Verratti não é o novo Xavi, mas Barça deve fazer de tudo para contratá-lo

Desde o dia 6/6/2015, data do último jogo de Xavi pelo Barcelona, há uma expectativa de que eventualmente o Barcelona irá encontrar seu substituto. Ainda que Rakitic tenha feito um grande trabalho preenchendo a vaga deixada no meio de campo, não é a mesma característica do antigo camisa 6, e por isso ele não é considerado o sucessor que muitos esperam.

É uma busca que não terá fim, porque não existe e nem existirá outro Xavi, um jogador com a mesma visão de jogo, precisão no passe e, principalmente, entendimento do estilo de jogo do Barça. Não há outro Xavi e, por isso, é inútil tratar Verratti como se o italiano fosse a solução que o Barcelona procura para suprir a carência de um dos maiores meio-campistas de sua história.

Contudo, isso não diminui a qualidade do meia italiano e também não esconde o fato de que se o objetivo do Barça é contratar um meio-campista com um perfil mais de organizador, Verratti é a melhor opção. Apesar de ter apenas 24 anos, o jogador do PSG já está entre os melhores da posição e chegaria para ser titular incontestável.

A grande dificuldade é negociar com o PSG, um clube que não precisa vender jogadores para ter dinheiro para investir em seu elenco e não tem planos de se desfazer do seu grande jogador. O interesse do próprio Verratti é o que poderia mudar esse panorama, e nos últimos dias vários jornais da Espanha, França e Itália noticiaram que o jogador já expressou ao clube francês sua vontade de ser transferido.

Está montado o cenário para a maior novela da janela de transferências. O Barça quer uma grande contratação, precisa de um meia que chegue para ser titular e vê em Verratti o mais próximo que pode encontrar de ter alguém parecido com Xavi.


Getty Images
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Verratti deve ser protagonista da grande novela da janela de transferências


O italiano, por sua vez, quer jogar em clube que lhe dê mais chances de vencer títulos maiores, além de se encaixar perfeitamente no estilo do Barcelona. Se tudo ocorrer como está sendo noticiado, serão semanas em que duas partes da negociação tentarão dobrar o PSG e convencer os franceses a aceitarem a oferta.

O preço é uma incógnita, mas não seria menos de 80 milhões de euros, podendo chegar até a 100 milhões. Um valor absurdamente alto criado por um mercado inflacionado, que torna cifras como essas comuns em negociações entre dois grandes clubes. Entretanto, o preço não pode ser um impedimento. Se o Barça possui esse dinheiro para gastar em um jogador, não há por que pensar duas vezes.

Saber fazer contratações que impactem o time sem custar caro, como foi o caso de Umtiti, por exemplo, é uma virtude necessária. Se trata de saber encontrar soluções no mercado e até mesmo se antecipar aos rivais, para evitar uma concorrência que inevitavelmente aumentaria o preço da transferência.

Contudo, quando há um grande jogador que se adequa exatamente ao que o time precisa, o preço deve ficar em segundo plano. O próprio Barcelona tem um grande exemplo recente que se encaixa nesse caso. Suárez custou mais de 80 milhões de euros, mas desde o dia em que vestiu a camisa azul-grená não houve um momento sequer em que esse preço foi lembrado para questionar a contratação do uruguaio. Ele era o jogador que o Barça precisava e seu impacto em campo acabou com qualquer questionamento sobre o dinheiro gasto.

É difícil dizer se Verratti teria o mesmo impacto e sucesso de Luisito, especialmente em um momento de transição de treinador em que é complicado fazer previsões para a próxima temporada do Barcelona, mas ele é, hoje, o jogador que mais se aproxima do perfil que o Barça precisa para o meio de campo.

É o jogador ideal para elevar a qualidade do time e resgatar características que esse setor da equipe perdeu nos últimos anos. Nesse cenário, o preço é o de menos, e o clube deve apostar todas as fichas em tentar convencer o PSG a liberar Verratti para vestir azul e grená na próxima temporada, por mais improvável que isso ainda pareça.