadores já sabiam que iria acontecer desde junho e, segundo José Minguella, um dos responsáveis por trazer Messi para o Barcelona, o presidente do clube sabia da saída do brasileiro desde maio.


A cereja do bolo foi no último dia de transferências, quando o Barça desesperadamente tentou contratar Di María e tomou um não, mesmo em meio ao anúncio de uma investigação da Uefa para avaliar se o PSG infringiu as regras do fair play financeiro. Pensar em contratar o argentino já seria absurdo o suficiente, um jogador que há poucos meses estava mandando a torcida calar a boca no Camp Nou. Como um ato de desespero, a história fica mais absurda ainda.


Quando hackers invadiram os perfis do clube nas redes sociais perto do final de agosto, brincaram ao “anunciar” a contratação de Di María, e depois pediram desculpas pela brincadeira de mau gosto. Isso mostra o tamanho do ridículo que foi cogitar a contratação desse jogador. O símbolo da piada que o Barça foi na janela.


O clube também ficou sem Coutinho, depois de tentar contratá-lo até o último dia possível, mesmo a postura do Liverpool não mudando durante mais de um mês de tentativas. Não havia um plano B, tanto que, ao perceber que a situação não mudaria, a atitude foi fazer uma proposta desesperada por Di María.


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De tanto tentar Coutinho, Barça ficou cego às outras oportunidades


Com tempo e dinheiro para planejar, a diretoria não foi capaz de fazer uma grande contratação sequer para o meio de campo. Paulinho chega contestado, pode dar certo, mas não é a solução de nenhum problema e nem ajuda a rejuvenescer o elenco, algo que deveria ser prioridade. Foi uma demonstração enorme de incompetência dos que comandam o clube.


Semedo foi uma boa contratação, 30 milhões de euros parece um valor muito mais razoável agora, ao fim dessa louca janela, do que quando ele foi contratado, no começo de julho. Deulofeu foi barato pela cláusula de recompra e pode ser útil para compor o elenco; se não for, não será uma grande perda financeira vendê-lo no ano que vem.


Dembélé foi a grande contratação e é um jogador excelente, o cara certo para chegar e reforçar o ataque. Contudo, a negociação por ele também foi vergonhosa. Semanas tentando diminuir o preço até ceder à pedida inicial do Borussia Dortmund, um clube que está anos-luz à frente do Barça em sua capacidade de negociar. O valor de quase 150 milhões de euros provavelmente parecerá muito justo em um ou dois anos, mas ver que o clube colocou mais de 40 desses 150 milhões sob a condição de objetivos fáceis de serem alcançados mostra uma tentativa falha de esconder o real valor da negociação.


Ainda há a incapacidade de vender Arda Turan e Vermaelen (o zagueiro inclusive formará parte do elenco para a próxima temporada, algo impensável há um mês), a desistência de se livrar de André Gomes quando tudo parecia estar certo com o Tottenham e não conseguir boas propostas para vender Munir e Douglas, sendo obrigado a emprestar ambos. O clube também desistiu de contratar Iñigo Martínez para a zaga e Seri para o meio de campo, reforços que adicionariam muito ao plantel e acabaram ficando em segundo plano por causa da obsessão em Coutinho.


É simbólico que no dia do início do processo de voto de censura, para tentar derrubar o presidente Bartomeu, a janela de transferências se encerre de forma tão melancólica. Sem uma grande contratação para o meio de campo e sem uma nova opção para a zaga. Novelas longas que mostraram a incapacidade da diretoria de conseguir negociar com outros grandes clubes.


Muito dinheiro em mãos, pouca inteligência para gastar de acordo com as necessidades do time, e não apenas tentar fazer impacto com nomes de peso em capas de jornal. Se alguém ainda duvidava que o Barcelona é comandado por uma turma de incompetentes, incapazes de gerir um clube desse tamanho, não há demonstração melhor que essa. Resta saber se ao menos essa janela ruim servirá para motivar os sócios a votarem contra a permanência do presidente Bartomeu.


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Que seja o fim da linha para Bartomeu