Quem se deu bem (ou mal) com a mudança tática do Barça

A mudança no esquema tático do Barcelona provocou uma inegável melhora no time, ainda que o resultado do último final de semana mostre que há um longo caminho para percorrer. A equipe estava muito previsível e já não conseguia ter boas atuações, algo que começou a mudar após o 3-4-3 se tornar a nova formação de ataque, peça fundamental na virada sobre o PSG e nos três grandes resultados no Campeonato Espanhol que antecederam o jogo da Champions.


Nessa mudança, alguns jogadores ganharam mais protagonismo, enquanto outros perderam espaço. O maior beneficiado até aqui, sem dúvidas, é Rafinha. Com o posicionamento mais centralizado de Messi, o brasileiro se tornou a melhor opção para fazer o lado direito do ataque. Foram quatro titularidades seguidas, contra Atlético de Madrid, Sporting Gijón, Celta e PSG, uma sequência rara para ele, ainda mais contra adversários de peso como Atlético e Paris. Rafinha sempre teve a confiança de Luis Enrique, mas foi só após a mudança de formação que ele conseguiu encontrar um espaço para se firmar no time.


Outro que tem a confiança do treinador e se deu bem com a mudança foi Sergi Roberto. É evidente o desejo de todos do clube de usá-lo mais como meio-campista, algo que deve ser reafirmado com a chegada de um lateral direito na próxima janela de transferência. Enquanto isso, Sergi se tornou importante no 3-4-3 por jogar na função de interior pela direita no meio de campo, enquanto também faz a função de lateral quando o time perde a bola e muda para o 4-4-2. Luis Enrique sempre elogiou a capacidade que o camisa 20 tem de ler o jogo e entender seu posicionamento, e estamos tendo uma prova disso nos últimos jogos.


Messi, citado anteriormente, é outro beneficiado. Com três meias às suas costas e três jogadores à frente, ele tem total liberdade para circular pelo campo sem se preocupar em deixar um espaço vazio na ponta direita, agora ocupada por Rafinha. O camisa 10 pode atuar como meia, ajudando a encontrar espaços e distribuindo o jogo, ou ainda se aproximar de Suárez, jogando praticamente como um atacante centralizado, algo que aconteceu contra o PSG e ajudou a prender a atenção da defesa, liberando mais espaço para Neymar criar perigo. Ganha Messi e ganha a equipe.


Getty Images
Getty Images

Rafinha ganhou espaço ao preencher a vaga de Messi no lado direito do ataque


Ainda que a mudança seja boa para quase todo mundo, nem todos devem ter ficado felizes. Sendo mais específico, Jordi Alba e Digne perderam espaço pela ausência de um lateral esquerdo. Eles podem atuar como titular, porém a presença no ataque não é a mesma. Quando Alba jogou nas últimas partidas, atuou com terceiro zagueiro no 3-4-3 ofensivo, e lateral no 4-4-2 defensivo. Sua presença no ataque só foi maior contra o Deportivo, quando a equipe precisava da vitória a qualquer custo e já não se preocupava mais com a presença de três zagueiros na defesa. O camisa 18 sempre foi uma arma ao lado de Neymar no lado esquerdo, e será interessante ver como será sua adaptação a esse esquema tático.

A variação tática era necessária para o Barcelona melhorar e ter esperança de alcançar grandes feitos na atual temporada. Coletivamente, é uma evolução que já fez bem ao time e pode fazer ainda mais com o passar do tempo. Se ao final da temporada os resultados forem positivos, o 3-4-3 pode ser uma herança de Luis Enrique para o próximo treinador, assim como os quebra-cabeças trazidos pelo esquema para fazer todos os jogadores serem importantes na nova formação.