O Atlético-PR não tem a menor fé em si

Foram dez dias de intervalo entre os jogos contra Atlético-MG e Atlético-GO. Dez dias sem partidas, sem viagens. E hoje, contra o São Paulo, Fabiano Soares poupou diversos jogadores alegando desgaste. Jogadores que inegavelmente fariam a diferença, e assim foi quando entraram. Ou seja: seguindo essa lógica, temos o pior departamento médico, os piores treinamentos e a pior estrutura do Brasil. Sem sequência alguma de partidas, todos apareceram cansados. Rodízio tolo.


Para o duelo no Morumbi, Nicolas voltou a aparecer na lateral-esquerda, Sidcley compôs o meio e Pablo, na pior fase de sua carreira, apareceu aberto na direita. Nikão e Gedoz no banco. No ataque, Douglas Coutinho ganhou uma oportunidade fora de sua posição, o que, mesmo que seja estranho, é compreensível: não temos centroavante em 2017.


O primeiro tempo do Furacão foi apenas funcional. O pedido de Fabiano Soares, no meio da etapa inicial, para que Guilherme tentasse simplesmente manter a bola no campo ofensivo, resume bem a situação. Os mandantes foram progressivamente tomando o domínio das ações, mesmo sem muito brilhantismo. O que não impediu alguns sustos, vindos principalmente de Hernanes e Marcos Guilherme.


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Guilherme não vem repetindo o bom nível de atuação das primeiras aparições


No Atlético-PR, ofensivamente falando, tivemos uma total bagunça. Em dado momento, Sidcley fazia a primeira marcação ao lado de Guilherme, enquanto Coutinho aparecia para fechar o lado esquerdo. Depois, as funções se invertiam. Em outrora, era Pablo quem aparecia adiantado. Já com o domínio da bola, Rossetto era quem mais tentava, porém as opções não eram das melhores, tanto pelas peças quanto pela composição tática. O empate esteve de ótimo tamanho.


A simples mudança de peças no intervalo foi suficiente para dar uma nova cara. Nikão e Gedoz vieram para campo e, aos poucos, percebemos o quão fácil seria perfurar o São Paulo, que vive péssima fase técnica. Sim, foi necessário um tempo inteiro para notar isso. E aí as coisas ocorreram com simplicidade, sem impeditivos: virada de Gedoz para Nikão, que passou para Sidcley. O lateral achou Gedoz dentro da área. Cabeçada, defesa de Sidão e gol de Coutinho no rebote.


Nos minutos seguintes, continuamos com boa presença ofensiva. Que poderia tranquilamente ter continuado se não fosse o conformismo e a síndrome de pequeno. Recuamos gradativamente até sofrer os golpes: Cueva, a cabeça pensante, se aproveitou do espaço estratosférico dado pelo meio-campo do Atlético para achar Pratto, que contou com uma marcação bem frouxa de Wanderson para empatar. No gol da virada, a culpa fica exclusivamente para Pavez, que armou um contra-ataque que terminou em tento de Maicosuel.


O Atlético-PR não bota fé em seu potencial, como se tivesse elenco de postulante ao rebaixamento. E, num piscar de olhos, é justamente isso que nos tornamos. No Brasileirão com menos disputa na parte de cima da tabela, achamos melhor nos juntarmos a briga acirrada da parte de baixo. A sorte está lançada.


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Fabiano Soares vem tomando decisões inexplicáveis