Furacão: vitória em Porto Alegre escapou nos detalhes

Se chegamos ao ponto de contestar um empate com o Grêmio, fora de casa, é porque estamos no caminho certo. Sim, o adversário veio com o time reserva. Mas ainda é o Grêmio, que imprimiu ritmo forte e contou com apoio de uma presente e ativa torcida. Olhando dessa forma, o zero a zero não representa um retrocesso com relação aos resultados recentes, mas também deixa um gostinho amargo.


Na escalação de Fabiano Soares, a novidade foi a presença de Zé Ivaldo pela lateral direita. No meio, Eduardo Henrique substituiu Lucho, que seria o titular natural fora de casa, enquanto Rossetto acabou ficando no banco. Já na frente, Éderson ganhou uma chance na vaga de Ribamar, que ainda não conseguiu apresentar bom futebol, mesmo sendo bastante colaborativo.


Gazeta Press
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Atuando improvisado, Zé Ivaldo freou Fernandinho, principal ameaça gremista ao lado de Éverton


Nos primeiros minutos, o ritmo gremista, como já é de costume, foi forte, incomodando a saída de bola. Contido, o Furacão soube segurar o “fogo” inicial e ganhou campo naturalmente. Tanto que, nesse passo, criou ótimas chances já na primeira etapa, fazendo com que o Grêmio se tornasse mais cauteloso. Pena que, tendo mais espaço, o Atlético não acelerou para buscar o gol com mais afinco.


Pela esquerda, Nikão era a válvula de escape. Visivelmente mais à vontade por ali, o camisa 11 deu muito trabalho para o limitadíssimo lateral-direito Leonardo. O mesmo não pode ser dito do outro extremo do campo. Zé Ivaldo atuou bem, com segurança, mostrando ser o substituto mais adequado para Jonathan. Já Sidcley, que teria mais espaço para avançar, não se sente confortável pela direita, o que torna a ida de Lucas Fernandes para o banco de reservas bem duvidosa.


No segundo tempo, o Grêmio, com exceção de uma jogada individual de Éverton, esteve ainda mais entregue, sofrendo principalmente com a ausência de Michel, Arthur e Maicon, seus principais catalisadores. Na medida em que dominava cada vez mais as ações ofensivas, o Furacão foi ganhando confiança, porém pecando na decisão final.


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Novamente atuando durante os 90 minutos, Guilherme segue oferecendo qualidade e lucidez ao meio-campo


Algo que aconteceu com Guilherme, em contra-ataque que o meia tentou resolver sozinho. Com Sidcley, que saiu cara a cara com o goleiro após uma enfiada de bola magnífica do mesmo Guilherme. E Éderson, que também parou em Paulo Victor. Era o momento de abrir o leque, buscar alternativas, porém Fabiano Soares, que faz ótimo trabalho, e é bom frisar, errou nas alterações.


Ficou a sensação de senso comum, de conformismo. Com Matheus Anjos, Gedoz (que precisa voltar a ser opção, urgentemente) Eduardo da Silva e Lucas Fernandes, o treinador acabou preferindo Coutinho e Pablo, além de Rossetto na vaga de Eduardo Henrique. Amargo. O Furacão encerra uma sequência arrebatadora de quatro vitórias consecutivas, que mudou os rumos da temporada, em um jogo que não foi vencido nos detalhes.