Por um dia, Chapecó e Barcelona foram cidades vizinhas

A capa do Mundo Deportivo desta terça-feira diz “Deuloney”. Um exagero gigantesco para celebrar o gol e as duas assistências de Deulofeu no Troféu Joan Gamper, após o atacante jogar na posição que Neymar ocupava na equipe. Placar de 5 a 0, uma goleada que, em questões técnicas e táticas do time, serviu apenas para nos indicar qual deve ser o time que entrará em campo no domingo, contra o Real Madrid pela Supercopa da Espanha.


Deulofeu e Vidal titulares, o 4-3-3 mantido, a tática de Valverde mais próxima ao jogo posicional do que vimos com Luis Enrique, isso tudo teria pouco valor em um Gamper. Dessa vez, essas questões ficaram em segundo ou terceiro plano. O troféu é uma festa em que o Barça convida alguém para participar. Dessa vez, foi uma homenagem que Follmann, Neto, Ruschel e 71 outras estrelas eram donas. O Barcelona teve a honra de poder sediar esse momento em sua casa.



Nas últimas semanas falamos muito de números, uma tendência que provavelmente continuará até o final de agosto. São 222 milhões de euros de um lado, 100 milhões de outro, renovações, contratações, saídas, rumores, praticamente um jogo paralelo ao futebol, uma janela de transferências louca, como poucas vezes vimos nos últimos anos.


Entre a novela da saída de Neymar e a novela para contratar seu substituto, um jogo nos faz lembrar de que o futebol é muito mais do que os milhões das últimas semanas e as táticas da pré-temporada. “Não é só futebol,” diz o clichê, repetido tantas vezes que chega a se tornar um mantra da chatice.


Porém, clichê verdadeiro. E pudemos ver no Camp Nou um dos lados mais bonitos do futebol, o lado que aproxima e rompe barreiras. É o lado que colocou uma cidade do sul do Brasil como protagonista em uma das capitais do futebol mundial. Que fez Alan Ruschel trocar camisas com o “baixinho” Messi, ou ainda Jordi Alba ser chapelado por Apodi.



Foi o Troféu Gamper mais importante dos últimos anos, sem dúvida alguma. Mostrou que é possível o gigante e o caçula, a história já feita e a história que ainda está sendo construída estarem lado a lado por um motivo muito maior do que a bola rolando no gramado do Camp Nou.


Entre tantos exemplos ruins que temos no futebol, brigas de torcida e posturas questionáveis de clubes e jogadores, um evento do tamanho deste Troféu Joan Gamper é a lembrança perfeita de que esse esporte serve para unir, e não separar. E que a distância entre Barcelona e Chapecó é muito menor do que pensávamos.


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Chapecó e Barcelona, uma só