'Chato', Furacão não deixou o Palmeiras se sentir em casa

A ideologia por trás do comportamento em jogos fora de casa não costuma ser das mais eficientes no futebol brasileiro, especialmente quando falamos de equipes com o perfil do Atlético-PR, que geralmente irão se fechar em busca de um contra-ataque.


Aliás, esse vem sendo um Brasileirão diferente, com muitos visitantes se sobressaindo. Ainda assim, isso costuma acontecer por conta de uma configuração que visa o contragolpe a partir da retranca. O que pode ser eficiente em alguns casos, porém não deixa de ser obsoleto e também acaba não elevando o patamar de um grupo. Quando precisar propor, jogar pra cima, não conseguirá.


Mesmo que a demissão de Eduardo Baptista tenha sido umas decisões mais antecipadas já tomadas por nossa diretoria, é inegável que o ex-treinador do Furacão tinha uma fraqueza bem clara: a de não saber se portar quando está em busca do gol. Seja no zero a zero, seja em desvantagem. O trabalho de marcação podia ser forte, porém acabava não resultando em ganho ofensivo. E, no momento que tínhamos frente do placar, parecíamos esquecer da importância de não regredir em campo, correndo constante risco.


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Realista, Fabiano Soares busca o jogo ofensivo sem querer a posse de bola a qualquer custo


Fabiano Soares parece compreender esse ponto de vista. Uma das principais qualidades do novo treinador, que começa a ser reconhecido por seu estilo, está no realismo. Realismo, esse, que falta ao lunático que comanda (ou comandava?) o clube. Soares conhece muito bem o seu grupo e está ciente das limitações, moldando um estilo de jogo que consiste em incomodar.


Dar a bola ao adversário não significa exatamente que uma equipe não quer jogar. Mesmo que o Furacão ainda esteja em busca de um equilíbrio entre estilos, é no comportamento sem a redonda que estamos crescendo. Ontem, na surpreendente vitória sobre o Palmeiras no Allianz Parque, o Atlético-PR não deixou com que os comandados de Cuca se sentissem em casa. E o melhor: sem recuar, mesmo após o gol de cabeça marcado por Thiago Heleno.


O desconforto evidente foi proporcionado por conta de um time que vem se entregando ao máximo fisicamente, marcando com inteligência e sem desespero, dificultando a saída de bola e o trabalho de criação. Mesmo que Weverton tenha feito pelo menos duas defesas difíceis, o Furacão deu pouca brecha.


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Atuando pela segunda vez após lesão, Guilherme foi bastante ativo


É importante saber que, dessa forma, precisamos de elenco, opções, ou ao contrário o desgaste nos engolirá. O revezamento é mais que compreensível, ainda mais em um momento que temos, enfim, boas peças de reposição em praticamente todas as posições.


Falando mais propriamente do jogo, destaque para o retorno de Jonathan, para a boa partida da dupla Paulo André e Thiago Heleno (lei do ex) e o trabalho colaborativo dos alas Sidcley e Pablo, mesmo que o segundo não encontre seu bom futebol há tempos. Entretanto, mesmo com esses bons valores, o adendo especial deve ir para Esteban Pavéz, que tem a simplicidade como forte de seu jogo. Inteligente, o chileno preenche espaços, contribui constantemente na recomposição e ainda apresenta qualidade com os pés. Otávio, que parecia insubstituível, deixou alguém com ótimas condições em seu lugar.


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Thiago Heleno comemora seu gol junto ao grande nome da partida


São três vitórias consecutivas de uma equipe que vai se notabilizando por ser “chata”. Na quinta, um compromisso importantíssimo, pela Libertadores, contra o Santos, pode ser um ponto de virada para essa equipe: seja na vitória/classificação, que nos deixaria em êxtase, ou simplesmente na postura. Fabiano Soares está em início de trabalho, e seria demais exigir que ele saia de São Paulo nas quartas-de-final. Porém, queremos ver o time tentando. E isso já seria recompensante, ainda mais agora, que vivemos momentos de maior tranquilidade.