Sem se prender a rótulos, Furacão pode crescer

O assunto já apareceu por aqui. Mais de uma vez. Entretanto, insisto: não há como colocar um “modelo de jogo” em prática no futebol brasileiro. São raríssimas as exceções, e tal método exige algo que não temos por aqui - tempo. Além disso, somos subordinados com relação ao futebol europeu e mais recentemente ao mundo asiático. No caso do Atlético-PR, e outros times excluídos da “panela dos grandes”, subordinados dos subordinados. Realidade que vem mudando, e a saída de Otávio para o Bordeaux, por um ótimo preço, mostra isso.


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Furacão conquistou sua primeira vitória sob o comando de Fabiano Soares


Após duas partidas completamente sem inspiração dentro de seus domínios, o Furacão respirou no Brasileirão ao passar pelo Vasco, em Volta Redonda. O campeonato teve uma nova versão da “rodada dos visitantes”, que vem se tornando costume. Um ponto importante para essa discussão. Posse de bola derrotada?


Na segunda-feira, iniciamos o jogo oferecendo a bola, marcando de forma ordenada e funcional. A equipe que trabalhou com a seleção dos melhores momentos da partida teve dificuldades, visto que houve um marasmo em termos de produção. O que estava nos planos no Atlético, evidentemente.


Ou não?


Na linha do tempo dos acontecimentos recentes, lembramos das citações de Petraglia, após a demissão de Eduardo Baptista, e Fabiano Soares, na sua coletiva de apresentação. O primeiro dizia, basicamente, que quem aceitasse trabalhar no clube deveria abrir mão de parte de sua autonomia, seguindo uma cartilha, o que envolveria esquema tático predefinido e o famoso “modelo”, que foi exemplificado por Soares: jogar “como grande” dentro e fora de casa, assumindo frente, tendo a bola.


Onde isso foi parar?


Bem longe daqui, certamente. E isso está longe de ser uma coisa ruim. A postura ofensiva, de gerar desconforto no adversário através da pressão no campo de ataque, foi algo muito presente especialmente contra o Corinthians, que claramente foi acuado nos minutos iniciais daquela partida em Itaquera. E estamos falando do quase perfeito líder do campeonato.


O estilo reativo voltou à moda e, dentro dele, é necessário trabalhar na imprevisibilidade. O papel dos jogadores sem a bola nunca foi tão importante. A obsessão pela posse? Essa podemos deixar de lado. Que acabe o lunatismo. Aliás, esperamos que o afastamento de Petraglia nos traga alguns dias de maior tranquilidade. Particularmente, duvido. O homem certamente tem os seus laranjas. Mas vamos esperar pelas próximas semanas.


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'Soltinho', Rossetto fez seu melhor jogo no BR17


Voltando ao jogo, é necessário destacar o comprometimento, com um trabalho praticamente impecável de fechamento de espaços, aliando movimentação inteligente e uma defesa impenetrável. Até Paulo André foi bem. Pavéz, o estreante, mostrou um estilo bem diferente de Otávio: bom posicionamento, jogo simples, fisicalidade e marcação. O jovem oriundo das categorias de base, que foi titular ao longo de três anos, se destacava mais pela função de armador recuado, ideal para quem gosta de valorizar a posse. Mudança radical que pode influenciar em um novo estilo.


A entrada do chileno, aliada ao trabalho tático bem executado por Lucho, fez com que Rossetto sorrisse. Livre, leve e solto, incomodou, esteve onipresente ofensivamente e foi nosso melhor jogador em campo. Fechando, Ribamar, que aproveitou bem uma falha de Henrique para marcar seu gol, merece sequência, tendo bons atributos para crescer na posição.


A curiosidade é gigantesca pela postura nas próximas partidas. Contra o Avaí, uma partida em que teremos a bola. Até o momento, ainda não descobrimos o que fazer com ela. É necessário pensar fora da caixa, Fabiano.


Querer implementar um modelo que rema contra a maré do futebol brasileiro é incoerente, falho e até doentio. O que queremos, sinceramente, são apenas mais algumas noites como a de segunda-feira em Volta Redonda. 


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O 'Ibramar' chegou