Claudinei há 11 meses no Avaí é um sinal da permanência na elite

Eu bato os olhos na tabela do Brasileiro e vejo o grande número de times que já trocaram de treinadores. Alguns, em vão, caso do Vitória e Atlético Goianiense, que mudaram duas vezes em 15 rodadas de campeonato e nada, efetivamente, mudou. Prestes a escapar da zona de rebaixamento, deparo-me com meu Avaí, do Claudinei dos Santos Oliveira.


Claudinei chegou na Ilha em agosto de 2016 e completa 11 meses de Avaí no domingo, dia 30. Desde então, ele comandou 58 jogos, sendo 28 vitórias, 15 empates e 15 derrotas. Na lateral do campo, ele conduziu o time ao vice-campeonato Brasileiro da série B, ano passado, e tem liderado o Leão na luta contra o rebaixamento, em 2017.


Neste mesmo espaço, já cravei que ele não aguentaria 10 rodadas de resultados ruins. Errei, porém explico. Eu me baseei no que é praxe do futebol brasileiro, que demite técnicos como se fossem estagiários. Também por aqui, defendi a permanência dele, pois acredito que o trabalho realizado tem sentido, apesar que houve falhas no processo. A diretoria faz um bom trabalho ao se fechar com o projeto e acreditar que esse mentor vai segurar o Avaí na elite brasileira.


Eduardo Valente/Gazeta Press
Eduardo Valente/Gazeta Press

Claudinei, guerreiro sobrevivente da parte de baixo da tabela


Nas coletivas, sempre vimos um aspecto realista do Claudinei. Obviamente, ele “passa um pano” quando algum atleta falha, mas sempre exalta os que sucedem e explica motivações dos bastidores. No último domingo, por exemplo, ele explicou que Júnior Dutra aceitou receber menos para jogar no Avaí. O atleta seria um típico 9, mas dada a necessidade de um meia-atacante veloz, Dutra topou, numa boa, jogar pela meia esquerda e direita.


Campeonato de pontos corridos é cruel. O merecimento não existe. O que existe é quem faz mais pontos e aproveita as melhores chances. Todavia, esse Avaí merece ficar na elite. Estamos tentando, com todas as dificuldades que aparecem, mantermo-nos na primeira divisão com o mesmo técnico do começo ao fim.


Sim, ele tem jogadores favoritos que não se encaixaram no elenco ou fizeram lambanças que comprometeram a equipe. Não se esqueça, porém, que todo treinador tem dessas e mudar agora ou ter mudado antes não faria diferença. Continuaríamos vendo nomes desconhecidos do público, mas “parças” dos treinadores para qualquer situação.


Claudinei achou um time ideal e uma formação que gera pontos. Deixe que os secadores do Estreito nos chamem de retranqueiros ou time do chutão. Se esse é o jeito que encontramos de nos mantermos na primeira divisão, então que assim seja.


Tenho orgulho de ver uma diretoria corajosa, assim como tenho orgulho em ver os atletas se dedicando ao máximo em campo. Esses fatores alinhados me motivam a seguir acreditando na permanência do Avaí na série A.


Um ano com o mesmo treinador é coisa de time grande, meu querido.