Saída de Marlon mostra mais uma mentira da diretoria do Barcelona

Em maio, após a final da Copa do Rei, e depois em julho, poucos dias após a renovação de Messi, o presidente Bartomeu parecia estar seguro do que falava: “alguns jogadores do Barça B subirão para o time principal”. Foi, inclusive, pauta aqui no blog. Vários jovens poderiam fazer parte desse “alguns”: Marlon, Palencia e Aleñá eram os favoritos.


Palencia seguirá como capitão do Barça B, talvez aparecendo em algum momento no time principal nas fases iniciais da Copa do Rei. Aleñá fez a pré-temporada com o time principal e, pela qualidade que demonstra, merece mais a vaga na equipe de Valverde do que a maioria dos meio-campistas do plantel. Contudo, seguirá no time B, ocasionalmente sendo chamado para jogos da equipe principal.


Marlon era o que tinha mais chance de ser promovido. Com a saída de Mathieu, a vaga de quarto zagueiro ficou aberta e fazia sentido usar um garoto promissor para cumprir esse papel no time. Entretanto, durante os amistosos nos Estados Unidos, Valverde deu sinais de que não confiava no brasileiro, e isso ficou claro com a manutenção de Vermaelen no elenco e o interesse em Iñigo Martínez, defensor da Real Sociedad.


O empréstimo de Marlon ao Nice oficializa essa posição do treinador, que prefere deixar o zagueiro acumular experiência em outra equipe a dar a ele chances no próprio Barcelona. A decisão seria questionável por si só, mas fica pior quando vemos que a quarta opção para a zaga é Vermaelen, que já deve ter diploma de fisioterapia depois de passar tanto tempo no departamento médico dos clubes onde jogou.


Getty Images
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Vermaelen será a quarta opção para a zaga do Barcelona


Ou seja, o treinador perde a chance de ter no elenco um jovem que foi bem em todas as chances que recebeu com o time principal para manter no plantel um defensor que já estava praticamente descartado por todos e provavelmente nem teria ficado se uma boa proposta tivesse chegado para ele. Marlon não é um jogador formado na base porque chegou direto para o Barça B. Mesmo assim, é uma grande prova de que o Barcelona não dá a mínima prioridade para formar jogadores.


Também é mais uma prova de como é impossível confiar na diretoria do clube, que recentemente reforçou sua função de ser uma metralhadora de mentiras. Só nos últimos dois meses, vimos os diretores cravarem que Neymar seguiria na equipe (mais de um mês depois de ele ter tomado sua decisão de ir ao PSG), vimos o presidente dizer que Messi já havia assinado a renovação (estamos esperando até hoje a assinatura) e, agora, não cumprir o que disse sobre a promoção de jogadores da filial.


Valverde não pode ser deixado de lado, pois também tem culpa. Confiar em Vermaelen é um erro enorme: um bom zagueiro, mas totalmente comprometido pela sua fragilidade física. Mesmo que seja uma solução provisória até a chegada de Mina em janeiro, é metade da temporada com um defensor que não passa confiança. Marlon pode ganhar experiência no Nice e voltar mais preparado para fazer parte do elenco do Barcelona, mas por que não dar a ele a chance de crescer dentro do próprio clube?


Mathieu, com todos seus problemas, disputou 13 jogos (1040 minutos) na temporada passada, contando apenas o Campeonato Espanhol. Marlon, mesmo jovem, se mostrou melhor e mais confiável que o francês. Essas 13 oportunidades que poderiam ser dele, aliadas à convivência com o dia a dia do Barça, formariam uma experiência valiosa ao brasileiro e facilitariam o trabalho de acompanhar seu crescimento.


Reprodução/OGC Nice
Reprodução/OGC Nice

Marlon chega ao Nice, onde jogará ao lado de Dante, também zagueiro brasileiro


O empréstimo não deve ser ruim para ele, especialmente se o estilo de jogo do Nice apresentado na temporada passada for mantido. A equipe treinada por Lucien Favre foi a segunda no ranking de posse de bola e passes certos no Campeonato Francês, atrás apenas do PSG. Marlon pode se encaixar bem nesse time e crescer para voltar ao Barcelona em um ou dois anos. O empréstimo, a princípio, tem um impacto negativo apenas no elenco de Valverde, e não na carreira do brasileiro.


Com a necessidade de renovar o elenco e a loucura do mercado, essa era a janela perfeita para dar chances para garotos do Barça B. Contudo, será mais um ano sem ninguém promovido. Não é falta de qualidade, é falta de oportunidade. Marlon não terá novas chances, enquanto Vermaelen está no elenco. Aleñá seguirá no time B, vendo André Gomes, Arda e Paulinho no time principal.


A narrativa seguirá se repetindo: “La Masia não é mais a mesma”. A geração atual pode não ser tão boa quanto algumas passadas, mas esse não é o problema maior. O Barcelona não é mais o mesmo, essa sim é a realidade. Enquanto o comando, do presidente ao treinador, não mudar de mentalidade, La Masia continuará jogada de canto, sendo lembrada apenas na hora da diretoria exaltar os valores do clube - valores que ela mesma deixa de lado.