O Atlético-PR é a maior bagunça do Brasil

A ideia de ter um modelo de jogo seguido desde as categorias de base é algo “diferente” dentro do cenário do futebol brasileiro. Com a justificativa de não seguir essa norma, Eduardo Baptista caiu. Fabiano Soares chegou e, em pouco tempo, já demonstrou que não terá pulso para confrontar a idealização de um estilo que busca a posse de bola, mesmo que, observando as características do elenco, essa não seja a melhor saída.


Dessa forma, tocando a bola de um lado para o outro, proporcionamos a primeira vitória da Ponte Preta fora de casa no Brasileirão. As boas chances, no segundo tempo, vieram através da pressão natural, naquele momento em que o visitante se fecha e abre brecha especialmente para finalizações de fora da área. Aranha brilhou.


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Atlético-PR, 'comandado' por Fabiano Soares, somou um ponto em dois jogos dentro de casa


O primeiro gol da Ponte Preta, no início do segundo tempo, é um objeto de estudo interessante. Rossetto, dentro da ideologia de jogar pelo chão a qualquer custo, mesmo sob pressão, perdeu a bola. Na sequência, Lucca balançou as redes pela primeira vez na partida.


É preciso entender bem o lugar onde estamos. Não é possível modular um grupo dentro de uma única característica específica aqui no Brasil. O calendário inchado traz as lesões como brinde. O futebol europeu deita e rola em nós em termos de contratações. No caso do Atlético-PR e outros times “secundários”, a distribuição de cotas de TV é desumana e praticamente obriga buscar saídas financeiras que prejudiquem o futebol. Com um estádio para ser pago, então, piora.


Ou seja: o elenco terá mudanças, jogo após jogo. O esquema deve ser autonomia de um técnico, assim como a forma de jogar, e as baixas em um time serão rotineiras. É legal ir até São Paulo e se comportar de maneira ofensiva, surpreendendo o Corinthians, conseguindo o empate. Mas é preciso saber que o próximo adversário saberá disso, não dando as mesmas oportunidades.


O Atlético-PR de 2017 é falho. Continua se enganando que poderá propor o jogo a todo momento. Mesmo que tenha peças interessantes, elas ficam no banco de reservas para beneficiar jogadores de grupos de empresários. Gedoz, após realizar um trabalho de recondicionamento físico, voltou hoje, demonstrando ser disparado o principal jogador do elenco, exigindo Aranha e quase marcando gols. Se, no próximo jogo, ele for novamente reserva da aberração Douglas Coutinho, não há mais muito o que dizer.


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Felipe Gedoz: uma diferença visível de qualidade


Éderson é outro caso curioso: único atacante a fazer gols no ano, sumiu. É certo que hoje a oportunidade foi para o estreante Ribamar, que não se comportou mal, mas é injustificável o nosso jogador de ataque mais efetivo ser, por exemplo, preterido por Eduardo da Silva. Sumido por meses, o brasileiro-croata reapareceu sem alguma motivação. Para ajudar, cometeu pênalti nos acréscimos, dando a Lucca a chance de fazer seu segundo gol. É bom jogador, porém ainda não demonstrou por aqui.


Mesmo com esse desabafo nas linhas acima, é preciso reconhecer que não vamos mudar na questão ideológica, por mais triste que isso seja. Talvez Fabiano Soares seja demitido em algumas rodadas sem que sequer o conheçamos como treinador. Até porque, diante desse cenário no mínimo duvidoso em termos de hierarquia, é difícil saber quem realmente dá as ordens.


O clube ostenta organização para quem vê de fora, porém não sabe aplicar suas próprias ideias. Tempos difíceis.