Corajoso, Furacão impressiona na Arena Corinthians

Corinthians x Atlético-PR era o jogo “manjado” da rodada. Aliás, um time em péssima fase visitava o líder isolado do Brasileirão. E, diante desse contexto, o resultado de hoje não pode deixar de ser celebrado. Tivemos postura de coragem e bravura, mesmo com todas as limitações.


Kelly, que novamente comandou o time na beira do gramado, trouxe Cascardo para a linha de meio-campo visando reforçar a marcação. Nikão, que não estava 100% fisicamente, ficou no banco. Lucho voltou ao meio, substituindo Eduardo da Silva, que não se adequou a função contra o Cruzeiro. Sidcley voltou para a lateral, abrindo vaga para Coutinho no meio. No ataque, Pablo escalado.


O Atlético fez um ótimo primeiro tempo. Principalmente analisando adversário e postura. O Corinthians, equipe de melhor organização no futebol brasileiro, teve seu jogo de centro praticamente anulado pelo bom trabalho de marcação e posicionamento de Otávio, Eduardo Henrique e Lucho. Assim, só havia conseguido criar, até o gol, com chutes de fora da área.


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Weverton fez boa defesa em chute de Marquinhos Gabriel


E, mesmo com o enfoque em ofuscar o adversário, o Furacão se destacou por imprimir um bom ritmo, forçando erros defensivos e tendo a bola. Nesse sentido, fez falta alguém com potencial para decidir no setor ofensivo. Com Cascardo funcionando basicamente para marcar, nosso outro ponta, Coutinho, ficou com a responsabilidade de ser “o talento”. E aí é melhor nem comentar. Pablo, o centroavante, aparecia pouco de forma mais decisiva, ainda que seu jogo fosse “ok”.


O homem de decisão acabou sendo Jonathan. Que, partindo pelo lado direito, enfileirou a defesa do Corinthians até vencer Cássio. Um dos gols mais belos do campeonato. No desespero, o líder do Brasileirão usou dos minutos restantes a etapa inicial para forçar uma pressão não muito ordenada, porém eficiente. Isso porque, em um lance “achado”, Moisés encontrou Jô, que tomou a frente de Sidcley e empatou.


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Jonathan comemora sua pintura na Arena Corinthians


No segundo tempo, o gol precoce do Corinthians foi o aviso óbvio de que precisávamos de mudança no ataque para vislumbrar algo. No lance, Otávio abandonou Maycon, Weverton não saiu para dar combate e, na sequência, Jô marcou seu segundo na partida. Minutos depois, Nikão veio para o lugar de Cascardo.


A boa notícia foi o foco mantido pelo Furacão. Que, em muitos momentos da temporada, foi inexistente. Principalmente pela falta de poder de reação e da desorganização após ficar atrás do placar. Hoje, ao contrário, mantivemos a postura contida, e não deixando de ter presença no campo ofensivo. Coutinho teve as melhores chances e acabou não aproveitando. Aos poucos, avançamos.


Perto dos trinta, Jonathan sofreu um pênalti que não foi marcado pela arbitragem. Menos mal que, na sequência, Otávio arriscou de fora e contou com um desvio amigo de Balbuena para empatar. Depois, Sidcley assustou duplamente: primeiro, os corintianos, exigindo boa defesa de Cássio, e, depois, os atleticanos, “armando” um contra-ataque para os mandantes que exigiu uma excelente intervenção de Weverton, impedindo o hat-trick de Jô. No final, empate ótimo para o Furacão.


Ponto de virada


Esperamos que o jogo de hoje seja o ponto de partida para um recomeço, dando um cenário de “paz” para Fabiano Soares iniciar seu trabalho. E que, também, ele já tenha aprendido algumas coisas sobre o elenco assistindo as partidas contra Cruzeiro e Corinthians.


Sidcley voltou a ser escalado na lateral-esquerda. E, sinceramente, não há do que reclamar. Nicolas foi titular na posição contra o Cruzeiro, permitindo um avanço do camisa 8 para o meio-campo. Acabou ficando clara a falta de capacidade do garoto em segurar as pontas por ali. Renan Lodi é a outra opção. Já jogou profissionalmente, não demonstrando muita habilidade. No entanto, teve atitude. Em um cenário de maior tranquilidade, poderia ganhar uma chance.


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Autor do segundo gol, Otávio teve bastante participação em campo


A atenção especial hoje deve ser dada para Otávio, que há tempos não se sentia tão confortável para apoiar em diversos setores, se arriscando mais ofensivamente. O que foi permitido através da escalação de Eduardo Henrique, mais defensivo com relação a Lucho e Rossetto. A nova dupla pode render.


Na linha de frente, Coutinho, com maior importância e recebendo mais a bola, teve uma de suas piores atuações do ano: várias chances de contra-ataque e construções defensivas jogadas no lixo. Não foi falta de chance. Cascardo foi inoperante ofensivamente e não pode receber destaque por contribuição ofensiva, visto que sequer foi notado em campo. Lucho cumpriu bem seu papel usual, enquanto Pablo segue sem encontrar o futebol de 2016. Eduardo da Silva, que veio para o segundo tempo, não teve muito tempo para mostrar trabalho.


O resultado é ótimo pelo contexto: vínhamos de péssimas atuações e recebemos a ingrata missão de visitar o líder isolado do campeonato. Na teoria, um desastre. Na prática, partida tranquila, com organização e poucos deslizes. 2017 ainda não acabou.