Deulofeu volta ao Barcelona para tentar salvar uma carreira estagnada

Deulofeu está de volta ao Barcelona. Depois de uma temporada irregular, mas mostrando sinais de alguma melhora nos últimos meses, o atacante volta ao clube onde foi formado para tentar convencer o novo treinador de que merece uma vaga no elenco.

O parágrafo acima parece normal, mas mostra um grande problema: ele serve tanto para 2014 quanto para 2017. Deulofeu, então emprestado ao Everton, voltou ao Barça e foi um dos primeiros reforços após a chegada de Luis Enrique. Depois de uma pré-temporada ruim, o atacante acabou sendo emprestado para o Sevilla. Teve uma temporada apagada, foi vendido ao Everton, ficou um ano e meio por lá, foi emprestado ao Milan - onde teve algumas boas atuações - e agora volta ao Barcelona, que pagou 12 milhões de euros e exerceu sua opção de recompra que se encerrava em junho.

O movimento no mercado é muito semelhante à volta de Bojan, em 2013. Outra grande promessa de La Masia que não vingou, o atacante passou um ano na Roma, foi emprestado ao Milan e voltou ao Barça por 13 milhões de euros após sua cláusula de recompra ser acionada. Nesse retorno, ele nem chegou a jogar com a camisa azul-grená. Foi emprestado ao Ajax pois queria uma garantia de minutos em campo, ficou um ano na Holanda e foi vendido para o Stoke City, da Inglaterra.

Três anos e três clubes depois, a carreira de Deulofeu parece não ter mudado. O maior avanço foi ter chegado à seleção principal da Espanha esse ano, mas em todos os clubes em que passou seu futebol ficou praticamente estagnado. Os problemas de hoje são praticamente os mesmos de três anos atrás: é um jogador talentoso, mas que não tem um bom entendimento tático, erra muito na tomada de decisões e mostra uma irregularidade enorme.


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Três anos e pouca evolução: Deulofeu tentará provar seu valor no Barcelona


A decisão de recontratá-lo foi unilateral. O Barça quis exercer o seu direto e não havia como Everton ou o jogador impedir. Contudo, se Valverde não contar com Deulofeu e o clube quiser emprestá-lo para outra equipe, a decisão precisa partir do atacante.


Não há nada que o Barcelona possa fazer. Contratualmente, o clube está forçado a permanecer com o jogador por ao menos uma temporada. E a declaração de Deulofeu após a final da Euro sub-21 deixa sua intenção bem clara: “Está conversado. Este ano ficarei no Barcelona, com certeza.”


Ao mesmo tempo que sua contratação faz sentido, por ser barata - 12 milhões de euros é um valor baixo e que poderia ser quase totalmente recuperado em uma futura venda - e pela posição do atacante, um ponta clássico que chega muito à linha de fundo, do ponto de vista técnico Deulofeu não chegou perto de mostrar um nível suficientemente alto para ser sequer banco do Barcelona.

É um jogador estagnado, preso às suas glórias da base e que em poucos momentos soube mostrar seu talento depois que se tornou um adulto e começou a jogar entre eles. Sua esperança é que Valverde esteja disposto a trabalhar nas falhas que se arrastam por tantos anos e seja capacitado como nenhum outro treinador que trabalhou com Deulofeu até aqui para transformá-lo em um jogador útil para o Barcelona. O rótulo de eterna promessa já está se apagando. Uma passagem ruim pelo Barça serviria para dar de vez a Deulofeu o título de grande fracasso.