Atlético-PR 5 x 0 Avaí: o caminho é pelos lados

O atleticano não estava preparado para o que aconteceu na noite desta quinta-feira. Placar largo e atuação cirúrgica, logo em meio a um momento que discutíamos a falta de produtividade da equipe com a posse de bola, além de supor que o estilo de jogo reativo era o que mais combinava com as peças de elenco, principalmente observando o bom desempenho recente fora de casa.


Amassamos o Avaí na Arena da Baixada. E, analisando num apanhado geral, não tivemos uma atuação exatamente avassaladora. A ofensividade foi vista através do jogo posicional. Fabiano Soares fez com que seus comandados habitassem o campo adversário, seja através da posse ou da marcação alta. Em determinado momento da etapa inicial, quando o placar ainda estava zerado, a posse de bola marcava 75 x 25 em favor do Furacão. No contragolpe, quase fomos pegos, mas não demorou para que a segurança se tornasse constante.


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Furacão teve sua melhor atuação na temporada


É importante notar como, no momento de construção, são as pontas que aparecem. A entrada de Pavéz, que vai se mostrando um ótimo volante, liberou Matheus Rossetto para flutuar. E é a partir dos pés do camisa 20 que geralmente surge o desafogo, encontrado a partir da abertura pelos lados. Com Otávio, Rossetto tinha mais obrigações defensivas, seu ponto fraco. Agora, a liberdade que ele necessita pode alavancar seu futebol, o consolidando como o "motorzinho". O jovem meia/volante tem influência direta no funcionamento do sistema.


Antes de progredir, mais um pouco sobre Pavéz: é fascinante como sua simplicidade faz bem. “Invisível”, o chileno presta um papel fundamental na recomposição de seus parceiros de equipe, seja auxiliando a zaga ou cobrindo o retorno dos laterais. Inteligente e prestativo, além de não ser um cabeça de área “clássico”, no melhor estilo Deivid Coquinho, ajudando na contrução. Qualidade.


O primeiro gol contra o Avaí contou com uma dose alta de sorte, que vai além de posicionamento ou mérito. Parece que o culto na Arena da Baixada segue surtindo efeito. Guilherme, sem muito trabalho, empurrou para as redes após sobra em cobrança de falta. Tento que permitiu acompanhar a evolução.


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Guilherme abriu o caminho para a goleada, marcando os dois primeiros gols diante do Avaí


No segundo tempo, a organização e o cuidado defensivo foram ainda maiores. Porém, a posse de bola e a postura de marcação mantiveram-se num padrão parecido com o inicial. E os ataques, bem ordenados, passaram quase que majoritariamente pelo trabalho de Lucas Fernandes, Nikão, Sidcley e Cascardo, com ênfase para o primeiro, que teve uma atuação sublime. Bem-vindo de volta.


É pelos cantos que reside a força do elenco, que ainda conta com Felipe Gedoz, Jonathan, Matheus Anjos, Yago, Pablo (que precisa urgentemente se recuperar), Fabrício (estreou hoje, foi funcional, mas ainda é incógnita) e outro jogador que não vale a pena citar, pois não se encaixa exatamente no conceito de "qualidade". 


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Veloz, driblador e importante na parte tática: Lucas Fernandes voltou para ser titular


O segundo gol do Furacão na partida veio após subida e finalização de Cascardo. Douglas não foi bem, espalmando nos pés de Guilherme, que marcou novamente. Sobre o ex-Corinthians/Atlético-MG, é interessante observar que, como “10”, ele funciona mais como um “11”.


Considerando que nosso jogo é muito lateralizado, visto que a qualidade está ali, o papel de armador fica diminuído, de certa forma. Fato que mantém Lucho, com sua colaboração intensa, e agora pode abrir espaço para Guilherme, que conta com grande posicionamento, qualidade na finalização (provavelmente o melhor do elenco nesse sentido) e inteligência. Um segundo atacante perfeito. Esperamos que vença as lesões.


Seguindo, o terceiro tento veio com Nikão, em jogada individual, pelo lado esquerdo. Capa desviou contra. O quarto, em tabela precisa de Eduardo Henrique e Guilherme, que terminou em finalização do volante. E o quinto, quem diria, novamente com Eduardo, que testou firme após bola de Éderson. Gols que vieram, é claro, um pouco pela desordem do visitante, totalmente perdido e envolvido em campo. Mas também pela postura vencedora e pensamento ofensivo.


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Gols de Eduardo Henrique foram a 'cereja do bolo'


Muito do que foi dito aqui contraria bastante o último texto postado no blog. Vamos acompanhar para descobrir se o estilo mais agressivo, que a diretoria espera, pode realmente render, especialmente dentro de casa. O Avaí, mesmo não sendo uma força dentro do campeonato, veio de bons resultados fora, eficiente em contra-ataques contra Grêmio e Botafogo. Não jogamos contra ninguém.


O Atlético é uma eterna montanha-russa, seja no campo ou fora dele. Parece ser impossível ter dias de completa paz, ou momentos de total terra arrasada. Hoje, estamos num ponto alto, e tomara que assim seja pelas próximas semanas.