Barça: vitória na raça e Luis Enrique 'estrategista'

Depois da derrota avassaladora diante do PSG e da sofrível vitória no último minuto contra o modesto Leganés no Camp Nou, um abalado Barcelona agonizava por mudanças para reviver na Liga Espanhola e também para que a torcida e o próprio elenco voltassem a acreditar no time.

Pois bem, a primeira mudança e estímulo psicológico já vieram no meio de semana com a derrota do líder Real Madrid para o Valencia e a segunda chegou com as mexidas táticas e de jogadores feitas pelo "estrategista" Luis Enrique.

O contestado treinador culé não aplicou nenhuma inovação, mas mostrou reação ao alterar o sistema de posse de bola para o 3-5-2, promovendo a entrada de Rafinha como volante/meia na posição antes ocupada por André Gomes e com a entrada de Mathieu pelo lado esquerdo da defesa, substituindo Jordi Alba.


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Reflexos positivos da mudança de esquema:

Rafinha: apesar de não ter tanta qualidade de passe, foi combativo, deu maior dinamismo ao time, mais profundidade de campo e mais uma vez mostrou estrela para balançar a rede (por também ter mais característica para entrar na área).

Sergi Roberto: com a mudança do esquema tático, o jovem da base não precisou sofrer tanto como lateral e pode jogar mais solto e mais próximo a sua posição de origem, de meio campista. Além disso, Sergi também pode trocar bastante de posição com Rafinha na parte ofensiva, entre meio e lado de campo, criando mais variações de ataque.

Defesa mais protegida: Apesar do início ruim, em que Stegen teve que salvar o time algumas vezes, senti a defesa mais protegida e menos pressionada com a bola rolando. Além do mais, a estatura subiu, o que ajuda nas bolas aéreas. O gol do Atlético foi total mérito de Godín, que subiu entre Umtiti e Busquets - o erro foi na origem, quando Busquets fez falta boba após enfeitar passe no lugar errado.

Reflexos negativos da mudança de esquema:

Messi: com a mudança o argentino acabou sendo empurrado mais pre frente e também ficou mais centralizado. Isso faz com que o craque pegue menos na bola. Prefiro ver Messi abrindo mais na ala direita e buscando a bola mais atrás. Assim mesmo, o melhor do mundo fez boas jogadas, chutou tres vezes a gol, deixou Suárez cara a cara com o goleiro e marcou o gol da vitória, sendo decisivo como sempre.

Neymar: Sem a presença de Jordi Alba, o brasileiro ficou mais isolado na esquerda e teve que se desdobrar para criar sem ultrapassagens de lateral. Mas nem essa dificuldade fez com que Neymar jogasse mal. Foi uma das principais fontes criativas do time, graças aos seus dribles que quebravam as linhas de defesa.


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De uma maneira geral as mudanças de Luis Enrique foram positivas. Mostraram interesse, cabeça aberta e humildade do treinador em mudar e buscar alternativas. A proposta de jogo ainda foi muito prejudicada pelo péssimo estado do gramado (alto e seco), propositalmente deixado pelo Atlético de Madrid, tornando o jogo muito mais lento e com mais erros de passes. De qualquer maneira, o time teve paciência e raça para penetrar na defesa e conquistar esta espetacular vitória em termos de campeonato. O Barça sai muito fortalecido e agora terá 3 jogos seguidos em casa (Sporting Gijon, Celta e PSG) para reafirmar a confiança, aperfeiçoar esta nova maneira de jogo e, quem sabe, colher os sonhados frutos diante dos franceses, no dia 8 de março.

O mais importante é que houve um chacoalhão, e a explosão de raiva na comemoração dos gols mostra que este conjunto catalão está mais unido, mais focado e mais vivo do que nunca.

Segue a caça e segue o sonho!