Atletiba: as traves no caminho do Furacão

O Atlético-PR de Fabiano Soares segue (entre alguns tropeços, é claro) caminhado na direção certa. No clássico diante do Coritiba, neste domingo, tivemos muito volume. Sem pressão ilusória ou posse de bola improdutiva, mas sim com domínio, que refletiu em diversas bolas na trave, boas defesas de Wilson, que teve uma das melhores atuações individuais do ano, e a marcação de dois pênaltis (ambos acertos da arbitragem). Pena que Nikão desperdiçou o primeiro.


O resultado de um a um não refletiu no que foi visto em campo. Porém, como já dizia a frase de parachoque de caminhão, não existe injustiça no futebol. E, se não fizemos mais gols, é porque não houve eficiência, é porque não temos uma presença de área, é porque nosso melhor jogador estava no banco de reservas.


No primeiro tempo, a partida iniciou com um ritmo lento, de estudo, mas não demorou para que o Atlético ganhasse campo. Progressivamente, ao natural. As primeiras chances vieram na bola aérea, com Éderson e Paulo André, e depois com Lucas Fernandes pelo chão. Mesmo Lucas que, minutos mais tarde, sofreu pênalti (evocando ao que aconteceu muito em 2016). Em uma escolha duvidosa, Nikão foi pra batida e carimbou o poste. Ótimo jogador, mas que já perdeu pênalti e foi sem confiança para a bola. A marca da cal não é pra ele.


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Ainda antes do pênalti de Nikão, Paulo André havia sido o primeiro a sofrer com a trave na Arena da Baixada


A recompensa foi o gol de Werley, logo na sequência, em um lance de bola parada. A única grande chance do Coritiba em todo o primeiro tempo (e na partida). Plano bem executado e vantagem alviverde, que “chegou lá” explorando uma velha fraqueza do Atlético.


O Furacão demorou pra engrenar na etapa final. Guilherme fazia um jogo apenas razoável, assim como Nikão, neutralizado, e Lucas Fernandes, que, apesar de sempre se fazer presente, abusava de erros bobos. O fato novo acabou sendo o trunfo, com as boas entradas de Felipe Gedoz e Matheus Rossetto, que melhoraram o jogo ofensivo. Ribamar, que veio mais tarde, também ofereceu mais presença que Éderson.


Wilson teve seu grande momento em cabeçada precisa de Paulo André. Depois, Gedoz mandou um torpedo na trave. Ribamar, em chute cruzado, levou perigo. Até que, enfim, veio o pênalti em cima de Gedoz após grande passe de Guilherme. O camisa 10, que entrou para mudar o panorama da partida, empatou. Nos acréscimos, mais uma trave, desse vez de Ribamar, além de uma defesa de Wilson aos 50 minutos. Ô azar.


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Jogadores comemoram o gol de Felipe Gedoz


Em meio a tudo isso, também, houve um pênalti em cima de Rildo, que não poderia deixar de ser comentado. A atuação de Daronco, inclusive, teve momentos de bastante descontrole. Assim como a arbitragem brasileira no geral. Vale lembrar que o gol de Werley, teoricamente, teve um toque de braço e poderia muito bem ser anulado. Esperamos que não tenhamos desespero e vitimismo do lado Coxa, até porque a arbitragem do Brasil erra diariamente, sem benefício/favorecimento. Mudanças sérias (como a arbitragem em vídeo BEM aplicada) precisam acontecer. Mas não será assim. E amanhã o “ajudado” pode ser o Coritiba. Nunca saberemos. Porém, cobrar critério e boa arbitragem no país é inocência e ingenuidade.


Uma trave no caminho


Não é exagero dizer que o jogo desde domingo foi um dos melhores do Atlético sob o comando de Fabiano Soares. Produtividade, chances reais e um adversário evidentemente incomodado. Tivemos Dezessete finalizações contra quatro do adversário (só uma no gol). A construção do resultado deveria ser natural caso houvesse eficiência. Ou um pouco mais de sorte, já que a trave é “quase lá”.


Precisamos ter nossos melhores jogadores atuando juntos. Gedoz passou por maus bocados até ser recentemente elogiado por Soares e aparecer visivelmente mais magro. Tecnicamente, é o cara do elenco. Esperamos que o ponto de virada tenha sido hoje.


Guilherme segue cumprindo muito bem a armação, sendo o jogador ideal para o setor. E ainda temos outros talentos pelos lados. Nosso elenco foi bem montado, conta com figuras que podem desequilibrar e oferecer perigo. Aliado ao bom trabalho técnico que tem sido realizado, temos tudo pra terminar o ano bem. O ponto fraco ainda é o posto de “9”. Não temos ninguém em grandes condições, apenas peças razoáveis.


Enquanto não houverem traves no caminho, estaremos bem. Poucas vezes uma equipe e uma comissão foram tão promissoras. Tomara que isso leve a algum lugar.