Tudo certo na Bahia

O domingo do dia 22 de outubro amanhecia como outro qualquer de primavera na belíssima capital baiana. Saí da cama às 7h da matina e pude apreciar ainda da janela do quarto a bela manhã de sol que se apresentava lá fora. Um verdadeiro convite, sem direito a recusas para sair de casa e curtir as belezas encantadoras que só a terra de Caymmi pode oferecer a nós moradores e a quem nos visita. Estaria tudo perfeito, tudo lindo, tudo normal na Bahia. A não ser por um detalhe: Era dia de BaxVi na Fonte, Pai!!! E um dia como esse, com clássico na dimensão de um BaxVi válido pela Série A do Campeonato Brasileiro e que poderá encaminhar o futuro de cada um dos dois clubes nesta edição do campeonato, nunca será um dia normal como outro qualquer nem para tricolores e nem para rubro-negros. Nesses dias a gente acorda com picos de adrenalina capaz de fazer qualquer escalada ao Monte Everest se tornar uma simples subida na Ladeira da Praça, vindo da Baixa dos Sapateiros até encontrar a Praça Municipal: Quase nada.


E nesse clima diferentão, esqueci tudo que vi pela janela do quarto e adiantei o lado com as obrigações familiares para me liberar o mais cedo possível para me picar para a Fonte. O fato é que eram muitas obrigações e pouco tempo para deixar tudo de boa.


Gazeta Press
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Carpegiani mudou o jogo tricolor e ganha confiança da torcida.


Já no limite do tempo, resolvi ir de metrô, primeiro porque é mais barato do que ir de carro e acaba sobrando um troco a mais pra tomar umas brejas com a rapaziada, nê pai?! Indo de metrô também você encontra a massa e já começa a entrar no clima da torcida. No vagão que entrei, acho que estavam pelo menos metade dos 31 mil tricolores que tinham ingresso já garantido para o clássico. Cheio até a tampa, mas, melhor impossível. O clima do jogo já estava ali: a galera batucando e entoando os nossos gritos de guerra preferidos até chegar a estação do campo da Pólvora. E tome 59 é nosso, e tome hino do Bahia e tome vontade de tomar uma. O fato é que acabei chegando em cima da hora do jogo, o que para um torcedor de arquibancada que se preze não é cenário ideal.


O que a gente quer mesmo em dia de jogo do Baêêa é já acordar em alguma ladeira nos arredores da Fonte, comendo água e saboreando o velho e bom espetinho de gato. Mas dessa vez não foi possível e eu tive que engolir 3 piriquetes (latinhas de cerveja) na fila da revista para adentrar no templo azul, vermelho e branco. Nem lembro se a cerveja tava gelada, nem deu tempo de saborear. Consegui adentrar no estádio a tempo de ouvir o final do hino nacional brasileiro e ouvir o apito que marcava o início do jogo. A cerveja ainda nem tiinha assentado direito. Desta vez fique sozinho no meio da multidão pq eu sou chique e fui para o “Louge”. O meu “louge” foi o Super/Norte, que pra quem freqüenta a Fonte sabe que é um setor do estádio que fica “Louge” paracaralho do campo. Aconselho a quem tem algum grau de miopia jamais assistir ao jogo de lá. Mas, apesar de longe, o Super Norte permite a nós que usamos lentes corretivas de visão, ver o desenho tático do jogo melhor do que quem está assistindo na beira do gramado. E foi de lá que vi a postura do Bahia que já começamos a nos acostumar na era Carpegiani: Um time que propõe o jogo e procura ficar o maior tempo possível coma posse de bola. E a toada do primeiro tempo foi essa, o Bahia com a bola e o seu adversário todo fechado atrás, esperando um vacilo nosso para sair no contra-ataque. E como o Bahia encontrou dificuldades no jogo para furar o bloqueio rubro-negro!


Tínhamos o total domínio do jogo mas não levávamos perigo a meta defendida pelo rubro-negro Caique, tanto que chegamos na frente somente por duas vezes em todo o primeiro tempo: numa cabeçada fraca de Zé Rafael, defendida sem maiores problemas pelo goleiro rubro-negro, e, no lance seguinte e de maior perigo, numa bela metida de bola de Renê Junior a redonda chegou para Mendonza e o nosso “Speed” apesar de ter vacilado no primeiro domínio, ainda chegou bem na frente e obrigou o goleiro Caique a fazer uma defesa difícil, espalmando para escanteio. Do Lado rubro-negro, acuado no seu campo, chegou somente em uma oportunidade num contra-ataque proporcionado por um erro de passe no ataque tricolor. David invadiu pela esquerda e bateu forte. A bola beijou as redes pelo lado de fora. Final de um primeiro tempo em que o Bahia dominou plenamente o adversário, mas não o agrediu.
Pausa para, agora sim saborear uma breja gelada e baixar um pouco a adrenalina da chegada.


