Barça: os heróis da virada mais improvável da história

É possível argumentar se a virada do Barcelona sobre o PSG foi a maior da história do futebol de elite. A principal concorrente, ao menos na história recente, é a final da Champions de 2005, quando o Liverpool perdia por 3 a 0 para o Milan e buscou o empate, conquistando o título nos pênaltis. Foram dois momentos épicos, e cada torcida irá defender que sua vitória foi a maior de todas.


Contudo, é difícil negar que a virada do Barça foi a mais improvável. É só voltar para o dia 14 de fevereiro, na França. O placar mostrava 4 a 0, mas, se não fosse por Stegen, seria 8. O PSG foi um rolo compressor e deixou o time visitante perdido. Taticamente, não havia comparação entre as duas equipes. Mesmo com a melhora do Barcelona nos últimos três jogos, era completamente improvável que a mudança fosse suficiente para alterar tanto o panorama no jogo de volta.


E, mesmo assim, aqui estamos nós, ainda duvidando que tudo o que vimos ontem foi real. O sufoco do jogo de ida foi devolvido na mesma moeda. A superioridade tática e técnica do Barça foi brutal, assim como a vontade e intensidade da equipe. A pressão nos 10 minutos finais foi absurda: nesse período, o PSG acertou apenas QUATRO passes, sendo que três deles foram a saída de bola após sofrer um gol. Foi um massacre azul-grená.


Uma história como essa precisa de heróis. Muitos deles passarão anônimos por esse dia: preparadores físicos, o psicólogo do time, toda a enorme equipe de Luis Enrique que trabalha para ajudá-lo a planejar uma partida. É impossível não ser injusto com eles, mas todos têm o agradecimento de toda a torcida por fazer parte desse momento. Abaixo, falarei dos heróis que estiveram em campo, e do maestro que os conduziu à batalha.


Luis Enrique


O arquiteto da virada. Cometeu erros que levaram à desvantagem no confronto. Corrigiu seus erros para levar a equipe ao triunfo. Não foi só um grande trabalho tático, foi também uma enorme aula de motivação. Um treinador que fez um time entrar em campo acreditando que poderia fazer o que ninguém havia feito antes. O espírito vencedor é a marca do Barcelona de Luis Enrique.


Rafinha


Renascido com o 3-4-3, deu amplitude ao time jogando pelo lado direito do ataque, foi participativo durante a primeira etapa, em nenhum momento se escondeu da enorme responsabilidade que o jogo carregava. O brasileiro é um dos grandes beneficiados pelas mudanças táticas recentes e mostra todo jogo por que recebe a confiança do treinador.


André Gomes


Enfim o português mostrou o motivo do Barça ter pagago 35 milhões de euros para contar com ele. Entrou em campo aos 84 minutos. Aos 88, Neymar fez o gol de falta. Aos 91, de pênalti. Aos 95, Sergi Roberto fez o milagre. Coincidência? Alguns dirão que sim, mas André Gomes foi o amuleto da sorte para a classificação do Barcelona.


Mascherano


Diminutivo só no apelido. O Jefecito foi gigante mais uma vez, perfeito nos desarmes para impedir que mesmo com as linhas de marcação adiantadas o Barça sofresse com os contra-ataques do PSG. Celebrou como o guerreiro que é, o jogador que não desiste nunca viu sua equipe não desistir e buscar o impossível.


Arda Turan


O turco pouco fez na partida depois que entrou no lugar de Iniesta. Preencheu o lado esquerdo, se aproximando mais de Neymar e atuando mais como ponta em alguns momentos, mas não teve um grande impacto na partida. Contudo, não dá para imaginar o valor dessa vitória para ele. Viver um momento como esse em um clube onde ele desde o primeiro segundo demonstra um enorme orgulho de jogar. É para poucos.


