Kozlinski: de coadjuvante a protagonista

Alguns filmes são tão memoráveis pelo fato de o roteiro te levar para um lado e outro, prender a atenção o tempo todo e, no final, uma virada ou revelação que muda tudo. Talvez esse fosse um pretexto para falar de um gol nos acréscimos, mas, na verdade, quero mostrar como Maurício Kozlinski foi de coadjuvante a personagem principal dessa virada de roteiro no clássico entre Avaí e Figueirense.


Clássico não tem lógica, mas eu gosto de números. Por isso, estava certo que Denilson marcaria um ou dois, talvez o Avaí até levasse um gol, mas no fim sairia campeão do primeiro turno, contra o maior rival, com um resultado "padrão" e magro. Esse não era o roteiro. Quis o diretor que o jogo acabasse em empate.


Eduardo Valente/Gazeta Press
Eduardo Valente/Gazeta Press

Goleiro Maurício Kozlinski foi melhor jogador do Avaí contra o Figueirense


Kozlinski, goleiro que critiquei por aqui no mês passado, mas também elogiei esses dias, assumiu o papel principal do espetáculo com 11 mil pessoas na plateia. Estávamos certo de que Douglas chegaria na Ilha para ser titular, mas não tem como. O roteiro virou e a nossa surpresa é a segurança do camisa 1 - agora, titular absoluto. 


Bill, pseudo-craque do Figueirense, cabeceou "cara-a-cara", como narrava o saudoso Deva, e Kozlinski espalmou com segurança. Depois, Ferrugem, volante, entrou e já chutou com muito perigo, mas Maurício fez outra defesa iluminada. Infelizmente, o ataque avaiano não teve criatividade, mas defesa, seguramente, parou o rival, que provavelmente fez sua melhor apresentação até o momento.


Nem os cartões amarelos para a zaga toda, nem a encenação rídicula entre Betão e Bill. O melhor ato desse clássico foi a ascenção de Kozlinski.