A lição dos 365 dias de Claudinei Oliveira no comando do Avaí

Quando conto aos meus colegas sobre a experiência de ver um jogo na Ressacada, vejo pouca empolgação da parte deles. Depois, como de costume, aquela pergunta: “Acho que cai. Você não acha?” Não acho. Mesmo quando desanimo, não acho. Afinal, jogo após jogo, vejo o time criar oportunidades e, por variados motivos, quase sempre deixa os pontos escaparem. Na beira do campo, Claudinei nunca está satisfeito. Ele não esconde isso e nem é mascarado a ponto de dizer que está tudo bem.


Aliás, esse treinador sempre fala de pés no chão e identidade da equipe, sabendo que não é a melhor quando ganha, nem a pior quando perde. Tanto para quem torce quanto para o comandante, a situação não é confortável e o tal “será que cai” não sai de nossas cabeças. Apesar de tudo, a lição que fica é a honestidade dos jogadores, técnico e diretoria. Mesmo nos momentos de crise, recebendo fortes críticas (eu me incluo nisso), eles mantiveram a postura, abriram o peito e absorveram tudo com maturidade.


Em 2016, o treinador chegou e levou o Avaí das últimas colocações para o vice-campeonato da Série B. Na época, a missão parecia impossível, assim como a situação atual também parece. Quando afirmei que os primeiros nove pontos do returno seriam os mais importantes, me referi aos confrontos diretos e também a um paralelo histórico. Se no ano passado conseguimos, neste ano também vamos conseguir. Traçar um paralelo entre as temporadas é importante, pois nos dá esperança de algo que já aconteceu com sucesso.


Leandro Boeira/Avaí FC
Leandro Boeira/Avaí FC

Presidente Battistotti bancou Claudinei e é o responsável pela postura da diretoria


De acordo com o próprio treinador, quando perdeu por 5 a 0 para o Atlético Paranaense, a diretoria disse que ele precisava esfriar a cabeça e não tomar atitudes precipitadas. Logo depois, alguns jogadores fizeram uma “rodinha” com ele e disseram que, independente do resultado final, todos estavam fechados com ele até o fim de 2017. Quer lição melhor do que essa?


A vida não é como cinema, que, sempre quando alguém tem um surto de humildade, esse personagem automaticamente se redime e vence a batalha, jogo, corrida, seja lá qual for a trama. Muito pelo contrário, na vida real, mesmo sendo um “bom garoto”, você pode perder. Mesmo o Avaí sendo um local de paz e familiar, excelente para se trabalhar, o time pode cair.


Nossa torcida é que essa sintonia criada ao longo dos 365 dias de Claudinei seja o fator extra campo que nos ajude a permanecer na primeira divisão. Assim sendo, mostraremos ao Brasil que Avaí é um clube diferente dos demais, e não chamá-lo de time grande é um erro.