Getty Images
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Uma equipe vencedora


Busquets


De volta ao seu melhor. A posição de pivô depende muito dos outros jogadores, do posicionamento do time. O novo esquema tático aproximou os meias de Busquets, deu a ele mais opções para jogar, e o camisa 5 retribuiu com grandes atuações, tanto na distribuição de jogo quanto na defesa. Partidaça da engrenagem do time.


Suárez


Luisito prometeu que o time brigaria, disse que tudo poderia acontecer em 90 ou 95 minutos. Suas palavras viraram realidade, começando por um gol fundamental no início do jogo que assustou o PSG. Foi o jogador que menos deu passes entre os titulares do Barcelona, mas sua presença lutando até o último segundo valeu mais do que qualquer estatística.


Umtiti


Parece mentira que o francês vive sua primeira temporada no Barça. Não é um zagueiro, é um muro, uma parede que poucos conseguem superar. Calmo com a bola, concentrado e preciso sem ela. Umtiti chegou para ser um zagueiro para o futuro, mas já é um dos grandes da posição.


Iniesta


Não é o mesmo vigor físico de antes, a idade pode cobrar seu preço, mas o camisa 8 foi lá, acreditou no lance, usou o calcanhar para tentar algo e conseguiu. O gol não foi dele, não entra para a estatística, assim como o passe preciso para Neymar no lance do pênalti. Iniesta nunca foi o jogador das estatísticas, sua capacidade de decidir nunca foi mostrada em números. Ontem, o cenário foi o mesmo.


Rakitic


De volta ao time, preenchendo todo o campo. Esse é o jogador que gosto de chamar de “o maior croata da história”. O exemplo de todocampista, o meia que preenche todos os espaços, que cria e defende sem se poupar um segundo sequer nessas tarefas. Não deve demorar muito para que ele renove seu contrato. Depois de ontem, ele não irá pensar duas vezes em abraçar a chance de ficar por muitos anos no Barcelona.


Messi


O camisa 10 não está entre os melhores da partida, ficou preso na enorme marcação francesa na área central do gramado. Mesmo assim, o gênio argentino ficará eternizado nesse jogo por sua comemoração no gol do milagre. Uma celebração para que nunca ninguém esqueça que Messi é, acima de tudo, um grande barcelonista.


Getty Images
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Ídolos


Piqué


Zagueiro, presidente, capitão sem a faixa. Piqué é o símbolo do espírito desse time que sempre acredita e confia em sua própria capacidade. A noite foi de comemoração para ele e pouco importava o treino no dia seguinte. O zagueiro que lidera o ânimo desse time merece celebrar a noite em que ele colheu os frutos de sempre acreditar.


Stegen


Um goleiro que vai pra área, está voltando para seu campo, impede o adversário de pegar a bola e sofre a falta que originou o gol da classificação. Além disso, fez uma defesa espetacular quando Cavani saiu cara a cara com ele logo após o gol do PSG e poderia ter matado a eliminatória. Stegen se cansou de ser o goleiro do futuro do Barcelona, e mostra que já é o melhor jogador que o clube poderia ter para a posição.


Sergi Roberto


Sergi entende de viradas. Foi sob o comando de Lucho que o camisa 20 renasceu e deu uma virada em sua carreira. Desde 2015 ele não marcava um gol, e acabou saindo do banco para entrar para a história do clube. Depois de viver tantas dúvidas sobre seu futuro no Barça, Sergi Roberto escreveu sua história da melhor forma: marcando seu nome na eternidade barcelonista.


Neymar


Dois gols, uma assistência, um pênalti sofrido. Atuação de gala do camisa 11, chamou a responsabilidade para si, foi decisivo e fez seu melhor jogo pelo Barcelona. O brasileiro não está destinado a fazer história no Barcelona. Ele já está fazendo. Jogo após jogo, temporada após temporada, ele mostra o tamanho do erro de quem esperava que ele ficasse eternamente na sombra de Messi. Neymar está no Barça para ser protagonista. Foi isso o que ele foi ontem.