Três pontos escorrem das mãos avaianas como as areias do tempo

O roteiro não era o mesmo, porém a partida foi muito parecida. Refiro-me ao histórico Avaí e Flamengo, do primeiro turno. Muitos fantasmas daquele empate por 1 a 1 nos assombraram contra o São Paulo, que é adversário direto na luta contra o rebaixamento. Claro que tivemos outros jogos, em casa, que não resultaram em três pontos, mas há algo de particular neste último, assim como houve contra o Flamengo.


Para refrescar a memória, contra o Flamengo, o Avaí jogou quase que de forma impecável. Não criou tanto, mas conseguiu um gol com Rômulo e depois teve um pênalti marcado e anulado, em seguida. O Flamengo achou um gol com Damião. Aquele 1 a 1 marcou o começo de um bom momento do Avaí, que logo passou.


Contra o São Paulo, o jogo estava muito parecido. Não estava difícil. O tempo também ajudou, já que o tricolor não soube jogar com vento sul batendo na cara. Infelizmente, pior foi o pouco criativo ataque avaiano. Por outro lado, lá atrás, Douglas operava algumas defesas importantes e os demais defensores também faziam um bom trabalho.


Quando o Avaí sofreu o pênalti, o primeiro a nosso favor que não foi anulado, a Ressacada tremeu. Do apito do árbitro ao balançar das redes, a torcida ficou em um tom só, comemorando o feito inédito. Todavia, bastou sair nosso gol que o fantasma começou a assombrar.


Eduardo Valente/Gazeta Press
Eduardo Valente/Gazeta Press

Parecia que o profeta Hernanes estava prevendo o pênalti a seu favor


Dois minutos depois, ainda extasiado pelo gol, Júnior Dutra saiu cara a cara com Sidão, em uma falha na saída de bola tricolor. Os poucos segundos significaram uma eternidade para os torcedores. Como vi o lance de lado, não percebi que a bola ia para fora. O grito de gol travou na garganta. Esse grito não saiu. A torcida se calou. Foi-se a chance de matar o jogo.


Assim como a areia escorre em uma ampulheta, o tempo passou e os três pontos se foram quando o São Paulo conseguiu uma conversão de pênalti, dos pés de Hernanes. Ficamos de mãos estendidas, segurando os últimos grãos, para pontuar o mínimo que o campeonato permite.


Novamente, vamos dormir com apenas um ponto somado, amargando a implacável zona de rebaixamento. Dos nove pontos mais importantes do returno, que citei na semana passada, conquistamos quatro. Domingo que vem, seguimos para concluir sete, em nossa última batalha contra a Chapecoense, em 2017.