'Realista', Fabiano Soares coloca o Furacão no G-6

Não é exagero dizer que o futebol praticado no Brasil em 2017 é pavoroso. E, apontando isso, não faço uma alusão ao líder Corinthians, diminuído por “não jogar bonito”. Pelo contrário, valorizo a estrutura tática de Carille, que consiste em organização, defesa sólida e marcação bem estruturada que leva ao erro do adversário, sufocando-o. Conceitos também encontrados, por exemplo, no Botafogo de Jair Ventura. E no Atlético-PR de Fabiano Soares.


Gazeta Press
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Posse de bola a qualquer custo? Fabiano Soares pensa diferente


Analisando gol a gol da vitória contra o Bahia, neste domingo, não podemos apontar uma equipe com resquícios de brilhantismo, mas sim de colaboração, dedicação e inteligência. Deixando para trás a ideia de ser um novo Barcelona, tentando construir o resultado através de um jogo de posse que não levava a nada, Soares nos ofereceu uma dose de realidade e, com ele, escalamos até o G6.


Ontem, a postura do Bahia surpreendeu por tentar, nos primeiros minutos, povoar nosso campo, oferecendo intensidade. Numa falha de comunicação entre Cascardo e Lucas Fernandes, Mendoza abriu o placar. E foi interessante ver que, mesmo sob condições adversas, não perdemos o foco ou partimos para o desespero (o que foi possível observar, também, diante do Santos, com pressão aliada à organização).


A pressão proporcionada, através da dificultação, não deixando o Bahia confortável, começou a surtir efeito. Os gols foram muito naturais, assim como contra o Avaí: primeiro, falha individual de Matheus Reis, que cometeu um pênalti bobo e permitiu o tento de Nikão. Depois, já no segundo tempo, virada com Thiago Heleno, que cabeceou após linda cobrança de falta de Guilherme. Para fechar, a retomada de bola, ainda no campo de ataque, forçando o erro: Éder marcou contra e, por último, Sidcley aproveitou rebote de Jean em lance que se iniciou em falha de Juninho na origem.


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Xodó da torcida, Nikão é o maior artilheiro da nova Arena - 11 gols


Como parênteses, novo destaque para Pávez, que melhorou o desempenho ofensivo de Rossetto, Fabrício, que driblou desconfiança e entrou muito bem na lateral-esquerda, transformando, aparentemente, Sidcley em meio-campo (em definitivo), e Guilherme, que emenda uma sequência de jogos e domina a armação, com movimentação inteligente e uma parte técnica realmente diferenciada. De negativo, Jonathan, que, mesmo jogando absurdos, não consegue uma engatar uma série de jogos sem lesões.


Em entrevista pós-jogo, Fabiano Soares disse não ser um sonhador, trabalhando na base do realismo. E, num clube que muitas vezes atropela as próprias ideias, era exatamente o que precisávamos. Mudança de rumos com o professor.