Dominante, Furacão é derrotado pelo jogo de ida

O Atlético-PR é um clube inacreditável: após toda a turbulência no ano de 2017, com a crença de que não teríamos dias melhores tão cedo, saímos de campo aplaudidos mesmo na derrota. Na Vila Belmiro, o ilusório um a zero para os mandantes pelo jogo de volta na Libertadores não pode apagar o progresso recente. Se fomos eliminados hoje, foi pela péssima partida de ida. 


Fabiano Soares, que chegou sob a desconfiança de absolutamente todos os torcedores do Furacão, principalmente por ser desconhecido em solo nacional, segue apostando no que de melhor essa equipe pode oferecer. Jogo ofensivo sem a bola, com pressão constante sob o adversário, ainda equilibrando com uma posse que, mesmo não sendo 100% efetiva, se concentra no campo de ataque. 


Gazeta Press
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Fabiano Soares consola Thiago Heleno na saída de campo: trabalho do treinador deve ser reconhecido


Diante do Santos, o Atlético foi dominante, arrasador. Se destacando, logo de cara, pela postura controlada: realizou um jogo extremamente agressivo sem se desesperar, mantendo organização, sem dar um milímetro de campo ao adversário. Naquele que foi, talvez, o único deslize, o trio Lucas Lima, Ricardo Oliveira e Bruno Henrique acabou sendo cirúrgico. 


Antes do lance capital, que enterrou completamente nossas chances, fizemos um jogo de total controle. Sidcley jogou pelo meio, atendendo pedidos, mas surpreendeu ao ser escalado pela direita. Não esteve confortável, mas cumpriu a função de abrir espaço para Jonathan, grande ameaça ofensiva para o time praieiro. Na sua melhor subida, Vanderlei espalmou e a bola sobrou para o próprio Sidcley, que parou em Veríssimo. O zagueiro santista salvou em cima da linha. Anteriormente, o Furacão já havia ameaçado duas vezes, com Paulo André e Guilherme. Parou na muralha que estava do outro lado. 


Esse foi o começo de uma noite longa para o Santos, que tomou calor dentro de casa. É verdade que, no segundo tempo, os mandantes ganharam um pouco de campo após a entrada de Jean Mota e uma queda de ritmo mais do que esperada do Atlético-PR, que realizou uma verdadeira blitz no primeiro tempo. Ainda assim, não demorou para que retomássemos o domínio. E, mesmo na dificuldade, demos pouco espaço. 


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Melhor goleiro em atividade no Brasil, Vanderlei brilhou mais uma vez


Jonathan na trave, Sidcley e Guilherme parando em Vanderlei. Não faltaram chances. O futebol foi cruel conosco. Não podemos indicar "injustiça", até porque não fomos eficientes e nos deixamos ser dominados dentro de casa. A eliminação, mesmo que amarga, passa a sensação de uma equipe aguerrida. E com futuro, acima de tudo. 


Sem terra arrasada


Uma vez que Fabiano Soares encontrou um perfil interessante para a equipe, temos que seguir trabalhando e evoluindo em cima dele. E é bom deixar claro: teremos rodízios, trocas constantes, explorando todo o elenco. O modelo atual exige ao máximo o físico, e a EXOS, que já foi demonizada na mídia (e terá mais espaço, em breve, para discussões no blog) será fundamental nesse controle. 


Pode ser coincidência, mas o afastamento de Petraglia culminou em um poder de decisão aparentemente maior de Fabiano, que deixou a posse de bola improdutiva de lado, além de cortar o antes intocável Douglas Coutinho. Se for assim, nosso presidente pode curtir bem suas férias. 


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Bem como primeiro volante, Lucho se mostrou uma interessante alternativa em mais uma função


Temos o trunfo de poder, enfim, contar com opções fortes e interessantes para todas as posições. Falando nisso, a "cornetada" de hoje fica por conta da não inscrição de Lucas Fernandes, que deveria puxar a fila entre os novos relacionados para a Libertadores. Podia ser o diferencial para um time ainda um pouco engessado ofensivamente. Mas sem lamento. 


Curiosamente, ao longo do ano, passamos de um time que jogava horrores mas passava de fase para uma equipe que, em meio a melhorias, se despede da Libertadores e deixa o campo com elogios. Coisas que acontecem por aqui.