Supercopa é a esperança do Barcelona não entrar em uma crise

Geralmente as Supercopas não têm um valor tão grande como título. Em uma temporada completa, elas estão na segunda prateleira de troféus, junto com o Mundial. O primeiro escalão é formado, no caso da Espanha, por La Liga, Copa do Rei e Champions.


Esse ano, ao menos para o Barcelona, a situação é diferente. O título em si, o troféu que vai para a galeria do clube, não tem tanta importância. Vencer o Real Madrid, entretanto, é fundamental para acalmar as águas de um período turbulento na Catalunha.


A diretoria a cada dia é mais questionada, seja pelos problemas judiciais dos últimos anos ou pela prisão de Sandro Rosell, ex-presidente que segue fortemente ligado a todos os principais diretores do Barça.


A saída de Neymar só piorou a situação, enquanto as notícias das dificuldades nas negociações com Coutinho e Dembelé mostram uma tendência que já vemos há algum tempo: o Barcelona parece não ter no mercado a força que um clube de seu escalão deveria ter.


As notícias recentes do iminente anúncio de Paulinho pioram ainda mais a situação. É difícil encontrar algum torcedor que aceite minimamente essa contratação. O clima é de revolta por um reforço caro e desnecessário para a equipe.


Getty Images
Getty Images

Bartomeu é o presidente de uma diretoria que não cansa de prejudicar o Barcelona


O ambiente em torno do Barcelona é péssimo. São incessantes as comparações com o Real Madrid, que recentemente está agindo com um perfil bastante diferente do Barça, fazendo contratações com uma clara perspectiva de manter a equipe forte a longo prazo, e não por apenas um ou dois anos.


É um clima de derrota para o maior rival no mercado, o que gera um peso muito grande nos bastidores. Se essa derrota se estender ao campo, esse peso se tornará desespero, porque a culpa não será dos jogadores, nem do treinador recém-chegado. Tudo está armado para a culpa cair sobre a diretoria.


Uma diretoria desesperada é um problema. Uma diretoria ruim desesperada é um problema ainda maior. Quando essa diretoria ruim e desesperada ainda tem mais de 200 milhões de euros em mãos, o perigo se torna gigantesco. O desespero por contratações de impacto pode fazer com que valores exorbitantes sejam gastos para garantir a chegada de jogadores “pesados” e midiáticos. As finanças do clube podem sofrer muito, e o projeto esportivo pode ser ainda mais prejudicado.


A vitória na Supercopa seria suficiente para ao menos não deixar que todo esse clima se estenda a Valverde e ao elenco. Seria uma prova de que o trabalho do novo treinador está em um bom começo. Já as críticas à diretoria continuariam, mas sem gerar o desespero para contratar logo e “limpar” a imagem com a torcida.


Em um cenário ideal, seria só mais uma Supercopa, um novo treinador mostrando suas novidades táticas e os reforços tentando gerar algum impacto positivo no time. Por incompetência da diretoria, as duas partidas se tornaram a esperança do Barça não entrar em uma crise antes mesmo da temporada começar. Como sempre, a política dentro do clube é a maior vilã do Barcelona.