Avaí: vencemos a partida, mas engolimos o regulamento a seco

Pensei bastante sobre as declarações polêmicas e fatores extracampo que rodearam a final do Catarinense. Decido não falar sobre isso, principalmente, por respeito a profissionais de imprensa que, por algum motivo, passaram a vestir verde indiscriminadamente.

Desde a definição dos finalistas dessa edição do estadual, a torcida azurra sabia que precisava jogar contra a Chapecoense, o resto dos fãs espalhados pelo Brasil e, principalmente, o regulamento. Mais que os gols perdidos, árbitros confusos e a sorte do nosso goleiro, os papéis da federação, assinados por todos os clubes, tiraram o título do Avaí.

O um a zero não foi suficiente. Precisávamos que aquele “cara-a-cara” do Marquinhos tivesse sido gol, no minuto final do primeiro tempo. Faltou Capa na parte esquerda do campo. E aqueles centímetros, em um lance do Rômulo? O rebote seria gol nosso. Por outro lado, sobrou sorte para Kozlinski, que não deixava passar nem pensamento. Júnior Dutra esbanjou vontade, correu em todas as bolas possíveis e provou para nós o quanto ele vai lutar pela azurra no decorrer do ano.


Guilherme Hahn/Gazeta Press
Guilherme Hahn/Gazeta Press

De olho nele: Alemão venceu todas as disputas de bola nessa partida


Alemão e Betão também sobraram. Não tinha bola perdida. Em certos lances, a estética da técnica ficava de lado e dava lugar a um carrinho rasgado que tirava o perigo da meta avaiana. Fagner, o tal Alemão, foi de zagueiro improvisado a titular definitivo. De longe, ele é um dos destaques desse campeonato. Sobrou Luan na “volância”. Caramba, que homem! Leandro Silva, então. Esse precisava mostrar trabalho. Além de segurar o avanço de Reinaldo, marcou o gol da vitória. Nenhum torcedor pode falar que esse time não tem raça. Isso foi o que mais sobrou. Vamos precisar muito desse espírito para enfrentar os adversários de maior orçamento, no decorrer da Série A.

O Avaí encerra o ato final do estadual triste por não trazer a taça para a Ilha, porém, nós temos uma esperança que só quem veste azul e branco, nesta capital, pode sentir. Afinal, recebemos o Vitória, semana que vem, pela primeira divisão do Brasileirão. Estar na elite, caro torcedor, silencia qualquer barulho que venha do Estreito.


Seja bem-vinda, Série A.