Além da vitória: Barcelona jogou bem e se impôs sobre o Real

A última vez que Barcelona e Real Madrid se enfrentaram em um amistoso, em 1991, muitos dos torcedores que acompanharam o jogo de hoje nem eram nascidos. Por isso, foi uma sensação nova ver um jogo entre os dois que não valia absolutamente nada. A vitória por 3 a 2 foi importante, mas mesmo se o placar fosse adverso o impacto não seria tão grande. A forma como a equipe se portou em campo é o principal.


Foram dois gols em menos de dez minutos, chances claríssimas para fazer mais dois ou três gols no primeiro tempo, e mais algumas boas oportunidades na segunda etapa. A defesa sofreu com os mesmos problemas do jogo contra o Manchester United: de um chute de fora da área saiu o primeiro gol do Real Madrid; de um contra-ataque, nasceu o segundo.


Cillessen novamente se destacou. Partida impecável de um dos melhores jogadores do Barça nessa turnê pelos Estados Unidos. Considerando que Stegen voltará de férias nessa semana e precisará recuperar sua forma física e ritmo ideais, é grande a chance do holandês ser titular na Supercopa, contra o próprio Real Madrid, nos dias 12 e 16 de agosto.


Uma dúvida que deve pairar na cabeça de Valverde após esses três amistosos está na lateral direita. Vidal, titular hoje, foi discreto, mas teve bons momentos. Semedo não apareceu muito em seus dois primeiros jogos, mas pareceu estar mais confiante contra o Real Madrid e conseguiu participar de alguns bons lances no ataque. Os treinamentos nas próximas duas semanas decidirão qual dos dois será o titular.


Aleñá e Samper, que também eram jogadores que precisavam se provar na pré-temporada, podem sair satisfeitos dos últimos três amistosos. Os dois mostraram que ainda precisam evoluir, mas que Valverde pode contar com eles. Enquanto Aleñá deve amadurecer no Barça B e ficar à disposição do treinador, Samper precisa melhorar alguns aspectos defensivos, mas merece a oportunidade de continuar no elenco para ser o reserva direto de Busquets.


Getty Images
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Piqué fez o gol da vitória e foi eleito o melhor da partida


Apesar dos destaques individuais, o aspecto tático era o principal ponto a ser observado nesse período nos Estados Unidos. A parte defensiva é onde Valverde terá mais trabalho para equilibrar a equipe, que por vezes perde a agressividade e dá muito espaço para o adversário trabalhar a bola e finalizar. Os contra-ataques também são um problema, o que pode ter relação com uma das qualidades vistas nesses primeiros jogos.


A pressão para recuperar a bola logo após perder a posse é algo que evoluiu brutalmente em apenas três jogos. O Real Madrid teve dificuldade para sair do seu campo de defesa, especialmente no primeiro tempo, e os gols de Messi e Rakitic nasceram de bolas roubadas ainda no campo de ataque do Barcelona.


Se no campo de defesa o Barça peca pela falta de agressividade, na hora de tentar recuperar a bola rapidamente vemos exatamente o contrário acontecer. Dois ou três jogadores cercam quem está com a bola, não deixando o adversário sair com tranquilidade.


Essa pressão não durou o jogo inteiro, o que é compreensível considerando o estágio da pré-temporada, mas foi um bom sinal de que veremos uma peça básica do estilo de jogo do Barcelona voltando a ser protagonista. Contudo, falta o equilíbrio. O ímpeto de recuperar a bola no campo de ataque pode ser um dos responsáveis pelo espaço deixado no campo de defesa.


Claro que vencer o maior rival, mesmo num amistoso, é uma boa sensação, mas melhor ainda é ver que nos três jogos contra adversários fortes o Barça mostrou estar num bom caminho com Valverde. As jogadas estão menos verticais do que com Luis Enrique, os jogadores estão mais próximos uns dos outros e o time, num geral, menos estático, sabendo se movimentar para dar opções de passe para quem está com a bola


Em alguns momentos no primeiro tempo, o ritmo foi mais lento, passes “preguiçosos” de lado como se o jogo estivesse no final e o placar já definido. Pode ser um sintoma da pré-temporada, então ainda é difícil identificar se esse é um problema da forma como Valverde arma a equipe.


De qualquer jeito, são mais sinais positivos do que negativos. Enquanto o mercado do Barcelona não está animador, dentro de campo o time apresentou um futebol melhor do que o esperado. Que essa evolução continue nos próximos meses, e não seja apenas um alarme falso de pré-temporada.