Apesar da vitória, faltou equilíbrio ao Barcelona

Tão incrível quanto a capacidade do Valencia de mesmo em seus piores momentos fazer um jogo duro contra os grandes espanhóis é a postura do Barça no segundo tempo. Após Messi fazer o gol que recolocou o time à frente do placar, parecia que o resultado já estava garantido. A definição dos lances passou a ser displicente e imprecisa, fora alguns momentos em que o objetivo parecia ser fazer Neymar marcar um gol.


Se o pé estivesse mais calibrado - principalmente o do camisa 11 - e os jogadores escolhessem chutar em vez de dar mais um passe na cara do gol, a vitória teria sido mais tranquila e por um placar mais elástico. Chances criadas não faltaram, especialmente após a expulsão de Mangala depois de um grande movimento de Suárez para se desmarcar dentro da área.


O uruguaio fez o gol de empate, após uma cobrança de lateral esperta de Neymar. Conseguiu o lance do pênalti convertido por Messi, que também fez o segundo e foi novamente excelente para o time, preenchendo espaços que iam desde a posição mais recuada do meio de campo até a pequena área - liberdade garantida pelo 3-4-3. André Gomes fez valer a lei do ex e fechou o placar ao fazer seu primeiro gol com a camisa azul-grená.



Quem não aparece entre os artilheiros do dia é Neymar. Sexto jogo que o brasileiro faz contra o Valencia e seu gol ainda não saiu. Hoje, foi por culpa sua. Boas chances não faltaram, especialmente uma criada por Messi em um ótimo contra-ataque. Cara a cara com Diego Alves, o camisa 11 não conseguiu ir às redes. Foram 7 finalizações: uma na trave, duas defendidas pelo goleiro e as quatro restantes para fora.


Mesmo assim, o brasileiro dividiu o posto de melhor da partida com Messi. Foram sete passes para finalização (maior índice da partida, à frente de Messi, com 5), dos quais dois se tornaram assistências, contando a cobrança de lateral que resultou no gol de Suárez. No total, foram 70 passes e 56 deles certos, mostrando o tamanho da participação de Neymar no jogo. Ainda sem gols, mas decisivo como de costume na atual temporada.


O que preocupa, além das várias chances perdidas de matar o jogo, é a transição do 3-4-3 ofensivo para o 4-4-2 defensivo. A lentidão nessa mudança deu a chance para o Valencia empatar no último lance do primeiro tempo. Os espaços no lado esquerdo foram bastante explorados pelo adversário durante os 45 minutos iniciais.


Luis Enrique optou por um time sem laterais, com Rakitic fazendo o lado direito sem a bola e Umtiti o esquerdo. O croata foi o que mais sofreu, mostrando que a transição entre as funções de meia e lateral pode não funcionar com ele.


Entrar em campo com Sergi Roberto no meio de campo ajudaria a eliminar esse problema no lado direito, mas o principal é acertar o posicionamento de toda a equipe, para que os adversários não tenham tanto espaço nas transições.


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Messi e Neymar foram os melhores da partida, enquanto a defesa precisa melhorar


Esses problemas precisam ser corrigidos logo, porque o mês de abril não irá perdoar uma atuação defensiva como a de hoje. Duelos contra Sevilla, Juventus e Real Madrid praticamente em sequência serão um grande teste para o 3-4-3, se Luis Enrique continuar apostando no esquema - o treinador afirmou após o jogo que em algum momento da temporada o 4-3-3 irá reaparecer como uma variação tática.


A vitória manteve o Barcelona na luta pelo título e trouxe bons sinais: as inúmeras chances criadas, mesmo antes da expulsão de Mangala; a pressão sem a bola; o posicionamento adiantado do time, com ao menos dois zagueiros bem à frente do meio de campo, empurrando o adversário para a defesa; além da liberdade de Messi para se movimentar por onde quiser. Falta agora o equilíbrio para aproveitar esses pontos fortes sem sofrer tanto sem a bola.