O Segundo tempo já começou do jeito que o torcedor tricolor sonhava. No primeiro lance de ataque do Bahia, uma bola metida por Zé Rafael para Edgar Junio, o zagueiro Wallace cortou mau e ela sobrou com mamão, açúcar e afeto no pé esquerdo de “Speed” Mendonza que, sem dó nem piedade tocou no canto direito de caíque para fazer 1x0 Bahia e levar a galera a loucura.
Esse gol do Bahia no início do segundo tempo abriu um novo parêntese no jogo, porque desmontou o esquema defensivo de Mancini e o Vitória começou a sair mais para o ataque. A estratégia de desafogo dos rubro-negros passava pelo lado esquerdo de ataque deles, fazendo “um dois” no nosso lateral Eduardo. Por ali foram surgindo às melhores chances rubro-negras na partida. Na primeira delas, um cruzamento na área, Jean afasta com um tampa e Mateus Reis desafoga. Logo depois o rubro-negro, que já havia feito as suas três alterações permitidas no jogo, assustou mais uma vez com Trellez, que ganhou na corrida para Fonseca e tocou na saída de Jean. Para meu alívio e alívio dos outros mais de 31 mil tricolores, a bola cruzou toda extensão da pequena área e saiu pelo fundo. Percebendo as investidas do adversário por aquele lado do campo, Carpegiani tirou o sumido Allione e colocou em campo o zagueiro Thiago Martins para ajudar Eduardo na marcação do nosso lado direito. Em mais um lance pela esquerda depois da zaga tirar mau, Daivid experimenta de fora e acerta o poste direito de Jean. Carpegiani já tinha feito outras duas mudanças no time: entraram Regis e Mateus Salles nos lugares dos já cansados Mendonza e Zé Rafael e o Bahia voltou pro jogo. Numa boa descida tricolor, após passe de cabeça de Edson, Eduardo espera a caída da bola e de bate pronto obriga Caique a fazer grande defesa, mandando para escanteio.


Gazeta Press
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Destaque da partida, Mendoza tem noite inspirada.


De tanto insistir, o rubro negro chega ao empate. Em mais uma investida pela esquerda a bola sai em escanteio. Na cobrança, a zaga do Bahia vacila, Lucas Fonseca raspa de cabeça e não afasta, a bola bate em Renê Junior e sobra para Wallace empatar. A redonda passou pererecando por baixo de Jean e morreu no fundos da rede tricolor. Um banho de água fria na torcida. Confesso que naquele momento comecei a temer pelo pior. O empate já seria um desastre, imaginar uma virada rubro negra então, me dava náuseas. Naquele momento, o Vitória tinha um time cheio de atacantes e, pensando no histórico recente deles fora de casa, deu pra temer o pior. Mas aqui é Bahia, viu pai!
Coube a Regis, que havia entrado em campo minutos atrás, botar fogo no jogo pelo nosso lado. Aos 42 min do segundo tempo, o camisa 20 tricolor pegou a bola ainda na sua intermediária e numa puxada rápida de contra-ataque, avançou, passou como quis por dois marcadores adversários e tocou com estilo para Edgar Junio que ajeitou e bateu, obrigando caíque a ceder o escanteio. E quem com escanteio fere, com escanteio será ferido, pai! É a lei. Na cobrança, o próprio Régis mandou na área, Edson desviou de cabeça no meio e coube a Edgar Junio entrar como uma flecha por trás da zaga rubro-negra e decretar a festa tricolor na Fonte. Bahia 2x1 no Vitória.

Ainda houve tempo para uma suposta injúria racial de Trelles para com Renê Junior, coisa feita e sem sentido algum em nosso tempo, mas nada que tirasse o brilho de mais um triunfo tricolor. Triunfo esse muito comemorado por nós, porque serviu para nos manter ali no meio da tabela, sem muitas proximidades com a turma de baixo e para, de quebra, afundar o rival na zona da degola.


Agora sim, um domingo como outro qualquer na abençoada terra de São Salvador da Bahia. Tudo certo na Bahia, pai!!
BBMP!!!

Abraao Nego
Embaixada Frevo Tricolor
Twitter: @Abraao_FNeto