Marlon precisa ser o primeiro reforço do Barcelona para a próxima temporada

Há cerca de 10 meses, Marlon chegava ao Barcelona B como uma contratação questionável e que não agradou grande parte da torcida. Primeiro, pelo “trauma” do último jovem contratado por empréstimo que jogava no Fluminense. Robert Gonçalves chegou em janeiro de 2016 e só fez uma partida pela filial antes de desaparecer no elenco e não ter seu contrato renovado.


O segundo motivo que não agradou a torcida foi a existência de uma cláusula no contrato do zagueiro que obrigou Luis Enrique a levá-lo para a pré-temporada com o time principal, tirando uma vaga que seria de algum defensor que estava na base há mais tempo. Considerando o passado recente com Robert, havia um medo de ser mais uma jogada de empresário, que não ajudaria em nada tanto o time principal quanto o Barça B.


Depois da pré-temporada a situação já era outra. Marlon entrou em campo e os minutos que teve foram suficientes para a torcida perceber que não se tratava de uma furada. Era realmente um jovem com potencial para crescer muito no time. E Luis Enrique pensou da mesma forma, chamando o brasileiro constantemente para treinar com o time principal.


Mesmo que as possibilidades de título na reta final da temporada tenham sido remotas, os últimos dois jogos do Campeonato Espanhol foram decisivos, um tropeço acabaria com as chances até mesmo de um milagre acontecer. Em um daqueles momentos em que nada dá certo, Piqué e Mascherano tiveram problemas e não estavam disponíveis para essas partidas decisivas. A oportunidade caiu no colo de Marlon.


A pressão para um garoto de 21 anos era enorme. Ele havia jogado alguns minutos na Liga dos Campeões, mas durante dois finais de semana foi titular por 90 minutos. Em sua estreia no Campeonato Espanhol, foi impecável e saiu de campo como jogador que deu mais passes. No jogo seguinte, sua estreia no Camp Nou, não apenas repetiu a atuação segura como também fez questão de mostrar sua frieza e habilidade logo nos primeiros toques na bola:




Bom posicionamento, tempo de bola excelente nos desarmes, tranquilidade para sair jogando com a bola dominada. Marlon parece um jogador criado em La Masia, mesmo estando há menos de um ano no clube. Seu empresário garante haver um acordo entre Barcelona e Fluminense para a transferência em definitivo, e agora falta definir qual será seu destino no clube: seguir no time B, ser emprestado ou ser promovido ao time principal.


Essa semana já está sendo noticiado o interesse do Bétis em contar com o brasileiro por empréstimo na próxima temporada. Outros times da primeira divisão espanhola aparecerão daqui em diante. Cabe ao Barça tomar a única decisão correta nesse caso: blindar Marlon das propostas e promovê-lo ao time principal.


Isso passa, claro, por colocar um ponto final na passagem de Mathieu pelo clube, o que é natural depois das lesões e atuações ruins na temporada atual. O francês foi bastante útil em seus dois primeiros anos no Barcelona, mas a idade pesou e seu rendimento foi desastroso nos últimos meses.


O francês foi o zagueiro do Barça que menos jogou no Campeonato Espanhol, somando 1.040 minutos - 12 jogos como titular e 1 como reserva. Esses minutos por si só justificariam a presença de Marlon no elenco. É melhor jogar 12 jogos no Barcelona do que 30 no Bétis, a experiência como jogador do time principal, especialmente na fase de transição com o novo treinador, faria bem para o brasileiro.


Entretanto, com um zagueiro no elenco que já mostra essa qualidade, mesmo que ainda sem estar pronto para jogos grandes, os minutos serão sem dúvida alguma maiores que os recebidos por Mathieu. Não só por sofrer menos com lesões, mas porque descansar as principais opções (Piqué, Umtiti e Mascherano) é muito mais fácil quando o quarto zagueiro é confiável.


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Marlon merece ganhar espaço no time principal


Piqué jogou 2.193 minutos no Campeonato Espanhol, Umtiti jogou 2.133 e Mascherano, 1.917. Entre os três, há um equilíbrio na distribuição de minutos, mas isso não existe mais quando adicionamos Mathieu na equação, já que o francês jogou pouco mais que a metade dos minutos de Mascherano.


Com Marlon, o novo treinador teria uma grande chance de conseguir distribuir melhor esses minutos entre quatro, e não três zagueiros. Mathieu não tem mais espaço no elenco, e não faria sentido contratar alguém para substituí-lo sendo que o brasileiro demonstrou ter totais condições de formar parte do time principal.


Apostar em jogadores que fizeram uma boa temporada no Barça B deveria ser uma das prioridades do próximo treinador do time principal e também ser uma parte fundamental do planejamento da diretoria. E não há oportunidade melhor para promover um jovem do que a existente com Marlon.